sábado, 31 de dezembro de 2016

Simbolismo

quando hoje for ontem e amanhã for hoje, estaremos em um ano novo.
separados apenas por uma noite, teremos a certeza de que algo passou e um novo horizonte aguarda um novo sol.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Troca de turno

2016 chegou à taberna, pediu uma bebida e buscou uma cadeira para se assentar.
- O que faz aqui? - disse alguém.
2016 se manteve mudo.
- Você já largou serviço? Seu turno de trabalho ainda não terminou!
2016 virou a bebida de um só gole e, amargo, respondeu:
- Não te preocupes comigo, pois em breve serei uma lembrança. Preocupa-te com o próximo como a ti mesmo.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Carta de demissão

Sr. Redactor do Universal – Rogo-lhe o obsequio de inserir na sua estimavel folha o officio junto, por isso que desejo fique o respeitável publico inteirado da demissão que dou do posto que até hoje occupei; por cuja graça mais e mais obrigado lhe será.
Seu assignante, e assiduo leitor.
Gregorio Luiz de Cerqueira.
Tamanduá 14 de junho de 1840.
  
Illm. e Exm. Sr. – Inteirado das disposições da lei Mineira n. 170 de 19 março do corrente anno, que tornão dependente da vontade do governo a continuação, e demissão dos nomeados, e d’ora em diante da privativa escolha do mesmo a nomeação dos officiaes do estado maior; apresso-me a participar a v. exc. que de hoje avante reassumo a honrosa qualidade de simples guarda nacional, em cuja clace obedecerei as ordens legaes dos meus superiores, e prestarei a minha querida patria todos e quaesquer serviços ao alcance de minhas forças, demitindo-me como de facto me demitto do posto de sargento-mor do 1º batalhão deste municipio, que tenho ocupado desde a sua creação por livres sufragios dos meus honrados concidadãos; para que v. exc. haja de nomear pessoa de sua confiança; e nesta data tenho devolvido o comando ao capitão mais velho. – Deos guarde a v. exc.
Villa de S. Bento do Tamanduá 15 de junho de 1840.
Illmo. E exm. Sr. Bernardo Jacintho da Veiga, presidente desta província de Minas Geraes.
Gregorio Luiz de Cerqueira.

Originalmente publicado em O Universal, 22 de junho de 1840, Ouro Preto, p.4.
Disponível em http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=706930&pagfis=9762&pesq=&url=
http://memoria.bn.br/docreader#. Acesso em: 26 dez. 2016.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

domingo, 25 de dezembro de 2016

Natividade

a estrela que corta o céu hoje,
dia de missa, a do Galo,
dia de festa, a do peru,
dia do velhinho, o bom,
dia do menino, Jesus,
revela um nascimento.

para nós, que nos achamos vivos, é hora de renascer.

sábado, 24 de dezembro de 2016

No Natal

era um Natal sem Papai Noel
pobre de sentido
rico em jabuticabas inexistentes

na árvore,
minha cidadela imaginária,
de galho em galho,
enfeites eram aventuras.
e só.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Revolução de 1842: outra versão

Marcha da coluna de Lavras para a Oliveira, e desta vila sobre a do Tamanduá

O Movimento de 10 de Junho progredia, quase sem oposição, ao sul da Província, tendo-se por ele declarado em menos de 15 dias os Municípios de Queluz, Bonfim, Pomba, Barbacena, São José, São João del-Rei, Lavras, Aiuruoca, Baependi e Oliveira. O Município de Tamanduá era um dos que gemiam debaixo da maior opressão. O juiz de direito, cunhado do desembargador Honório, e o juiz municipal substituto, Francisco Soares, tinham ali desenvolvido a mais terrível perseguição. A cadeia estava atulhada de presos, uns comprometidos em fantásticos processos, outros, em virtude da suspensão de garantias, e muitos outros indivíduos, para escaparem aos horrores da perseguição, se haviam internado pelos sertões e pelas matas. Arrancar aquele importante município a tantos padecimentos era uma ação, além de importante e útil, assaz meritória; e a glória de a empreender coube aos valentes guardas nacionais do Município de Lavras e da Oliveira, especialmente aos dos curatos do Cláudio, Japão, Santo Antônio do Amparo e do curato de São Francisco, do mesmo Município de Tamanduá, e Bom Sucesso, do Município de São José, reunidos todos em uma coluna, que subia em número de praças a cerca de 600 homens, cuja direção foi incumbida ao Dr. José Jorge da Silva, que com tanta eficácia e zelo trabalhara na sustentação do Movimento de 10 de Junho, promovendo-o na Vila de Lavras e marchando, finalmente, à frente desses bravos que tomaram sobre si libertar o Município de Tamanduá do barbarismo que sobre ele pesava.

