quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Réveillon
domingo, 27 de dezembro de 2009
Matriz de Itapecerica - Ao Publico
sábado, 26 de dezembro de 2009
Obras da Matriz
Entendemos que todos nós temos obrigação de contribuir por todos os meios a nosso alcance para a conclusão de uma obra que é nossa, que será de nossos filhos, e tudo que se fizer em contrario, digamos com franqueza, será para nós muitissimo vergonhoso.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
No Natal
A criançada se anima.
A boa vontade contamina.
É nós compramos (quebrando a rima).
domingo, 20 de dezembro de 2009
Esterco
Esse monte, de origem desconhecida e de qualidade duvidosa, ceifa uma vida.
Esse esterco, humanizado, grita: "Merda é ouro. Merda é ouro".
sábado, 12 de dezembro de 2009
G
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Caim
domingo, 29 de novembro de 2009
Por que odeio Paulo Coelho
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Fantasmas
O que me amedronta é pensar por que alguns se mostram e outros não.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
São Humberto
Alguns veem um cachorro.
Outros veem um santo.
Alguns enxergam a cruz da cristandade.
Outros enxergam o sinal de adição.
Muitos olhos, poucos vêm.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Finados
A saudade demonstra o que é amado, nosso.
Neste silogismo gauche, o tempo unirá as premissas.
domingo, 1 de novembro de 2009
Santos
sábado, 31 de outubro de 2009
Bruxas
As que voam não passam de grandes mariposas.
Perigosas são aquelas que rastejam.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Coveiro
Quando levar teu nome, teu trabalho estará terminado.
domingo, 25 de outubro de 2009
Bucaneiros
sábado, 24 de outubro de 2009
Sentido
- Talvez a sua vida não tenha sentido.
- Pra mim, não faz diferença.
- Lembre-se de que não ter sentido já é um sentido.
- Essa é uma construção retórica vazia.
- Isso é sua vida: uma construção retórica vazia.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Professor
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Fato
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Silêncio e esperança
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Em glória
sábado, 3 de outubro de 2009
País do futuro
As Olimpíadas virão.
Enfim, a profecia se concretizou: somos o país do futuro, de 2014 e 2016.
O que virá depois não será profecia...
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Secretariar
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Do Ipiranga
terça-feira, 15 de setembro de 2009
O homem sem idade
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
These
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Paradoxo salino
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
A Lucta
domingo, 6 de setembro de 2009
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Filhos
domingo, 30 de agosto de 2009
A banda
– Eu já disse que não quero a Banda. – retrucou o Sapateiro.
– Cesarinho, ouça seu pai e deixe a Banda tocar. – disse o Padre Dulinho.
– Eu também acho, Cesarinho. Durante tantos anos você participou da Banda, ajudou a construir a identidade que ela possui, é devoto de Nossa Senhora das Dores e pessoa tão amada na cidade. Nada mais justo do que a Banda tocar. – ponderou o Ninico, limpando as narinas em seguida.
– Deixem o menino fazer o que ele quiser – interpelou Tio Lulu. – Vocês se intrometem de mais nos assuntos dos outros. Não amolem!
– Calma, Lulu, nós só estamos conversando. Não precisa estourar e aqui nem é o lugar para isso – apaziguou o Dinho Totonho.
– Qual é sua opinião, Padrinho Aluísio? – indagou Dr. Levi.
– É... – respondeu ele.
– Eu já entendi, gente. Mas não me acho merecedor da Banda, não quero dar trabalho para ninguém, quero apenas aquilo que escrevi. Só isso.
– Mas, Cesarinho, a Banda é a nossa alma. É alma de nosso povo. A música é o que corre em nossas veias, fantasiada de sangue, a mesma que adorna o altar da Matriz em tantos pontos diferentes. Nós passamos, mas nossa música fica. Permanece nas ladeiras que tantas vezes percorremos, em Fé, nas Semanas Santas, nas tristes tardes fúnebres, nos calorosos dias de festa. – refletiu o Cônego Belchior.
– Cesarinho, aquelas pessoas não estão lá para ouvir a Banda, mas todas elas gostariam e, não tenho medo de dizer, que todas, sem exceção, acham que ela deveria tocar. É uma homenagem para você e para todos nós que aqui nos reunimos. – disse o Maestro.
