sexta-feira, 31 de maio de 2013

O desaprisionado

Dona Quiméria me disse, pelo telefone, hoje pela manhã:
- Meu fio, ontem não era dia de fiasco, nem de Riascos. Foi o dia do nosso São Vito. Ocê conhece o santo, meu fio?
- Não, Dona Quiméria.
- São Vito é o protetô dos prisioneiro, dos exilado. Por isso, na hora qui o Vito defendeu o penâlti, os locutor e a torcida do Galo soltaru o grito aprisionado, aquele qui quase morreu na hora que o juiz deu a falta. Aquele grito de Galo não podia ficá preso ontem, num era possível, nós num merecia. É qui nem a hitória do Santo: todo mundo achô qui ele tava morto, mas ele tava vivo, muito vivo, e bão qui nem um coco.
Prosseguiu ela:
- Intão, meu fio, agora qui nós liberamu o grito e abraçamu o Santo, pode tê certeza qui tem coisa boa vindo aí. Num disanima não! Guenta firme qui nós ainda tamo na rinha e só saímo dela em pé, livre.
 
 
Ramon Bitencourt/LANCE!Press
http://www.lancenet.com.br/atletico-mineiro/Seguiu-Horto-Victor-Atletico-MG-Libertadores_0_928707353.html

terça-feira, 28 de maio de 2013

segunda-feira, 27 de maio de 2013

domingo, 26 de maio de 2013

Face

não me interessa os autores do Livro das faces
nem suas ações, nem suas imagens.
só curto a vida que não está lá.

sábado, 25 de maio de 2013

Lágrima

Caters News/The Grosby Group
http://g1.globo.com/fotos/fotos/2013/05/imagens-do-dia-24-de-maio-de-2013.html#F815180
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Borboletas disputam por espaço para beber as lágrimas de uma tartaruga da espécie conhecida como tracajá na Amazônia peruana.
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em lágrimas, os olhos não veem o espetáculo lépido e colorido da existência.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Oitiva

in certos momentos, a assepsia dos ouvidos é obtida a penas com o protetor auricular.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Cíclope


Hendrik Schmidt/DPA/AFP
http://g1.globo.com/pop-arte/fotos/2013/05/festival-gotico-alemao-tem-figuras-sombrias-e-bebe-caveira.html
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"Um famoso festival gótico celebrado anualmente em Leipzig, Alemanha, espera receber cerca de 20 mil visitantes de todo o mundo adeptos do estilo sombrio durante este final de semana. O 'Wave-Gotik' conta com atrações artísticas e de música 'dark'."
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de quantos olhos é preciso para sonhar?

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Pictórica

a tatuagem é uma cicatriz pictórica
que não diz quem eu sou
mas quem eu era

não há cor e agulha que revelem o presente.

terça-feira, 21 de maio de 2013

Desconfiança

Quem não desconfia de si não merece a confiança dos outros.
Collecção de Pensamentos e Maximas. Lisboa, 1845.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Manifesto (V)

As duas características definitivas da Vênus que considero os símbolos de brasilidade são a depilação e a sensualidade da cintura. Note que ela não tem cintura, o lado direito está em (quase) alinhamento com o quadril, mas repare a “quebrada de asa” do lado esquerdo, pouco abaixo do seio. Mostra que ela sabe valorizar suas potencialidades, sensualidade e feminilidade. É o nosso ziriguidum.

A Vênus conhece bem o jogo barroco de sedução, pois se mostra sem se expor, ou seja, aponta sua nudez sem, contudo, mostrá-la. Os seios estão cobertos pela mão, mostrando levemente o esquerdo, naquela atitude ingênua de colocar a mão ao colo quando de surpresa ou espanto, como se não esperasse aquela pincelada. Veja que as longas madeixas cobrem o ventre, auxiliadas pela mão esquerda, no movimento lúdico do oculto e do visível, do claro e do escuro, do destro e do sestro, da libido e do inibido.

A depilação é única, sem mostras de um pêlo sequer em todo o corpo, exceção feita às madeixas (já devidamente preparadas para a tesoura). A região próxima do púbis é de uma desertificação invejável, desafiando muitas contemporâneas e companheiras.