Nesta, como em outras muitas ocasiões, foi fatal aos insurgentes a falta de oficiais que os dirigissem. Fortes e numerosas colunas se reuniram, possuídas do melhor espírito, não lhes faltava boa vontade e coragem; dissolviam-se, porém, por não haver quem as dirigisse. Os legalistas de Tamanduá, advertidos da marcha da coluna insurgente, se vieram postar de emboscada a três léguas aquém da vila, em um lugar apropriado. Cometeram os oficiais a falta de não esperarem pela força, que marchava do Arraial de São Francisco, ao mando de Manuel Rodrigues de Andrade, homem prático dos lugares, e de se irem internando por uma mata, sem que tivessem tomado qualquer precaução, a fim de evitarem alguma surpresa que muito naturalmente deviam recear. Caíram, pois, na emboscada, e o fogo inesperado, feito sobre a vanguarda da coluna, pô-la imediatamente quase toda em debandada; uma parte dela fez corajosa resistência e conseguiu por fim que se retirassem os legalistas, de sorte que, ambas as partes combatentes debandaram-se depois dum tiroteio.

Se os insurgentes tivessem quem os conduzisse, se não fora a fatal moléstia do Dr. José Jorge, que o obrigara a ficar na Vila da Oliveira, a do Tamanduá houvera sido tomada, pois que, ali, uma grande parte da força, que sustentava a legalidade, aderia aos princípios dos insurgentes, e só esperava por um apoio para se declarar. Na Vila Nova da Formiga, pertencente também à Comarca do Rio Grande, existia, reunida pela legalidade, uma força, que disposta estava a reforçar as fileiras insurgentes desde o momento, em que se estes apresentassem fortificados na do Tamanduá; no Município de Uberaba, não faltava aos insurgentes apoio, e forte.

José Antonio Marinho. História da Revolução Liberal de 1842. 5.ed. Belo Horizonte: Assembleia Legislativa de Minas Gerais, 2015. [Original de 1844]. Disponível em: https://goo.gl/IbOV7j

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Revolução de 1842: um relato


P.S. Depois de feito este officio, (que é fechado no dia 26 às 11 horas da noite) recebi huma carta de pessoa de inteiro credito, escripta de Tamanduá de 18 do corrente, em que se assevera, que marchando sobre aquella Villa huma Força rebelde de 300 a 400 Praças (que já anteriormente constava que era dirigida pelo Bacharel Jose Jorge da Silva) fôra completamente batida por outra Força da Legalidade no lugar denominado Cajú, distante tres leguas e meia da Villa de Tamanduá. Este importante successo, alem de firmar a tranquilidade, e segurança da Villa de Tamanduá, deo tanto enthusiasmo aos Legalistas, que immediatamente partio da mesma Villa huma Força de 150 homens para restaurar a Villa de Oliveira, onde os rebeldes tinhão constrangido a Camara a reconhecer o Governo intruso. Com essa Força marchou também o Juiz de Direito interino da Comarca do Rio das Mortes (Manoel Antonio Fernandes) que se havia reunido aos Legalistas de Tamanduá depois que a Cidade de S. João d'El-Rei, e a Villa da Oliveira forão occupadas pelos rebeldes. Tambem acabo de ter certeza de achar-se occupada a Cidade de Sabará por huma Columna Legalista, comandada pelo Coronel Manoel Antonio Pacheco, que alli entrou entre mil demonstrações de jubilo da população, que por alguns dias estivera opprimida sob o domínio dos rebeldes.