– Eu agradeço a atenção e o carinho de todos, mas não posso voltar atrás. Vejo e sinto o amor de todos que lá estão, uns que vieram de longe, outros daqui mesmo, tanta gente boa, tanta amizade... A Aurélia, a Rita, o Marco, o Pedro, o Zicó, a Zoca, o Zezé, a Santinha, a Mariazinha, o Lauro, o Belchior, os meus sobrinhos (os cabrinhas), as minhas sobrinhas, o pessoal da Banda, tantos amigos e amigas... Fico feliz por este momento ser assim...
– Então tá decidido: bota a Banda para tocar. Faça contato com o Marquinho e fale que ficou tudo certo, tudo acertado, sem restrições, sem mágoas. A Banda vai tocar.
O Maestro abraçou o filho e sorriu. Outros chegaram e se confraternizaram, naquele momento único, para, juntos, ouvirem o primeiro acorde.
– Saudades do Dinho Totonho...
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
sábado, 22 de agosto de 2009
Fonte
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Bússola
domingo, 9 de agosto de 2009
sexta-feira, 31 de julho de 2009
As palavras invisíveis
– Seja bem-vindo, Veneziano! Encontraste a mulher de meu sonho?
Marco Polo, depois de centenas de dias viajando pelo império do Grande Kublai, retornava da missão de encontrar uma mulher sonhada e descrita pelo imperador. O veneziano, ao entrar na sala imperial, fez a saudação ao soberano e caminhou em direção a ele. Sua face não demonstrava sucesso ou fracasso, o que fez Kublai Khan interromper os passos de Marco apontando-lhe o dedo indicador.
– O que é um sonho?
Alguns instantes para pensar e a resposta:
– É uma realidade etérea.
O Khan o olhou fixamente:
– Na última noite, uma mulher visitou meus sonhos. Ela chegava caminhando, trazendo às mãos as rédeas de um cavalo branco. Suas feições eram limpas, sua pele clara como as mulheres do poente, os cabelos louros como o sol e seu andar felino. Aproximava-se de mim, dançava seus lábios em palavras inaudíveis e oferecia-me o cavalo.
Marco ouvia o relato atentamente.
– Ao fim de um galope, surgia uma árvore frondosa, de pequenas folhas, mas de grande altura e sombra. Descendo do cavalo, que arfava de cansaço, aproximei-me do tronco e encontrei uma outra mulher, mas que era a mesma. Sua pele estava como a das mulheres do levante, com cabelos pretos à altura dos ombros, um nariz delicado e orelhas e colo adornados com belas pedras verdes.
Nunca havia visto uma mulher com cabelos curtos e devo admitir que isso me causou grande estranheza. Ela se aproximou de mim e me presenteou com um espelho pequeno, como esses que minhas esposas seguram enquanto as amas penteiam seus longos cabelos. Novamente, uma sensação de estranheza tomou conta de mim, não por ver minha face refletida, mas por segurar o espelho. Não me lembro de ter segurado outro antes.
A mulher contornou a árvore com seu passo felino, ocultando-se pelo tronco. Seguindo seus passos, encontrei apenas um corcel, negro como a noite. O cavalo não parecia o mesmo, era maior e mais forte, com grandes narinas e parecia impaciente. Montando, parti em direção incerta.
Sentia o nascer do sol e observava o pôr, ritmados pelo trote do cavalo, que não corria, mas imprimia incrível velocidade. Aos poucos percebi que o sol estava parado, era eu que trilhava caminhos circulares, voltando sempre ao início, ao fim. Em um desses momentos, quando o fim toca o começo, uma mulher linda apareceu e sorriu. Meus olhos brincaram comigo, fazendo com que eu visse ora a mulher do levante, ora a mulher do poente, não raras vezes avistasse as duas juntas, com cabelos negros e louros, longos e curtos, na constituição de uma só mulher. Seus lábios bailavam, mas meus ouvidos estavam cegos àquela dança. Esticou os braços e desenrolou um pergaminho, que rapidamente tentei ler. Estava em branco.
Kublai se calou. Caminhou pela sala e sentou em seu trono.
– Tenho milhares de cavalos e poderia ter todos do império se quisesse. Tenho centenas de espelhos, de todos os tamanhos, de todos os formatos, e poderia mesmo controlar toda a produção deles. Tenho uma vasta biblioteca, com pergaminhos de todas as línguas conhecidas, e grande quantidade deles em branco, a serem preenchidos.
