segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2012

ano duro, duro ano
ao fim e ao cabo
os risos excederam as lágrimas
seguem as linhas tortas

sábado, 29 de dezembro de 2012

Palavras e cousas

"[...] parece que não vês que as palavras são rótulos que se pegam às cousas, não são as cousas, nunca saberás como são as cousas, nem sequer que nomes são na realidade os seus, porque os nomes que lhes deste não são mais do que isso, os nomes que lhes deste."
José Saramago

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Eminência

a velha eminência parda sofre com a senilidade
com a debilidade não, pois sempre foi débil
sempre parca, sempre obtusa
sempre bem relacionada

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Renascimento

alguns ouvem o galo cantar
outros seguem uma estrela
não-iguais são os que ouvem a estrela cantar

domingo, 23 de dezembro de 2012

Original

"Habitualmente, o que é original é olhado com espanto, às vezes até adorado, mas raramente compreendido; evitar obstinadamente a convenção significa não querer ser compreendido."
Friedrich Nietzsche

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Sobre a beleza

"Ninguém nota a ausência da mulher apenas bonita. A beleza é pouco para a mulher."
Nelson Rodrigues

domingo, 16 de dezembro de 2012

São Jorge

São Jorge, de Rafael Sanzio
 
"Em todos os casos, são Jorge realiza a sua empresa diante de nossos olhos, sempre encerrado em sua couraça, sem nada revelar de si: a psicologia não foi feita para o homem de ação."
Italo Calvino

sábado, 15 de dezembro de 2012

São Jerônimo


 
São Jerônimo, de Caravaggio
 
"Entre os utensílios do eremita há até um crânio: a palavra escrita tem sempre presente a anulação da pessoa que escreveu ou daquela que lerá. A natureza inarticulada engloba em seu discurso todo o discurso humano."
Italo Calvino

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Luzia

a luz de meus olhos, Luzia, brilha por sua graça.
meus olhos, Eustáquio, cintilam por sua bondade.
para quem conheceu as trevas, a luz é renovada esperança.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A pimenta da data

Belo Horizonte completa hoje 115 anos e meu avô, Cesário Mendes Cerqueira, 116 anos. A cidade e música não envelhecem, se reinventam e nos inventam.

sempre 12 de dezembro
não importa o ano
só a história
(muitas vezes hestória)

o ano é a pimenta da data

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O retorno

“Lá fora,
Todos os corações procuram a sua órbita
Novas propostas pro mundo
Novos encaixes pras coisas
Que ainda não estão no lugar
Atento às diversidades
Em busca da chacrete espacial
É preciso provar das loucuras
Ativar novas possibilidades
De volta ao Planeta dos Macacos”.
                        De volta ao planeta dos Macacos, Jota Quest.

Cansei de ser símio, é hora de voltar a ser macaco.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Sentimento atleticano

O texto reproduzido abaixo, tal qual foi redigido, é de 2001, resultado da epopeia diluviana em São Caetano do Sul. Contém problemas de língua portuguesa, mas é relevante para o "Álbum de Família".
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O texto se refere à partida São Caetano x Atlético, realizada em 09 de dezembro de 2001 e válida pela semifinal do Campeonato Brasileiro daquele ano.
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De grandes épicos e dramas é feita a História do Galo. Quantas vitórias inesquecíveis, momentos de glória e, em seguida, tempos de desconsolo e abandono. Falar desta hereditariedade alvinegra é chover no molhado e é, pois, onde quero chegar. Que chuva ontem em São Caetano! As águas rolavam e pareciam não acabar mais e, após o jogo, uniram-se às lágrimas dos abandonados, aumentando ainda mais o frio, o cansaço e a desolação. Ontem, em São Caetano do Sul, senti a falta de Noé. Sim, o da Arca! O homem, que reuniu os animais para salvá-los do grande dilúvio, não apareceu no Anacleto; veio as águas, mas não veio a Arca. Afogamos.
Você não deve saber porque o estádio tem o nome de Anacleto Campanella, assim como eu também não sei: pensei no CAM na panela. Trocadilho estúpido!
Sou torcedor daqueles que vão a campo e vibram, torcem, gritam, xingam, ficam revoltados na derrota e orgulhosos na vitória. Acabou o jogo, acaba a exaltação; comento e discuto, mas pronto. Sem brigas e sem tumultos. Além disso, eu também não tenho mais idade para ficar indo ao campo de Futebol. É, mas ontem eu estava lá!
Eu e mais alguns torcedores, fanáticos, apaixonados e mais outros adjetivos usados para descrever esta peculiar figura de nome torcedor. Peculiar como o clone do Curley (o gordo dos Três Patetas) e sua máxima de vida: “Quem come qualquer coisa está sempre mastigando!”; ou o sósia do Mister M, que não conseguiu fazer a mágica de classificar o Galo.
Antes, tudo é festa; é a empolgação dos 3x0, 2x0, 1x0 e dos 5x0. É, torcedor gosta de mão cheia! Ah, se fosse fácil assim! Planos para Curitiba ou quem sabe o Rio de Janeiro, em busca do tão sonhado título. Que já veio, mas que está tão longe quanto o ano de 1971. Planos de casa cheia no próximo domingo no Mineirão, de vitória esmagadora sobre o adversário e com direito a show de Marques, gols de Guilherme, defesas espetaculares de Velloso e de apresentação impecável de Ramón e Gilberto Silva. Aí vieram a água e o poeta: “nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas”.
Chegou a água, acabou o futebol e pelo leito sujo do rio azul foi-se o nosso sorriso. O espírito peladeiro de jogar “debaixo de um toró”, tão velho quanto à expressão, já foi esquecido, por alguns, do Galo. Em compensação, outros pareciam estar em casa. Cleisson e Gilberto Silva demonstraram o que é o espírito alvinegro: se não há como mostrar técnica, mostra-se vontade, raça e determinação. Ainda assim, não deu. Dois cruzamentos e duas cabeçadas selaram nosso destino. E o sofrimento maior foi ver o Mancine fazer o cruzamento do primeiro gol. Castigo! Era tudo o que eu não queria ver.
Chuva, frio, derrota e o itabirano de novo: E agora, José? Voltar para Belo Horizonte, tomar um banho quente e um café forte e recomeçar a segunda-feira. Terminou? Não. A volta guardava surpresas.
O vôo que traria a rotina de volta, trouxe a nós e parte da delegação do Galo. Os torcedores aproveitaram para lavar a alma e como em um confessionário, revelaram mais que falaram. É claro que alguns falaram demais e até bobagens, mas torcedor é assim, apaixonado. Um torcedor limitava-se, de tempos em tempos, em bradar sua opinião:
– GALO DOIDO!
Outro fazia uma lista de renegados. Não perdoou a ninguém, nem a ele mesmo. Enquanto ouvia as lamentações, lembrei-me de Nelson Rodrigues e de suas histórias, e a cada ladainha iniciada vinha a afirmação de como somos humanos. É bonito, mas não presta; mas é bonito; mas não presta; é, não presta, mas é bonito. E assim foi o tom do desabafo da maioria daqueles torcedores voltando para casa.
Não gastei minha voz no avião, porque o pouco que restava seria útil hoje. Minhas últimas palavras urradas foram ao término do jogo, quando o Goleiro Atleticano saía de campo, desolado.
Assim prosseguimos nesta tarefa prazerosa, às vezes dura, de ser atleticano e de gritar GALO. Resta-nos o Hino, alma atleticana, e a esperança do próximo anos. Para encerrar, uso a frase de um daqueles torcedores anônimos:
– Eu torço é para a minha esposa, porque o Galo eu amo!