Tomo a Vênus como modelo, pois ela mostra que não há um padrão de beleza a ser seguido, como já disse antes, mas que podemos valorizar nossas curvas e nossos atributos de maneira ímpar, sem medo de ousar ou na mesmice de ser apenas mais uma. Façam como eu: assumam sua beleza e sua sensualidade e sejam felizes. Não se preocupem com modéstia, pois ela é atributo dos fracos e feios. Nascemos para brilhar, somos estrelas, diferentemente de muitos corpos celestes que correm o céu com o rabo em chamas e se dizem “astros”.

Amigas, levantemos a voz e nosso moral em relação às nossas potencialidades. Somos belas como somos e qualquer um que diga o contrário entrará em nosso campo de batalha, sumariamente fuzilado por nosso olhar e nossa língua ou a mercê de nosso armamento químico. Em tempos de anorexia e bulimia, sim aos prazeres da carne e não ao império dos ossos. Lutemos por nossas formas curvilíneas, por nossa mente e inteligência e reneguemos regras oliviescas, produtos de laboratório. Afirmemos nosso padrão olivesco, natural e perfeito, e mostremos a todo o mundo que as olivas fazem o melhor azeite. À luta, amigas!

Boni Gostosona

*Este texto, de 2008, é uma homenagem a minha amiga Boni, que agora se torna mãe.

domingo, 19 de maio de 2013

Manifesto (IV)


Essa é a Vênus, de Boticcelli, pintura renascentista que retrata a deusa latina do amor, Vênus. Não me pergunte por que os homens são de Marte e as mulheres são de Vênus, porque essas questões livrescas não me dizem respeito. Decidi que meu padrão de beleza é essa Vênus, com algumas customizações (é claro!), e percebi que esse padrão se adapta às brasileiras. Explico o porquê.

Antes, porém, as customizações. Inicialmente, está branca de mais, quase transparente, ofuscando meus olhos e agradando apenas aos japoneses. É preciso de uma cor, alguns dias de sol e muito protetor solar. Para combinar, é preciso escolher o biquíni certo, porque percebi que os quadris estão largos e os seios diminutos. Aconselho um conjunto com duas peças distintas, para destacar e contribuir com a alvura de sua pele bronzeada de sol. É necessário fazer as unhas (tons claros para começar) e acertar esse cabelo, que a deixa parecendo do sétimo dia. A cor do cabelo está bonita, multicultural como os dias atuais: vários tons loiros, mechas castanhas e a região das raízes mais escura, comprovando que a Vênus conhece o universo das tintas e afins.

Não vejo nenhum brinco, mas é acessório importante (não deveria nem se chamar acessório). Uma pulseira do Senhor do Bonfim, no braço esquerdo, cairá bem e trará bons eflúvios. No mais, será o estilo do dia a dia.

Customizada, é o padrão de beleza nacional, ainda que não seja inspirada nas nativas de nossa terra. Veja que possui uma barriga básica, uma espécie de sorriso que tem o umbigo por olho ciclope, que não impede cinturas-baixas tampouco baby looks. Possui coxas de bom tamanho e roliças, com canelas e pés que se harmonizam em um todo. Os ombros estão masculinizados, mas nada que não possa ser decorrente de uma posição inadequada quando desse click e de ser mudado com reeducação postural.

sábado, 18 de maio de 2013

Manifesto (III)

A melhor definição de estria que já ouvi é de minha amiga Pimentinha, que afirma em tom acadêmico que “estria é deliciosidade em braile. É uma composição anatômica que permite ao homem mais prazer, na medida em que a área de contato para as mãos aumenta e há filigranas carnais para apreciação e pesquisa”. Mas nada de exageros: elas são ornamentos, não a peça principal. Desse modo, se começarem uma invasão, declare guerra abertamente e invada o Afeganistão com cremes, loções e todo aparato bélico disponível. Pois, afinal de conta, amigas, guerra é guerra. O Afeganistão é nosso!