Fechando os olhos, colocou os lábios no tubo de âmbar do cachimbo e aspirou calmamente. Na seqüência:
– Mas não tenho essa mulher, não sei quem ela é nem onde mora. Ela está nos meus olhos e não posso pegá-la, está em minha mente e nem mesmo sei o seu nome. Invadiu minha fortaleza, interrompeu meu sono, trouxe-me a dúvida... Que exército vencerá um inimigo invisível?
Após nova aspiração, disse:
– Ponha-te em viagem, explora todas as costas e procura essa mulher.
– Veneziano, trazes novidades?
– Sim, meu senhor.
– Encontraste a árvore frondosa?
– Sim, meu senhor.
– Viste belas mulheres?
– Sim, meu senhor. Teu reino é pródigo em beleza.
– Então, encontraste a mulher de meu sonho?
– Grande Khan, a mulher não foi encontrada, mas teu sonho sim. Aqui está ele.
Marco Polo retirou da roupa um pergaminho e o entregou ao Khan. Segurando-o, hesitou em abri-lo por alguns instantes. Desenrolando-o, descobriu-o em branco.
– Agora podes guerrear. Teu inimigo é visível.
Kublai Khan sorriu, descobrindo a mulher pelas linhas em branco do pergaminho.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
À sombra das peladas imortais
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, de cada vez que me quebraram,
Foram levando qualquer coisa minha…
E hoje, dos meus ossos calcificados, eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada…
Arde um toco de vela, velha, amarelada…
Como o único bem que me ficou!
Vinde, corvos, chacais, ladrões da pelada!
Ah! Deste pé, avaramente sestro,
Ninguém há de arrancar-me a bola amada!
Aves da noite! Asas do Horror! Voejai!
Que a luz, trêmula e triste como um ai,
Não calará o canhoto, torto, que já foi destro!
quinta-feira, 23 de julho de 2009
Alma de um povo
terça-feira, 21 de julho de 2009
O bode da boda
basta-lhe fidelidade e algum estilo.
Dias atrás pisei esse campo de batalha, querendo, como Riobaldo, que o branco fosse branco e que o preto fosse preto. Possível não foi, mas a desandança seguiu, rumo a quem sabe onde não fala o que é. Atrás eu fui.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Amigos
Durante a escrita do Caneteiro, as amizades foram as certezas dos momentos incertos. Renata Velasco e Sônia Queiroz, primeiras sementeiras daquele projeto "Maluco", bussolavam a embarcação durante o son(h)o do timoneiro.
Os textos foram surgindo e novos amigos foram agregados. É bem certo, porém, que nem só de amizades vivia o Caneteiro, principalmente pela tinta acre que escorria do papel. Essa seiva espantou os "maus espíritos" e trouxe "familiares" distantes, perdidos, inéditos. A eles: Letícia Rodrigues, Lauro Mendes, Vera Casa Nova, Neide Freitas, os sempre votos de estima.
Em 2005, a hospitalidade do amigo André Penna permitiu que o Caneteiro ganhasse uma casa: http://www.caneteiro.com.br/, encerrada, em 2007, com a bênção de Medeiro Vaz. Era o momento de "queimar" o arquivo e buscar o-que-não-via, o-que-não sabe, o-que-não-digo.
A história está simplificada, mas os vértices estão citados.
O ademais é outra hestória.
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sábado, 18 de julho de 2009
Decreto
quinta-feira, 16 de julho de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
Dos vivos - parte 4
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Dos vivos - parte 3
domingo, 12 de julho de 2009
Dos vivos - parte 2
sábado, 11 de julho de 2009
Dos vivos - parte 1
O alto da colina era seu endereço, justificando-se assim a posição privilegiada para a observação dos cortejos. Havia se mudado para lá há pouco tempo, pouco mais de alguns meses, mas já se sentia em casa. “O que não tem remédio, remediado está”, pensava ele.
Porém, nas últimas semanas, conversas começavam a incomodá-lo bastante. Não gostava do que ouvia e esperava que algum vizinho tomasse a iniciativa de se manifestar. Silêncio. Aliás, silencioso era um bom adjetivo para aquele local e para aqueles vizinhos. Ele não sabia o nome do vizinho ao lado e o vizinho também não o conhecia; não sabia se o condomínio estava pago em dia ou atrasado, se eram famílias ou solitários, se havia crianças ou cães, se eram dali ou de outras cidades, se eram antigos moradores ou recém-chegados. Muitos, até, se orgulhavam dessa condição insular em que viviam, não pensando na perda de seu valioso tempo com vizinhos (e tempo era algo que não faltava naquele conjunto habitacional).