História da Revolução de Minas Gerais em 1842. Rio de Janeiro: Typografia J.J. Barroso, 1843. p.204.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Tamanduá




Fonte: goo.gl/9ZyN0p


Tamanduá, onde cheguei dentro em pouco, deve os seus fundamentos a criminosos que vieram, a uma centena de annos (escripto em 1819), procurar um asylo no seio das florestas de que a região é coberta.  Esses homens, tendo morto um formigueiro no lugar em que se fixaram, deram ao nome do local de Tamanduá, que tanto em portuguez como em guarany, designa o comedor de formigas. Achou-se ouro no lugar; a população de Tamanduá tornou-se considerável e foi erigida em villa, no ano de 1791, sob o governo de Luiz Antonio Furtado de Mendonça, visconde de Barbacena, capitão-general da provincia de Minas.
Vêm-se ainda em volta de Tamanduá lavras consideraveis, que hoje em dia estão completamente abandonadas; ellas forneceram muito ouro, mas foi dissipado pelos que o recolheram, e seus filhos, hoje, pedem esmola: triste exemplo das consequencias da mineração e da imprevidência tão natural dos mineiros.
Os actuaes habitantes de Tamanduá são cultivadores que só lá vão aos domingos e dias de festa, alguns mercadores, artifices, e homens pobres, que, aproveitando-se da abundancia de que se goza na região, vão comer ora na casa de um, ora na casa de outro, e passam a vida na ociosidade.

Auguste de Sain-Hilaire. Viagem às nascentes do Rio São Francisco. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1937. p.140-141. [Original de 1847]

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Requisito para a discussão

Quem não sabe pôr no gelo seus pensamentos não deve se entregar ao calor da discussão.
Friedrich Nietzsche

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

domingo, 18 de dezembro de 2016

Fundos

Para aquela que tem orelhas sem ouvidos

Não havia politicamente correto, logo o "beco" não pesava. Não era igual a casa, prédio, fazenda, mansão, moradia, mas era real. Um microcosmo, pequeno, limitado, grandemente esquecido e, da rua, inexistente.
Não é fácil saber que há décadas mudamos, mas um de nós ainda está lá, preso, obtuso, remoendo um bagaço de ódio e frustração que não tem gosto, nem futuro. Esse grilhão invisível e individual impede o amanhã. 
- Livre-se dele. Se não tem um martelo, use os dentes.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

A técnica do livro

Para Dom Paulo Evaristo Arns


"O escritor sempre mantém dois instrumentos ao alcance da mão:
 o estilete (stilus) e a pena (calamus)."

o estilete brinca com as mãos do autor:
pode ser texto, pode ser acidente.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Extra virgem

a verossimilhança tem baixa acidez
entretanto
congrega
entre tantos temperos
apenas
com a vida real

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Belo Horizonte

Fonte: goo.gl/A4XZrd

ainda que o horizonte esteja no mesmo lugar e não seja mais o mesmo, o belo que nos define, emontanhado, suspira a cada novo vale.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Compreensão

- Morrer é o de menos, o problema é não renascer no dia seguinte.
- Isso é espiritismo?
- Sempre achei que fosse metáfora.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Gioconda

Para Henriqueta, minha bisavó

flor única das Cerqueiras,
mãe de meus irmãos,
fiadeira das palavras brancas,
das noites negras,
a sombra que agora abraça o sol.

não há tempo que apague seu sorriso
discreto
silencioso
vivo.
a certeza da dúvida.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

A calhar

calhestro tem em quantidade
calhau bem utilizado
calhe sempre há
calheiros é
calhordice não conhece

sempre a calhar.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O ano da ampulheta


Fonte: goo.gl/YeezXM


Será possível que o atual treinador do Galo, em catorze dias, conseguiu implantar um mínimo padrão tático e coletivo no time como o treinador anterior, em duzentos e dez dias, não conseguiu?
Será que, em duas semanas, o atual treinador leu, minimamente, um jogo e entendeu um adversário como o antigo treinador, em vinte e oitos semanas, não fez?
Será que, em meio mês, o elenco (re)aprendeu o significado de time? Será que, em sete meses, o "professor" não conseguiu falar a língua dos "alunos": entendê-los, motivá-los e coletivizá-los? Certamente, "mobilizá-los" não.
Nesse passar dos dias, das semanas, dos meses, jogamos fora o ano.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

De um dito Birrinha

Não há cisco no olho
que faça piscar tua alagoa.
Não há limite para dentes.
Só de valores, a dieta boa.

De joelhos, casto, prece posta,
falsa oração para um fauno,
suínas mãos enlameadas
em 50 tons de bosta.