Sobre a celulite, minha amiga Edite diz que se trata de um problema de “ite”: celulite, tendinite, sinusite, rinite, palpite, beiçite, otite, tudo que termina em “ite” é um problema. Não discordo e vindo dela, com certeza, é um problema. É preciso ser dito que a celulite é um problema do corpo humano e não das mulheres, porque se trata de uma inflamação do tecido conjuntivo subcutâneo frouxo. Tá vendo? Se o tecido não fosse frouxo, não haveria celulite. É por essas e outras que eu detesto coisas desse tipo: homem frouxo, calça frouxa e trouxa frouxa. Então, amigas, é calma e autocontrole, e, em casos de emergência, vamos à guerra novamente. Enrijecer siempre, perder la ternura jamás. Jamais!

Pois bem, agora que eu já falei o que eu não aceito, vou dizer o que proponho, para vocês não acharem que sou uma ReBelDe de saias colegiais e cabelos pintados. Mais que dizer, vou mostrar.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Manifesto (II)

Bunda não é uma coisa que nasce no quintal ou em qualquer canto não, bunda mesmo, de verdade, é padrão brasileiro, tipicamente brasileiro, sem nada de “tipo exportação”. Eu, amigas, me desculpem a falta de modéstia, sou bem dotada e não tenho o que reclamar dos meus atributos. Nada de popozuda ou de termos afins, essa bobagem de diminutivos ou apelidos. Mulher mesmo tem é bunda; esse negócio de “bundinha” é coisa de homem, assim como a classificação frutífera dos tipos de bunda (pêra, maçã, uva, jaca,etc.), que alguns idiotas gostam de inventar na tentativa de entenderem nosso comportamento, esquecendo-se de que quem pensa com a parte inferior do corpo são eles. Não aos idiotas!

Apenas para fechar o assunto bunda, você conhece alguma modelo que tenha bunda? Há alguns dias ouvi o cúmulo da contradição: “Para encarar um biquíni como aquele, só com tudo em cima mesmo. Nenhuma celulite ou estria”. Dessa eu ri. Não sou médica, mas nunca ouvir falar que alguém tivesse celulite ou estria na orelha; vocês já, amigas? De que forma alguém que não tem bunda e nem coxas pode ter celulite ou estria? É como propaganda de produtos anti-(antiqualquer coisa): a indústria se utiliza de modelos que não têm “qualquer coisa” para dizer que o tal “anti” funciona. Só anti-inteligência se deixa levar por isso. Inteligência já!

Falando em celulites e estrias, as inimigas número 1 das mulheres são as primeiras a aparecer quando se quer diminuir alguma mulher (nós bem sabemos disso, não é?). Se possuir uma é delas é ruim, se possuir as duas é péssimo e se as duas forem em quantidade, está morta, condenada ao limbo. Assim, nada de ficar dando moral para celulites e estrias. Combatê-las sim, entregar-se a elas jamais. Morte às inimigas!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Manifesto

Estou cansada desta regra vigente em nossa sociedade que afirma a beleza como sinônimo de magreza, ou o contrário, não sei bem. Eu afirmo que é uma grande bobagem a gente querer seguir exemplos de Giseles e Von Espetos, deixando de lado que, em grande parte do tempo, essas modelos são vistas mudas, em silêncio. Limitam-se a caras e bocas e, quando muito, um “Oi”. Talvez elas não precisem dizer nada ou mesmo não tenham nada a dizer, mas eu tenho e cumpro meu dever de levantar uma voz contra essa tirania. Houve a revolução das Olívias e agora é chegada a hora da contrarrevolução das Olivas. Eu sou uma delas: meu nome é Bonifeta Divina da Anunciação, mas podem me chamar de Boni Gostosona.

Este manifesto é em prol dos milhares de mulheres brasileiras curvilíneas, daquelas que representam as mulheres de verdade, que pensam, que falam, que trabalham, que enfrentam cremes e depilações, que desejam perder alguns quilos, mas não se omitem diante de uma bela trufa ou musse, que não aceitam fantoches de laboratório como representantes de nossa beleza tropical. Não aos fantoches!

