quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Geometria
As mulheres nasceram para as curvas, não por outro motivo foram concebidas a partir de uma costela. De outro modo, se para retas fossem criadas, teriam sua origem no fêmur.
domingo, 25 de janeiro de 2009
Senhora da Noite
Alva noite.
Antes que as sombras se mostrem, há tempo para um jogo de cartas.
[...]
Entre tantas cartas, somente uma figura real: Capitu.
Ademais, dúvidas. Muitas e solitárias dúvidas.
Antes que as sombras se mostrem, há tempo para um jogo de cartas.
[...]
Entre tantas cartas, somente uma figura real: Capitu.
Ademais, dúvidas. Muitas e solitárias dúvidas.
domingo, 18 de janeiro de 2009
Sentenário
Na última semana, um amigo da Netgalo lembrou que o torneio no Uruguai era a última oportunidade de título no Centenário, que se encerra em março. Pois bem, ficará o título para o segundo centenário...
No clássico de ontem, em Montevidéu, um jogo de muitos gols, de muitos passes errados e de velhas histórias que se repetem. Em 2008, perdemos um clássico, no apagar das luzes, com um gol de Ramirez, fruto de um rápido contra-ataque. Ontem, antes do terceiro gol, o lance se repetiu, porém sem o gol. Minutos depois, no terceiro gol, novamente em um rápido contra-ataque, o gol foi inevitável, sem que o Juninho pudesse fazer alguma coisa diante do arremate seco e preciso de Ramirez.
Além dessa história, tivemos os velhos cruzamentos que não chegam à área, da defesa que bate cabeça e de volantes que conversam bem e têm jogado pouco (para não dizer nada). Em contrapartida, boas apresentações de Tardelli, de Éder Luiz, de Tchô, pintando a equipe do segundo tempo com ares de mais titular ao longo da temporada.
Apesar da derrota, não há motivo para desespero. O ano está apenas começando e o trabalho do Leão deve render uma equipe competitiva para a temporada, principalmente se chegarem mais alguns reforços para o Clube.
Nesse torneio de verão, com dois clubes brasileiros e dois uruguaios, o Peñarol jogará mais vezes, porque ontem ele esteve em campo duas vezes e na quarta-feira próxima enfrentará a si mesmo. Não entendo de marketing, mas o Galo deveria atuar com o uniforme que lhe confere identidade, ótima chance de mostrar em terras estrangeiras a paixão em preto e branco. Atrair a simpatia de uma torcida estrangeira, pela semelhança do uniforme, não passa de um sonho de uma noite de verão, rivais históricos que são brasileiros e uruguaios dentro de campo. Quem acreditou nessa fábula, dirá, certamente, na quarta-feira, ao fim da peça: “Senhoras e cavalheiros, não vos mostreis zombeteiros; se me quiserdes perdoar, melhor coisa hei de vos dar.”
Jogar no exterior com um uniforme que não é o próprio, que não possui a magia e a paixão alvinegras, foi um erro, o mesmo que pautou a política do centenário, o mesmo que vicia o título deste texto.
Além dessa história, tivemos os velhos cruzamentos que não chegam à área, da defesa que bate cabeça e de volantes que conversam bem e têm jogado pouco (para não dizer nada). Em contrapartida, boas apresentações de Tardelli, de Éder Luiz, de Tchô, pintando a equipe do segundo tempo com ares de mais titular ao longo da temporada.
Apesar da derrota, não há motivo para desespero. O ano está apenas começando e o trabalho do Leão deve render uma equipe competitiva para a temporada, principalmente se chegarem mais alguns reforços para o Clube.
Nesse torneio de verão, com dois clubes brasileiros e dois uruguaios, o Peñarol jogará mais vezes, porque ontem ele esteve em campo duas vezes e na quarta-feira próxima enfrentará a si mesmo. Não entendo de marketing, mas o Galo deveria atuar com o uniforme que lhe confere identidade, ótima chance de mostrar em terras estrangeiras a paixão em preto e branco. Atrair a simpatia de uma torcida estrangeira, pela semelhança do uniforme, não passa de um sonho de uma noite de verão, rivais históricos que são brasileiros e uruguaios dentro de campo. Quem acreditou nessa fábula, dirá, certamente, na quarta-feira, ao fim da peça: “Senhoras e cavalheiros, não vos mostreis zombeteiros; se me quiserdes perdoar, melhor coisa hei de vos dar.”
Jogar no exterior com um uniforme que não é o próprio, que não possui a magia e a paixão alvinegras, foi um erro, o mesmo que pautou a política do centenário, o mesmo que vicia o título deste texto.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Paranoia
“A língua portuguesa deveria dispensar seus defensores pedantes e defender-se por si mesma.”
Carlos Drummond de Andrade
O ano mudou, a Língua Portuguesa mudou, mas a Faixa de Gaza continua a mesma. Nada de novo sob aquele sol, vermelho sol.
Neste início de 2009, a Língua Portuguesa sofreu mais uma reforma ortográfica, tornando-se mais próxima da língua utilizada nos países de colonização portuguesa. Algumas pessoas pensam que as ideias ficaram menos agudas, assim como as tramoias, as jiboias, as Coreias; outras pensam mesmo que a infraestrutura mudou, que a autoajuda está mais próxima e que a mão de obra será menor. Nunca na história desse país se pensou tanto...