Desce, Birrinha,
desse falso pedestal,
só doma teu fétido recôncavo,

em celebrações espontâneas,
na Convivência dos dementes,
quem macera o lamaçal.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Descrição do que realmente é a Sé

Agradecimento a Gregório de Matos

A cada canto um grande colaborador,
que quer mandar na cabana, e na vinha,
não sabem governar sua cozinha,
e podem governar com leviano louvor.

Em cada porta um frequentado olheiro,
que a vida do vizinho, e da vizinha
pesquisa, escuta, espreita, e esquadrinha,
para a levar à Convivência, e ao braseiro.

Muitos tolos desavergonhados,
trazidos pelas mãos homens embevecidos,
posto nas palmas todo o insano porre.

Estupendas usuras nos mercados, 
todos, os que não se omitem, muito esquecidos.
Eis aqui a visão da Torre.

domingo, 4 de dezembro de 2016

O trem sem destino

Para Ferreira Gullar

"Lá vai o trem com o menino
Lá vai a vida a rodar
Lá vai ciranda e destino
Cidade e noite a girar"


Hoje, o menino que pintou a canção de Villa-Lobos foi chamado.
Agora, pra sempre, corre
"entre as estrelas a voar
no ar, no ar..."

sábado, 3 de dezembro de 2016

No meu tempo

três Marias aguardam o nascimento das irmãs.
precoces
perderão a beleza antes das mais novas
contarão histórias pessoais lindas não vividas por elas
e chamarão essas narrativas de passado.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Erro

Sempre haverá a dúvida se o erro é absoluto ou relativo, se pode ser justificável ou aceitável.
Se é irrelevante, então não deve ser erro. Deve?
Quando o erro é precificado, na casa dos 6,8 bilhões de reais, não é fácil arranjar um adjetivo que o classifique. Agora, talvez tenhamos o "odebrechiano" e um novo modo de pensar o erro.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Chapecoense

tristeza, no futebol, deveria vir apenas de derrotas.
fatalidade deveria ser apenas um gol contra.
luto, protesto pela fase ruim do time.

não deveriam se encontrar
tristeza, fatalidade e luto.

esse trio
invencível
calou o canto da torcida
puxou a prece do mundo



segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Coliseu

alguns querem,
sabem que podem
e quem são,
o que devem e
como farão,
aonde chegarão
e o que trarão.

é alvinegro, contudo, que esses acreditem.
só eles, por eles mesmos,
na trama fria e escura,
calarão esse Coliseu onde estamos.

domingo, 27 de novembro de 2016

Em combate

se meu abacateiro tivesse tombado em combate,
o bom combate,
tal qual esse da foto,
comido pelo tempo e por cupins,
o ódio não teria brotado.

para matar o abacateiro,
uma palavra.
para matar o ódio,
palavras sem fim
e a esperança de uma nova semente.

sábado, 26 de novembro de 2016

Lobos e porcos

a semana começou com Geddel
e terminou com Fidel
o planalto dos lobos
a baía dos porcos

o tempo dirá de quantas patas são feitas essas histórias.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Setena

a sétima nota fechou o sétimo ano
si, si, se...

não haverá mais presentes.
adeus, passado!
o futuro é tão incerto.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Não acredito