Afirmo que nosso padrão de beleza não é único, assim como não é única ou pura nossa carga genética. Em nossa árvore genealógica, encontraremos nossas mães da terra: tupis, guaranis, tamoios e caetés, além de nossas irmãs africanas e europeias, de corpos esculpidos e perfeitos apenas na arte romântica. Temos seios, temos cintura, temos bunda. Sim, bunda! Nós brasileiras temos bunda e podemos dizer isso com orgulho, porque a bunda redunda, abunda, inunda. Salve a bunda!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

FLP

Não, FLP! A Seleção Brasileira convocada na terça não é a seleção do Brasil, é a sua seleção. Ela não representa um clube, um estado ou a voz das ruas, ela é o produto de seu gosto pessoal, de suas convicções e de sua maneira de ver e pensar o futebol. Sempre foi assim, você dirá, e eu responderei que sim, que sempre foi e que, de igual forma, é direito dos torcedores apoiarem ou não esse “escrete”. Acredito que, ao ver a lista, o Nélson não tenha se contido: “É mais um idiota da objetividade”.
Não, FLP, não há critérios nessa lista, pois, se houvesse, nela estaria o Bernard e não estaria o Júlio César, ou vice-versa, pois o primeiro representa a aposta, o futuro, a Rússia de 2018, enquanto o segundo representa a tradição, o histórico. Aquele vive um grande momento, e este? E o volante improvisado na lateral direita? O que trouxe o Dante à seleção? O bom futebol, sim, mas ele é um estrangeiro em nossas arquibancadas. Luiz Gustavo? O futebol, sim, e o fato de assistir aos jogos do Bayer do banco não conta?
Não, FLP, nem sempre um coletivo é formado por “pessoas de bem”, de atletas “de grupo”, é necessária uma pitada de Macunaíma em cada equipe, em cada time, em cada seleção. A pimenta que não arde é considerada legume. Santos são fabricados pelas igrejas, o futebol produz heróis e vilões.
Não, FLP, não vou secar a Seleção na Copa das Confederações, pois acredito que há muitos ingredientes internos autossecantes. Meu amigo Dólar Furado, que não é filósofo nem moeda, afirma que a incompetência é uma mulher vaidosa, não serve para amante: ela precisa se mostrar, e quem a possui não tardará a ser visto com ela. Não tenho dúvida de que essa doce senhora já está com as entradas compradas para os jogos da Seleção.
Não, FLP, não quero a Minha seleção com a amarelinha. O treinador profissional é você, eu sou apenas mais um corneteiro entre os milhares de cornetas espalhados pelo país. Contudo não aceito que falem “nossa seleção” comigo, e nem que peçam para que todos deem as mãos e torçam pelo Brasil.
Não, FLP, você não deve ouvir a opinião de um e de outro para convocar o elenco, pois, afinal de contas, o futebol não é um espaço para democracia (e os utópicos mastigarão os próprios dentes ao lerem isso!). É preciso de “O príncipe” na cabeceira da cama, todas as noites, para domar onze leões em campo e mais sete no banco querendo o campo e mais seis ou sete no elenco querendo o banco (só para chegarem ao campo). Sem contar a fauna de jornalistas e torcedores que se excitam ao ouvir o suave cântico da guilhotina.
FLP, se você terá dor de barriga ou não, não importa a mim nem a milhares de torcedores, desde que o odor nauseabundo não chegue a nossas narinas. O que espero é que, se vier o título da Copa das Confederações, ele não seja o arauto de uma tragédia, assim como foi o título da Copa do Brasil de 2012 para o Palmeiras naquele ano. Lembra-se de quem era o treinador do Palestra?
O Almocreve Carapetão

segunda-feira, 13 de maio de 2013

terça-feira, 7 de maio de 2013

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Para o sol

foram-se meses desde o último bucaneiro. ainda que a vida não esteja menos marvada, é hora de encontrar o sol.

Mar de vento

"Os livros não são feitos para acreditarmos neles, mas para serem submetidos a investigações. Diante de um livro não devemos nos pergun...