Pensava no que ouvia e no silêncio dos vizinhos. Não fariam nada? Não, isso não poderia ficar do jeito que estava. Levantou-se, subiu os sete andares e começou a bater de porta em porta, convocando os vizinhos para uma reunião.
– Saiam, vamos! Saiam todos! Precisamos conversar!
Um ou outro morador apareceu à porta.
– Vamos, ajudem a chamar os outros! Precisamos tomar uma atitude sobre o que têm dito de nós!
– Dito o quê? Eles quem? – indagou um senhor de idade avançada.
– O senhor não tem ouvido os comentários? Em que mundo está vivendo?
O velho ficou mudo. Outros ajudaram na convocação dos demais. Aos poucos, surgiam e se aglomeravam próximo à casa do convocador; estavam em número aproximado de cinqüenta.
11 de julho
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Em casa
Foi-se o pai.
Foi-se a mãe.
Foice a família.
Voa, absoluta, a fada madrasta.
domingo, 5 de julho de 2009
A casa
quinta-feira, 2 de julho de 2009
Comutabilidade
Escravidão é liberdade.
Força é ignorância.
Não importa o ano, o produto sempre é o mesmo.
domingo, 28 de junho de 2009
Lambança
Há muito tempo não assistia a uma lambança tão grande, não desconsiderando a partida sem brilho do Galo. A matemática do jogo de que gosto é que a traduz os três pontos, sem me atentar muito a quantos escanteios, quantos amarelos, posse de bola e outras estatísticas mais, mas não posso deixar de notar quando meu time finaliza, com perigo, uma vez ao gol adversário. É muito pouco.
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sexta-feira, 26 de junho de 2009
domingo, 21 de junho de 2009
sábado, 20 de junho de 2009
A borboleta preta
O imortal escaravelho rutila os olhos de fogo.
A libido poliniza sonhos almiscarados.
Por que diabo não era ela azul?
sábado, 13 de junho de 2009
sexta-feira, 12 de junho de 2009
A morte e a morte de Quincas Boca-de-Urso
Anda sumido, correndo de boca em boca que morreu...
Tolice. Sempre o vejo pela rua, sorriso largo, braços abertos:
"Cada qual cuide de seu enterro, impossível não há."
Filho de um palhaço e de uma bailarina
batizado em homenagem ao Amado Berro D'Água
alcunhado pela gula e pelo sono
sandália, boina, colete e cachecol
Cada qual cuide do nunca, impossível é que o há.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Açucena no jardim
Na bigorna dos tempos,
o coração quente
malha
a palavra fria.
Fole, fogo, fala, fé.
No tique-taque desse martelo,
forja-se um casal,
cose-se uma pergunta,
cozinha-se uma resposta.
Fole, fogo, fala, fé.
E as cebolas?
sábado, 30 de maio de 2009
Festa de Pentecostes
A ele, Cônego Belchior, meu tio-avô, a quem eu chamo carinhosamente de "O descobridor", minha pequena homenagem.
Sed, quae stulta sunt mundi, elegit Deus, ut confundat sapientes, et infirma mundi elegit Deus, ut confundat fortia. (1 Cor 1:27)
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Resta 1
No deserto de cada um, miragens e pegadas andam aos pares.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Artesão
De uma pedra, Drummond retirou poesia, Michelangelo colheu Davi.
Com uma palavra, o Nazareno inutilizou inúmeras pedras.
Com uma palavra, os tolos fazem calos, os miseráveis quebram os dentes.
As palavras não são pedras. São de pedra.
quinta-feira, 7 de maio de 2009
domingo, 3 de maio de 2009
Ausência de palavras
[...]
Descansai, palavras, da árdua construção.
Não há pujança, somente a ausência a ruflar asas pelo teto.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
A dor da Informação
- Por que não o faria, Anjo da Morte?
- As palavras que te ferem são as mesmas que te dão vida.
- Tu conheces a Morte, não a Sabedoria. Faze teu trabalho: recolhe as palavras sem futuro.
domingo, 19 de abril de 2009
Etiqueta
O preço é medido em moeda; o valor, em horas.