Fonte: https://goo.gl/KyqzZM

Não acredito mais no sistema não tático do treinador, que, por sinal, se parece muito com os velhos tempos da Boca do Túnel: a guerra de todos contra todos. Todos correm (errado), todos marcam (errado), todos atacam (errado), e a bola, coitada, sofre na pele o que a torcida sofre nos olhos.
Não acredito mais na fornecedora de material esportivo, não quero saber agora de um estádio próprio, não acredito no programa de sócio-torcedor que privilegia um grupo reduzido e que, quando a situação se complica, conclama os milhares de torcedores a ajudarem o time.
Não acredito mais (também, já estamos no final de novembro) que o time vai melhorar, que ainda não houve tempo para os devidos treinamentos, que o "encaixe" virá, que todos estão motivados e que, no próximo jogo, "o time vai dar a volta por cima". Enfim, não acredito na "mobilização" tão propalada pelo treinador.
A volta em que quero acreditar é na olímpica na Arena do Grêmio, na próxima quarta, fruto de uma reunião entre os jogadores e a definição de que eles assumirão, em campo, o comportamento necessário para a vitória.
Quero acreditar que o departamento médico dará boas notícias e que Luan e Otero estarão em campo. Acredito que é a hora de colocar o Léo Silva no banco e deixar que ele também oriente o time, que ele mantenha a postura de capitão e líder desse time. Não quero que ele entre em campo, pois sei que não tem condições físicas, mas que vista o uniforme e vá para o banco, se precisar tomar o lugar de outro jogador não fará mal algum, pois ter Cadu no banco e nada é redundância.
Acredito que os remanescentes do título da Libertadores - Vítor, Marcos Rocha, Léo Silva, Donizetti e Luan -, juntos às peças mais qualificadas do grupo - Robinho e Pratto, devem se reunir e montar o esquema e um grupo que possa ser chamado de "time". Deixem o M.O. falar o que quiser, mas resolvam entre si o que deverá ser feito. Desses 7 citados, 5 têm condição de jogo, e isso é praticamente a metade do time.  Na complementação, unam-se a Fábio Santos, Carioca e Otero e concluam com o Gabriel e o Erazzo (não há outro).
Acredito no passado recente, que me revela a derrota do Grêmio em casa para o Sport, no incrível e desejável placar de 3x0, assim como na derrota do Grêmio para o Atlético Paranaense, em casa, no jogo de volta desta mesma Copa do Brasil, por placar idêntico à vitória conquistada pelo time gaúcho fora de casa no primeiro jogo, panorama esse que levou a decisão para os pênaltis.
Acredito que precisamos de um treinador para o ano que vem, independentemente da alegria ou da tristeza da próxima quinta-feira, e de igual forma precisamos de uma Black Friday para esvaziar nossos estoques de moedas pequenas. Não adianta ter o bolso cheio de moedas pequenas e se achar rico, pois, quando se precisa delas, o valor é baixo, o peso é grande e o tilintar, enganoso.
Acredito que ainda não acabou e que "mais vale um pingo de sorte do que uma tonelada de sabedoria", como apregoa a filosofia florestina. Acredito que podemos ter uma história épica na quinta-feira, ainda que a semente da tragédia viceje. Nesse momento, a razão não nos explicará, nem nos salvará.

Cabrais

Agradecimento a Jorge Ben Jor

Deu no New York Times
Dizem que Cabral 1 descobriu a filial
Dizem que Cabral 2 tentou e se deu mal

Dizem que Cabral 3 chafurdou no lodaçal
Amor, dor, dor,
Lá da rampa mandaram avisar
Que todo dinheiro será devolvido
Quando setembro chegar
[que setembro?]
Num envelope azul índigo
Num envelope azul índigo
Chama o síndico!
É o Moro! É o Moro! É o Moro!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Pifador


