No fim de ano, excluo nomes de minha lista de contatos telefônicos. Gente que se foi, que não veio, que não respondeu, que não atendeu. Fico mais leve e o ano que chega sorri mais sincero.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
Desvio
http://g1.globo.com/pr/oeste-sudoeste/noticia/2014/12/rua-de-pato-branco-tem-desvio-para-arvore-ameacada-de-extincao.html
desviar, a saída.
contornar, a simplicidade.
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chegar é o objetivo.desviar, a saída.
contornar, a simplicidade.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Bons vizinhos
EUA e Cuba resolveram esticar os braços e tocar um no outro.
não é preciso abraço, apenas entendimento.
não é preciso abraço, apenas entendimento.
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Os moradores
Moradores do bairro Pantanal e da agrovila Boa Vista, em Castanhal, reclamam do despejo irregular de lixo na entrada do aterro sanitário, que está cada vez mais próximo das casas localizadas na zona rural do município
Raimundo Pacco/Frame/Estadão Conteúdo
http://glo.bo/1GL5npd
***
Há mais urubus do que seres humanos na foto. Os urubus também são moradores da região e, certamente, se falassem, reclamariam do número cada vez maior de catadores no aterro. Não é desmerecimento a esses homens que buscam sustento nessas condições, é o desejo que cada espécie reconheça seu hábitat e, mais, reconheça a própria espécie.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2014
Café em Sidnei
como adoçar um sabor amargo de extremismo em um café em Sidnei, na Austrália? para os que manejam bem, com a doçura cortante do perdão.
domingo, 14 de dezembro de 2014
O sono do sonho
com poucas horas de sono,
o sonho, falsamente desperto,
se perde nas pálpebras cambiantes.
o sonho, falsamente desperto,
se perde nas pálpebras cambiantes.
sábado, 13 de dezembro de 2014
Ingotejante
nem sempre os olhos veem o que querem,
mas é boa a ardência casual:
valoriza o colírio que não se goteja.
mas é boa a ardência casual:
valoriza o colírio que não se goteja.
sexta-feira, 12 de dezembro de 2014
quinta-feira, 11 de dezembro de 2014
Voo
Uma gralha, pássaro da família do corvo Corvidae, salta enquanto desliza na neve em uma floresta no noroeste da Inglaterra.
Owen Humphreys/AP
http://glo.bo/1GnIyba
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quando esperarem que cantes, voa.
quando esperarem que voes, salta.
quando esperarem que saltes, desliza.
quando esperarem que deslizes, voa e canta.
enquanto esperarem, deixa que esperem,
quando não mais esperarem, estarás longe.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Lenço
Jornais estamparam que a presidente Dilma chorou durante a apresentação do relatório da Comissão da Verdade. É uma análise simplória: as lágrimas verteram, sim, da mulher que viveu aquele período de exceção, contado por gritos, dores, choro e maldição. Algumas vozes nunca mais foram ouvidas, e não há lenço que enxugue o pranto desse silêncio.
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Estupro
algumas mensagens, mesmo em plenário, estupram nossos ouvidos.
a castidade verbal, em doses homeopáticas, Jair, faz bem.
quando o falo sobrar, use o calo.
segunda-feira, 8 de dezembro de 2014
Diferente e iguais
quem aceita o diferente tentando transformá-lo em igual não percebe que o espelho tem duas faces.
domingo, 7 de dezembro de 2014
Sincera velhice
- Até breve.