Mais vale a mais-valia ou a dúvida é uma questão de etiqueta?
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Gato-guará
"Outrora havia o ‘juiz ladrão’. E hoje?”
Essa dúvida atroz percorria a crônica de Nelson Rodrigues em 1955, quando apenas sonhávamos com o primeiro título mundial e tínhamos pesadelos terríveis com a prata do Prata. De lá para cá e por todas as bocas se ouve que o futebol mudou, o que é um fato, assim como os jogadores mudaram, a torcida mudou, até a bola mudou. E os juízes? Metamorfosearam-se em árbitros, carregando consigo os bandeirinhas, agora sobreditos assistentes.
Além disso, inserimos o politicamente correto. Adeus, ladrões! Vigaristas, patifes, canalhas, nunca mais! Qualquer desvio linguístico se cifra em perdas e danos morais. Pobre do alface! Além de mudar de gênero, que é a único desvio de conduta que o mundo do futebol aceita, perdeu o QI.
Se ainda houvesse um patife, um mísero canalha no apito, o jogo do Galo com o Guaratinguetá seria resenhado em poucas linhas. Como não há, serão necessárias mais do que quatro linhas para narrar aquele fraco jogo de bola. Melhor que uma crônica seria um B.O.
Não fosse o gato-guará, felino bufão que resolveu dar a graça pelo gramado e entreter o público, seria difícil dizer que o jogo foi uma barafunda circense. O gatuno valente roubou a cena com seus malabarismos e pirilampos, não devolvendo a cena roubada nem após o apito final do árbitro. A unanimidade entre público e crítica traria o burro, mas como a respeitável senhora não apareceu, confirmou-se a felinidade do guará.
Quanto ao jogo, foi uma partida de uma nota só: dó. O sol brilhou rapidamente no segundo gol do Galo, com Tardelli mostrando o que faz um centroavante: técnica, posicionamento e muita sorte. O restante foi um grande balaio de gato-guará.
Apesar do modesto desempenho, logo o felino será visto em novos picadeiros, porque, no futebol, gatuno que não mia mama.
sábado, 11 de abril de 2009
Rutaceae
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Entrelinhas
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Corolário
domingo, 29 de março de 2009
101 anos
quinta-feira, 26 de março de 2009
Eufemismo
sábado, 21 de março de 2009
Assassinaram o camarão
domingo, 15 de março de 2009
Clementina
Pois quando tu me deste a daga pequenina
Vi que és um nome lindo e que se acaso a sina
Do gume infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima florestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A clementina cristalina em terra Mina
sexta-feira, 13 de março de 2009
Panela de pressão
Mexe lenha.
Sopra brasa.
Ferve caldo.
Sobe chama sua bolha.
Bate-estaca, quebra-coco, cospe-fogo.
Eta dor de cabeça agnóstica, meu Deus!
domingo, 8 de março de 2009
A rosa e o cravo
É a eterna peleja das rosas para mostrarem que, mesmo despedaçadas, não perdem sua essência de flor: beleza, vontade e amor. Só o cravo mais obtuso crê que as rosas não falam.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Autorretrato
Incompletas são minhas histórias.
Meu caminho não contempla ponto final
Não sou do contra, apenas não estou contido nesta comum unidade.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Aforismo
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009
Calva
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
Bicentenário
domingo, 8 de fevereiro de 2009
Pertinência
Conjunto unitário, solidão.
Conjunto universo, utopia.
A biunivocidade desconsidera que todo conjunto está contido em si mesmo.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Geometria
domingo, 25 de janeiro de 2009
Senhora da Noite
Antes que as sombras se mostrem, há tempo para um jogo de cartas.
[...]
Entre tantas cartas, somente uma figura real: Capitu.
Ademais, dúvidas. Muitas e solitárias dúvidas.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Sentenário
Além dessa história, tivemos os velhos cruzamentos que não chegam à área, da defesa que bate cabeça e de volantes que conversam bem e têm jogado pouco (para não dizer nada). Em contrapartida, boas apresentações de Tardelli, de Éder Luiz, de Tchô, pintando a equipe do segundo tempo com ares de mais titular ao longo da temporada.
Apesar da derrota, não há motivo para desespero. O ano está apenas começando e o trabalho do Leão deve render uma equipe competitiva para a temporada, principalmente se chegarem mais alguns reforços para o Clube.