- Alô?!
- ...
- Quem é? Marcelo?
- ...
- Pacoti, é ocê?
- ...
- Ô meu fio, comé que ocê tá? Tá tranquilo pra hoje? Já azeitô o time?
- ...
- Pelo amor de Deus, Pacoti! Bota esses mininu pra frente, sô! Temo que salvá o ano de tanta bestage feita. Crendeuspadre!
- ...
- Pacoti, má eu num quero falá co'cê hoje não. Chama o General pra mim.
Ao ouvir, esse nome, Chicão levantou as orelhas e rosnou. Dona Quiméria se virou para o cão e disse:
- É ele memo, Chicão. Seu afiado.
- ...
- Alô, General?! Sodade d'ocê, minino!
- ...
- Tô ligano purque piciso de ti passá umas instrução antes do jogo de hoje. O Pacoti é um mininu bão, má as minha orientação num faia. Ocê sabe disso, num sabe?
- ...
- General, ocê picisa ficá de oio no Pifador deles, purque todo o jogo passa pelos pé dele. Ocê sabe que ele tem a canhotinha azeitada, mas azeite por azeite, nossa oliveira é maió.
- ...
- Num entra na pia dele não, General. Eu sei que ocês num marra as égua num é de hoje, má é só ocê jogá com sabiduria, quinem na Libertadores. O time do Grêmio é cascudo, como el's gosta de dizê, má nós somo esporudu. Nóis temu que fazê valê o lema do Ronaldinho "quando tá valeno, tá valeno", e fazê esse povo todo sabê que o Galo nunca tá sozinho, purque a torcida é o sol e a sombra do Grorioso.
- ...
- Além disso, General, nóis temu que mostrá pr'l's que aqui pifadô tem outro sentido. Afinal de contas, ocê, General, é o pifadô do nosso time. O gauchês e o mineirês são diferente memo.
- ...
- Ocês dois tão c'as barba branqueada e isso é sinal de experiência. No seu caso, minino, fica ainda mais Galo.
- ...
- Avisa o Urso pra guardá a posição e dá uma dura no Grande Otelu.
-...
- Num é o Oteru não, minino. É o Grande Otelu, que o povo chama de Casari. Fale pr'ele pra num ficá de firula não e pensa no jogo, porque as balada num acaba nunca e se ele fô campeão, vai chuvê muié na horta dele.
-...
- Antis de terminá, meu fio, conversa com essa mininada aí e exprica, pr'aqul's que num entende, o que que é jogá no Galo. O povo atleticano tá todo esperano esse título, purque o ano tá muito sufrido. O Roberto já me ligô e disse que vai tá no campo amanhã, e que o Erico vai com ele, pra apoiá o Galo e isquecê um pouco esse turmento colorado. No domingo, retribuino a visita, o Roberto vai pro Bêra-rio apoiá a sacizada.
-...
- General, vamu jogá com aquela paz, aquele amor ao próximo típico da Libertadores e aí, mininu, nós num vamu perdê. O Chicão tá mandano um abraço pr'ocê.
-...
Dona Quiméria desligou o telefone, ajeitou o cabelo no espelho, vestiu a camisa alvinegra de tantas batalhas, passou batom, encarou Chicão e disse:
- Bora, Chicão. É hora de nóis mostrá o nosso pifadô pr'l's.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Escola de Adestramento da Tia Nelma

Código de postura para um Garotinho birrento (pré-ECA)

não quer ir? vai assim mesmo.
está doente? isso passa.
não gostou? não perguntei sua opinião.

chinelo, tamanco, vassoura,
mangueira de jardim,
cinto, correão e o que estivesse à mão.
lúdicos e pedagógicos.

em caso de dúvida, apanhava-se primeiro
e a dúvida prosseguia

domingo, 20 de novembro de 2016

Miscigenação

pequena,
negra,
de asas frenéticas,
translúcidas.

à branquidão, a leveza da liberdade.

a amarela, operária, não tem tempo para poesia.

sábado, 19 de novembro de 2016

Absurdos

[...] os absurdos são necessários demais na Terra. É sobre os absurdos que se funda o mundo, e neste talvez não acontecesse absolutamente nada sem eles. Nós sabemos o que sabemos!
Fiódor Dostioévski

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Paz na guerra

essa bela flor
abriga
mudo, quieto e rude,
do lado não-esquerdo do peito,
um ser burlesco,
esquisito. muito.


para esse kafkaniano,
essa flor,
paz na guerra,
é refúgio nesse estranho mundo estranho.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Tola inteligência

A tolice é curta e ingênua, já a inteligência tergiversa e se esconde. A inteligência é canalha, mas a tolice é franca e honesta.
Fiódor Dostoiévski

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Tardes de sábado


na Floresta
as tardes de sábado

cinzas
chuvosas
abençoadas
peladas

tiravam,
ou
semeavam
em nós,
o grito (es)feérico da alma.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Fonte da saudade

Agradecimento a Kleiton e Kledir

"fecha a luz,
apaga a porta".

o bruto silêncio da escuridão.

sábado, 12 de novembro de 2016

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Novo verbo

um novo verbo está a caminho
a etimologia é certa
a acepção não
trumpear
trumpiar
trumpar

trumbicar e trupicar,
do Aurélio e da rua, 
estão inquietos.
esperam conjugação completa,
mas o cheiro de defectividade...