A proposta ortográfica partiu de terras lusas ou lusitadas em 1990-91, demorando dezessete, dezoito, dezenove anos para neste pindorama se estabelecer. Chega com ar de estrangeiro, porque alguns de nós a olhamos com nossa típica cordialidade, enquanto outros vociferam, urram, latem e rosnam, não necessariamente nessa ordem, e tantos outros têm mais o que fazer. Nós, que aqui estamos, bem a recebemos, mas não deixamos de mostrar nossos dentes caninos, bem ao vento de nosso complexo de vira-latas.
Não é a primeira reforma, pouca chance possui de ser a última, outras virão e sempre há, sempre, uma alteração em andamento. As reformas deixam marcas sempre, para o bem ou para o mal, com leais seguidores e com fiéis detratores, desde Lutero tem sido assim. A penúltima reforma ortográfica refinou (quase matando) o aforismo de Stanislaw Ponte Preta: “O que seria do doce de coco se não fosse o circunflexo?”, mas a doçura do manjar foi maior, para nossa sorte.
Todos aqueles que trabalham de maneira mais formal com a língua não raro se deparam com novidades, algumas nem tão novas, mas que trazem consigo o cheiro inconfundível de ineditismo. São os mestres, de repente, aprendendo. Não faltarão dúvidas e pererecaram duplicidades ou triplicidades para todos os lados até que esta onda ortográfica se assente no oceano da língua, respingando até mesmo em compêndios formais (ou não) que se propõem a ensinar e a elucidar as novas regras.
No último domingo, no mesmo jornal lia-se, em páginas distintas, “infraestrutura” e “infra-estrutura”; em um manual de sobrevivência de uma revista semanal, alerta-se que “antiaéreo” deixa de ser “anti-aéreo”, ainda que nos últimos trinta anos não houvesse sido; em um resumo de uma editora, lê-se que “não se emprega o hífen em certos compostos em que se perdeu, em certa medida, a noção de composição.” Quanto ao hífen, não afirmamos a presença ou a ausência, porém a “noção de composição” está claramente perdida. Precisaremos aprender e o melhor será aguardar a publicação do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa – VOLP –, prevista para o fim de janeiro, para que possamos reaprender uma só vez, evitando desencontros ortográficos. Preferimos acreditar que será uma oportunidade ímpar para que a Língua Portuguesa seja revisitada e, enfim, amada como merece.
Neste início de 2009, a Língua Portuguesa sofreu mais uma reforma ortográfica, tornando-se mais próxima da língua utilizada nos países de colonização portuguesa. Algumas pessoas pensam que as ideias ficaram menos agudas, assim como as tramoias, as jiboias, as Coreias; outras pensam mesmo que a infraestrutura mudou, que a autoajuda está mais próxima e que a mão de obra será menor. Nunca na história desse país se pensou tanto...
A proposta ortográfica partiu de terras lusas ou lusitadas em 1990-91, demorando dezessete, dezoito, dezenove anos para neste pindorama se estabelecer. Chega com ar de estrangeiro, porque alguns de nós a olhamos com nossa típica cordialidade, enquanto outros vociferam, urram, latem e rosnam, não necessariamente nessa ordem, e tantos outros têm mais o que fazer. Nós, que aqui estamos, bem a recebemos, mas não deixamos de mostrar nossos dentes caninos, bem ao vento de nosso complexo de vira-latas.
Não é a primeira reforma, pouca chance possui de ser a última, outras virão e sempre há, sempre, uma alteração em andamento. As reformas deixam marcas sempre, para o bem ou para o mal, com leais seguidores e com fiéis detratores, desde Lutero tem sido assim. A penúltima reforma ortográfica refinou (quase matando) o aforismo de Stanislaw Ponte Preta: “O que seria do doce de coco se não fosse o circunflexo?”, mas a doçura do manjar foi maior, para nossa sorte.
Todos aqueles que trabalham de maneira mais formal com a língua não raro se deparam com novidades, algumas nem tão novas, mas que trazem consigo o cheiro inconfundível de ineditismo. São os mestres, de repente, aprendendo. Não faltarão dúvidas e pererecaram duplicidades ou triplicidades para todos os lados até que esta onda ortográfica se assente no oceano da língua, respingando até mesmo em compêndios formais (ou não) que se propõem a ensinar e a elucidar as novas regras.
No último domingo, no mesmo jornal lia-se, em páginas distintas, “infraestrutura” e “infra-estrutura”; em um manual de sobrevivência de uma revista semanal, alerta-se que “antiaéreo” deixa de ser “anti-aéreo”, ainda que nos últimos trinta anos não houvesse sido; em um resumo de uma editora, lê-se que “não se emprega o hífen em certos compostos em que se perdeu, em certa medida, a noção de composição.” Quanto ao hífen, não afirmamos a presença ou a ausência, porém a “noção de composição” está claramente perdida. Precisaremos aprender e o melhor será aguardar a publicação do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa – VOLP –, prevista para o fim de janeiro, para que possamos reaprender uma só vez, evitando desencontros ortográficos. Preferimos acreditar que será uma oportunidade ímpar para que a Língua Portuguesa seja revisitada e, enfim, amada como merece.
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