Nesse torneio de verão, com dois clubes brasileiros e dois uruguaios, o Peñarol jogará mais vezes, porque ontem ele esteve em campo duas vezes e na quarta-feira próxima enfrentará a si mesmo. Não entendo de marketing, mas o Galo deveria atuar com o uniforme que lhe confere identidade, ótima chance de mostrar em terras estrangeiras a paixão em preto e branco. Atrair a simpatia de uma torcida estrangeira, pela semelhança do uniforme, não passa de um sonho de uma noite de verão, rivais históricos que são brasileiros e uruguaios dentro de campo. Quem acreditou nessa fábula, dirá, certamente, na quarta-feira, ao fim da peça: “Senhoras e cavalheiros, não vos mostreis zombeteiros; se me quiserdes perdoar, melhor coisa hei de vos dar.”
Jogar no exterior com um uniforme que não é o próprio, que não possui a magia e a paixão alvinegras, foi um erro, o mesmo que pautou a política do centenário, o mesmo que vicia o título deste texto.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Paranoia
Neste início de 2009, a Língua Portuguesa sofreu mais uma reforma ortográfica, tornando-se mais próxima da língua utilizada nos países de colonização portuguesa. Algumas pessoas pensam que as ideias ficaram menos agudas, assim como as tramoias, as jiboias, as Coreias; outras pensam mesmo que a infraestrutura mudou, que a autoajuda está mais próxima e que a mão de obra será menor. Nunca na história desse país se pensou tanto...
A proposta ortográfica partiu de terras lusas ou lusitadas em 1990-91, demorando dezessete, dezoito, dezenove anos para neste pindorama se estabelecer. Chega com ar de estrangeiro, porque alguns de nós a olhamos com nossa típica cordialidade, enquanto outros vociferam, urram, latem e rosnam, não necessariamente nessa ordem, e tantos outros têm mais o que fazer. Nós, que aqui estamos, bem a recebemos, mas não deixamos de mostrar nossos dentes caninos, bem ao vento de nosso complexo de vira-latas.
Não é a primeira reforma, pouca chance possui de ser a última, outras virão e sempre há, sempre, uma alteração em andamento. As reformas deixam marcas sempre, para o bem ou para o mal, com leais seguidores e com fiéis detratores, desde Lutero tem sido assim. A penúltima reforma ortográfica refinou (quase matando) o aforismo de Stanislaw Ponte Preta: “O que seria do doce de coco se não fosse o circunflexo?”, mas a doçura do manjar foi maior, para nossa sorte.
Todos aqueles que trabalham de maneira mais formal com a língua não raro se deparam com novidades, algumas nem tão novas, mas que trazem consigo o cheiro inconfundível de ineditismo. São os mestres, de repente, aprendendo. Não faltarão dúvidas e pererecaram duplicidades ou triplicidades para todos os lados até que esta onda ortográfica se assente no oceano da língua, respingando até mesmo em compêndios formais (ou não) que se propõem a ensinar e a elucidar as novas regras.
No último domingo, no mesmo jornal lia-se, em páginas distintas, “infraestrutura” e “infra-estrutura”; em um manual de sobrevivência de uma revista semanal, alerta-se que “antiaéreo” deixa de ser “anti-aéreo”, ainda que nos últimos trinta anos não houvesse sido; em um resumo de uma editora, lê-se que “não se emprega o hífen em certos compostos em que se perdeu, em certa medida, a noção de composição.” Quanto ao hífen, não afirmamos a presença ou a ausência, porém a “noção de composição” está claramente perdida. Precisaremos aprender e o melhor será aguardar a publicação do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa – VOLP –, prevista para o fim de janeiro, para que possamos reaprender uma só vez, evitando desencontros ortográficos. Preferimos acreditar que será uma oportunidade ímpar para que a Língua Portuguesa seja revisitada e, enfim, amada como merece.
Mar de vento
"Os livros não são feitos para acreditarmos neles, mas para serem submetidos a investigações. Diante de um livro não devemos nos pergun...
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Para Lúcias a verdadeira aula de arte transcende o compêndio. é uma instalação.
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Uma mulher fantasiada de 'Catrina', uma personagem mexicana conhecida como o esqueleto de uma dama da alta sociedade, é vista no...