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Em canto

o pequeno inseto, invisível em nossa pressa contemporânea,
aprecia
em canto ado
sem canto
esse mundo de cores

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Na testa

O infortúnio do profeta acertou mais uma vez
dos 15 foram-se 3
restam 12
um milagre
a irritação da torcida
e a maldita sutura.

domingo, 6 de novembro de 2016

15 pontos

Nesta reta final, o Galo corre (e precisa correr) para chegar antes do porco. São 15 pontos em cinco rodadas, pensando em si, esquecendo o resto e aguardando o caminho dos adversários. É preciso de muito cuidado, porém, para não transformar esses pontos em sutura.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A cruz e o cervo


Símbolo de São Humberto

"O cervo é um símbolo da busca [caça] pela sabedoria, tendo sido considerado pelos celtas um dos animais mais antigos. Em tempos quando as tribos dependiam da carne e do couro para sobreviver, a dependência da vida das tribos pelo cervo fez com que esse animal se transformasse no símbolo da vida em si mesma. Então caçar o cervo era o símbolo do conhecimento necessário para a vida. Os chifres do cervo são comparados aos ramos das árvores, pois da mesma forma caem e voltam a crescer, ficando simbolicamente ligados ao ciclo da natureza de rejuvenescimento e renascimento."
Fonte: goo.gl/5QMMIm

***
a sabedoria está em cima da razão, no caminho do céu.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Santa

a santa Paciência não tem igreja
nem oração própria
nem imagem
religião muito menos.
não há, porém, mais invocada do que ela em nosso dias.
Amém.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Nós três

Os três músicos, de Pablo Picasso.
Fonte: goo.gl/DpOQKf
***
o rabo debaixo da mesa é o arlequim de nosso trio.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

8 anos

No agora longínquo ano de 2008, comecei aqui "Forte". O antigo site havia sido encerrado no ano anterior, e a mudança para essa nova sertania impossibilitou a vinda de todas as lembranças de lá. Como Quintana, "meu saco de ilusões" se esvaziava e eu ficava feliz.
Nestes 8 anos de Bucaneiros, quero agradecer a todos que visitam e leem minhas postagens, anônimos, com amizade, de boa vontade, que comentam por outros meios e que me dão conteúdo para escrever mais.

Uma das primeiras fabulações. 2008.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Guiné

- Alô!? É o Dulim?
- ...
- Bença, Padre.
- ...
- Amém nós tudo.
- ...
- Onti eu tava conversano com o Roberto e essa porquera de telefone ficô mudo.
- ...
- Dulim, ocê tava no Antônio Carlos onti?
- ...
- Quequi o cê achô?
- ...
- É isso memo, Dulim.
- ...
- Fumo eu e o Chicão, o Luisinho ficô. Num era jogo pr'ele. O pau tava cantano lá onti, e o Luisinho num gosta de violência. Nessas hora, vai o Chicão! Eta minino bão! Num perde uma, Dulim! É dividida, é solada, pé na cara, na medaiinha, no pé da oreia, no gogó da ema, no baxo meretrício, e onde mais pegá esse minino num afina.
-...
- Dulim, dexa um recado pro Roberto pra mim. Fala pr'ele que onti eu saí desembestada pro campo do 7 e mi isqueci de falá que tava na hora de usá as foia de guiné!
- ...
- Calma, seu Padre! Si faiz bem, num faiz mal.
- ...
- Coisinha de nada, seu Padre! Era pra abri os caminhu do Otero. Foiage só, seu Padre! Num faia!
- ...
- Não, seu Padre. Pr'esse é muito difícil.
- ...
- Vamu picisá de umas erva mais forte pro Creiton, eta minino abestaiado aquele. Virge Mãe! Nós sofremu de um lado, e a mãe dele sofre de outro! - e desligou o telefone antes de o padre conseguir responder.
Luisinho rosnou e D. Quiméria completou:
- Caiu, meu fio. Caiu.