- Não. Despeçam-se de uma vez. Estamos felizes e completos por hoje.
não é pressa
não é irritação
é a sincera velhice que urge
pela língua (infl)amável
- Não. Despeçam-se de uma vez. Estamos felizes e completos por hoje.
não é pressa
não é irritação
é a sincera velhice que urge
pela língua (infl)amável
sábado, 6 de dezembro de 2014
Fardo
se o fardo que carregas te cansa
empurra-o
arrasta-o
amaldiçoa-o
mas o manténs em movimento.
inerte ele te consumirá.
empurra-o
arrasta-o
amaldiçoa-o
mas o manténs em movimento.
inerte ele te consumirá.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
quinta-feira, 4 de dezembro de 2014
Sem ver
Neblina se espalha em um campo agrícola no início da manhã nos arredores da cidade de Lahore, no Paquistão
Arif Ali/AFP
Fonte: http://glo.bo/1FPpuSL
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os pés do caminhante refazem o que a neblina escondeu. sem ver.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Gladiador
jogador que carrega "gladiador" no nome não tem espaço na arena alvinegra. o melhor, para ambos, é o octógono.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Sétimo dia
Para Dona Quiméria
Algumas histórias passam, assim como autores. Relatos se perdem com o passar dos anos, e alguns se transformam tanto que perdem o lastro mínimo de herança, tornando-se órfãos ilustres e sem sobrenome. Há narrativas, contudo, que se eternizam, que se tornam mais vivas com o desenrolar das estações, com o eterno devir de gerações, com o sabor dos anos. São as epopeias, sobreditas míticas, que carregam consigo o sonho e o desejo de milhares de seres humanos, mortais de sangue, imortais de afeto, que têm as vidas escritas em cores vivas e pintadas em infindáveis aquarelas.
Nós somos barrocos.
Não somos feitos de crendices, de histórias mirabolantes, de narrativas cotidianas. Nós somos a própria epopeia, a própria fantasia e a vera realidade. Nós não somos os comuns, nem os ordinários, nem os sofredores. Nós somos os amantes, os apaixonados, os loucos. Para nós, não há o limite, não há o fracasso, e o impossível é uma criança inquieta que se embaralha em nossas pernas, num jogo infantil de “você não me pega”.
Nós acreditamos. Sempre. E ainda que somente nós. O mantra é recente, o sentimento que ele traduz não. Certamente posterior ao Fla-Flu, o nosso acreditar germinou quando “Deus separou a luz das trevas” e o mundo se fez preto e branco. Ali nascemos. A voz ancestral que nos leva pela mão ao estádio e nos desperta o primeiro e tímido grito de “Galo” nos ensina a orar, a acreditar.
Nós somos alvinegros.
Acreditar não é escolha, é vocação. Acreditar é nossa oração, é nosso refúgio nos momentos de provação. Sempre que um atleticano entoa “Eu acredito!”, o mais sempiterno dos sonhos se conecta com a divindade e uma onda de paixão, única e sensual, se corporifica. É festa. Ainda que os sonhos sejam nuvens, é das nuvens que chuva vem.
Nosso acreditar é redundantemente nosso. Durante a Copa do Mundo, no jogo Brasil x Chile, no Mineirão, evocaram, naquele momento de drama, quase dramático, o credo. O Brasil se classificou, a bola encontrou a trava brasileira no final do segundo tempo da prorrogação, mas não houve epifania. Apenas uma partida de futebol.
Nós somos Galo.
Só a Arquibancada Atleticana, o maior movimento não organizado de Minas Gerais, explica o prazer (muitas vezes erótico) da mistura: branco e preto, preto e branco, preto e preto, branco e branco. Não há um só preto, assim como não há um só branco: matizes que olhos menos atentos, não atleticanos, não percebem e, logo, não entendem. Há muitas camisas pretas e brancas pelo país e pelo mundo, mas nenhuma é semelhante àquela que tremula no varal. O poeta da chuva é atleticano.
Hoje, 2 de dezembro, sétimo dia de campanha gloriosa que trouxe a Copa do Brasil para Lourdes, a celebração traz a lembrança de um ciclo que chegou ao fim, mas que renascerá em breve, numa nova vida, numa nova história. O panteão do Galo está em festa. Evoé, 2015!
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Oração pelo aniversário que ainda não se comemorou
Senhor, permita que a idade avançada não me traga o medo da chuva, do vento nas costas, da desculpa mal esculpida, da encenação canastrã, da língua enrolada e da gagueira engasgada. Permita-me, apenas e tão somente, Senhor, que não perca a capacidade de dizer: "Não, obrigado". Amém.
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