domingo, 29 de novembro de 2009

Por que odeio Paulo Coelho

Na última semana, descobri, navegando na internet, que o escritor Paulo Coelho abriu uma seção em seu blog, intitulada "Por que odeio Paulo Coelho", para que internautas pudessem verbalizar (sem palavrões) o porquê do ódio pelo mago. É a hora de botar a boca no trombone!

Por uma incompatibilidade de gênios, o autor não frequenta minhas estantes, tampouco folheio seus livros, apesar de já ter lido "Na margem do rio Piedra...". Para que não fosse uma questão de fé (Felizes os que não leram, mas acreditaram), sentei, li, não chorei, e não mais voltei. Foi um rio que passou em minha vida e não me lembro nem mesmo se molhou meus pés.

É inegável que Paulo Coelho presta um serviço à Língua Portuguesa, uma vez que já foi traduzido em inúmeras línguas, o que demanda o conhecimento de nosso idioma em outras partes do mundo. Os mais ferrenhos dirão que isso é um desserviço à língua, o que considero uma má vontade enorme, já que somos invadidos por obras medíocres que vendem aos milhares e inúmeras são as palmas para esse lixo.

Sobre as questões estilísticas e estéticas, cada leitor tem o autor que merece. Nietzsche já dizia da necessidade de maus escritores, porque "há sempre mais intelectos não desenvolvidos e com mau gosto". A lista dos livros mais vendidos é o ápice da efemeridade e, em geral, não sobrevive a uma década, o que é um prazo extremamente curto em literatura.

Ao invés de postar um motivo de ódio por Paulo Coelho, por que os internautas mais aviltados  não criam um blog e mostram ao mago como se produzir um texto com qualidade? Quanto a  mim, não odeio o Paulo, nem o Coelho. Não carrego bandeira para pedra, tampouco para palma. Apenas ouço o Raul, com o mago ou sem ele.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Fantasmas

Nunca acreditei em fantasmas. Nada pode ser tão transparente assim.
O que me amedronta é pensar por que alguns se mostram e outros não.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

São Humberto

Muitos olham, poucos veem.
Alguns veem um cachorro.
Outros veem um santo.
Alguns enxergam a cruz da cristandade.
Outros enxergam o sinal de adição.
Muitos olhos, poucos vêm.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Finados

O finado leciona o que está inacabado, em trânsito.
A saudade demonstra o que é amado, nosso.
Neste silogismo gauche, o tempo unirá as premissas.

domingo, 1 de novembro de 2009

Santos

De todos os Santos, o meu preferido é São José. Não o da Sagrada Família, mas o protetor dos puxadores de burro: São José Severino.
A hagiologia narra uma vida simples, pobre, árdua, de muito trabalho, de pouco reconhecimento pelos seus, mas de perseverança e resignação. Na velhice, coube a ele puxar uma mula de pouca visão e de muitos cascos, a qual o destino deu o nome de Sabedoria.
São José Severino, rogai pelos asininos e por nós, bestas, que aguentamos essas bestas!

Mar de vento

"Os livros não são feitos para acreditarmos neles, mas para serem submetidos a investigações. Diante de um livro não devemos nos pergun...