domingo, 23 de outubro de 2016

O melhor em campo

- Alô?!
-...
- Alô?! Quem é?...
- ...
- Hein? Roberto? É ocê, minino?
- ...
- Que bão falá co'cê traveiz, sô! Tá sumido dimais!
- ...
- Graças a Deus, meu fio! Essa mininada aqui tá tudo boa. O Chicão tem passado uns perrengue de veiz em quando, mais ele vai levando. Ocê sabe, né?! Ele sempre acredita. - e riu alto Dona Quiméria.
- ...
- Dexa eu falá co'cê uma coisa: hoje é um dia importante pra nóis, pois vai sê a mió partida do Diego Sôza pelo Galo. Pode iscrevê aí na sua coluna.
- ...
- Garanto, meu fio. Eu cunheço ele. A cara dele num nega.
- ...
- Si ele tivé o incentivo certo, é mais trêis ponto pra nóis hoje.
- ...
- Tá anotando? Pruveita e coloca essa aí tamém, igualinho, vai sê a mió partida do Jovane Augusto pelo Galo.
- ...
- Meu fio, todo jogadô tem a hora de retribuí à torcida alguma coisa. É hoje.
- ...
- Já liguei pra Itatiaia e mandei falá co'Emanuel pra separá dois relógio Secus pr'les.
- ...
- Meu fio, o futibol é assim memo. Num tem jeito!
- ...
- Ontem eu liguei pro Marcelo e falei cu'ele pra cumê menos antes do jogo e fica mais ativo na bêra no campo. Parece que ele tá empanturrado todo jogo! O Creiton só fazendo bobage e o Marcelo oiando, oiando, oiando, sem fazê nada.
- ...
- Vamu dirrubá essa figueira hoje, minino, e fungá no cangote do urubu. Mas num vamu fungá dimais, purque a carniça deve sê braba. - e riu novamente.
- ...
- Roberto? Ô Roberto? Cê tá aí ainda?
- ...
- Alô? Eta porquera esse telefone. Sempre caino.
Colocou o fone no gancho, virou-se para o Chicão e disse:
- Mininada, vamu arrumá. O Roberto já foi pro campo e nóis tamém vamu. Chicão, cata umas guiné aí q'eu vô levá pro campo. Simbora!

sábado, 22 de outubro de 2016

A flor encantadora dos Mendes

Agradecimento a João do Rio


Os Mendes amam as flores. Esse sentimento de natureza toda íntima não vos seria revelado por mim se não julgasse, e razões não tivesse para julgar, que este amor assim absoluto e assim exagerado é partilhado por todos vós. Nós somos irmãos, nós nos sentimos parecidos e iguais; nas cidades, nas aldeias, nos povoados, não porque soframos, com a dor e os desprazeres, a desmedida e a culpa, mas porque nos une, nivela e agremia o amor pelas flores. É esse mesmo o sentimento imperturbável e indissolúvel, o único que, como a própria vida, resiste às idades e às épocas. Tudo se transforma, tudo varia — o amor, o ódio, o egoísmo. Hoje é mais amargo o riso, mais dolorosa a ironia. Os séculos passam, deslizam, levando as coisas fúteis e os acontecimentos notáveis. Só persiste e fica, legado das gerações cada vez maior, o amor pelas flores.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Notas e observações de um viajante

Araxá, 18 de janeiro de 1856.
[...]
Existe em Piamhy um vasto cemiterio, cuja construcção foi a pouco promovida pelo zelo religioso de um frade barbadinho que por ahi andou prégando; é construido de altas e solidas muralhas que podião servir de uma prisão forte, rodeiado de grandes cruzeiros de madeira, commemorando as diversas estações da Paixão de Christo; tem na frente um vasto portão tendo no alto uma inscripção tirada das mais lugubres passagens de Job, propria, só para inspirar um terrivel desalento, que não para confortar, como devião, a alma do christão que visita essa funebre morada: o que prova qual é o gosto e discrição desses frades. Fizerão tambem construir cemiterios identicos em tudo em Tamanduá, Formiga, Pimenta, e em todos os lugares onde demorárão.
[...]
A Actualidade. Jornal politico, litterario e noticioso. Anno II. Numero 100. p.2.
Rio de Janeiro, sabbado, 1 de dezembro de 1860.
Redactores – Flavio Farnése, Lafayette Rodrigues Pereira e Bernardo Joaquim da Silva Guimarães
Disponível em http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=235296&pagfis=462&pesq=&url=http://memoria.bn.br/docreader#.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Talos sem milho


Caminhão leva uma carga impressionante de talos de milho saindo de Afgooye em direção a Mogadíscio, na Somália
Mohamed Abdiwahab/AFP
Fonte: goo.gl/nFg3DO
***
Os sonhos que esse Atlas de ferro suporta são enormes,
frágeis e sem o ouro mágico de espigas.
Só talos.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Meu plano

O que busco nas Cerqueiras é o broto não focado
insignificante para muitos
senão para maioria, que só foca o primeiro plano
e se esquece de que uma história possui incontáveis planos
inumeráveis tramas

meu plano
sem número ordinal ou ordinário
é entender o mistério da vida que brota fora do plano

Mar de vento

"Os livros não são feitos para acreditarmos neles, mas para serem submetidos a investigações. Diante de um livro não devemos nos pergun...