sábado, 8 de dezembro de 2012

MCM

ouviram que falta "massa crítica mínima" se referindo a eles e aplaudiram.
realmente, é melhor separar.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Promessa

de que vale o sétimo céu para quem não acredita em Deus?
de que vale o sétimo andar para quem não acredita em escada?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Ensinamento

não tema a morte, pois ela é a parte mais suave da existência.
não se apegue a tolos metais, pois a forja que nos espera só trabalha com Fe.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Água a bordo

vivemos um período em que a água toma conta de nossa embarcação e a maioria se preocupa em não molhar os pés. acredita, essa massa acrítica, que a água sairá por si própria.
já os ratos, esses não se preocupam nada, porque não morrem nunca.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

PA

o serviço de pronto atendimento médico tem mostrado que a medicina é (se não tiver se tornado) um jogo de tentativa e erro, além, é claro, de um balcão de negócios.
para que servem os bons relógios se não sabem como usar o tempo?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Nossos antepassados

Italo Calvino escreveu a trilogia "Nossos antepassados", que aborda "a condição humana no século XX: o homem dividido, que aspira à realização plena, para além das mutilações impostas pela sociedade."
Em minha família, identifiquei os três protagonistas de Calvino: o Visconde partido ao meio (o Cônego), o Barão nas árvores (Tio Lulu) e o Cavaleiro inexistente (Luiz Maestro).
Com eles, sabemos quem somos.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Semeadura

não foi o ano que o final de 2011 previu.
foi muito melhor.
não foi o ano que o meio de 2012 sugeriu.
veio o bolo, sem cereja.

já se ouve o ruflar de asas
é 2013 que se aproxima
o ano da colheita alvinegra

sábado, 1 de dezembro de 2012

Energia

para enfrentar o problema de energia e de fontes renováveis que assola nossa sociedade, basta inventarmos um aparelho que transforme a energia e os gritos de nossas crianças em energia elétrica.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Emília

aprendi com a Emília uma das lições mais importantes de minha vida
a simples mentira é uma verdade sem alma
a invencionice é o que toda verdade gostaria de ser.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Tilintar

ouço o tilintar do dólar furado pelos corredores
e a razão me lembra que não existe moeda de dólar
só centavos tinem.

e eu que achei que apenas o furo fosse falso

domingo, 18 de novembro de 2012

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Essencial

viveria sem automóvel
sem telefone celular
sem tecnologia
sem caramelo de dois sabores
e até mesmo sem religião...
mas não viveria sem palavrão

nada mais orgânico
mais transcendente
que o ruído celestial de nossa essência

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

E agora?

Para Drummond

eu queria que você morresse,
mas você não morre
você é de pedra!

as pedras que sente são as de meu bolso
as que correm em minha alma
não há lapidação que as salve

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Única opção

perdi minha infância por opressão
minha adolescência, por ódio
não haverá três pernas
nem esfinge

só a fase adulta pode me salvar

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Oito

– Ô de casa!?
Sem ouvir resposta, destranco o portão e entro pelo jardim. Um galo de porte médio corta meu caminho em uma louca correria, seguido, segundos depois, por um vulto negro. Mais alguns passos e ouço o som de patas que revela um cão de porte médio que, sem um latido, pula em meu calcanhar. Tento me desvencilhar, sem chutá-lo, mas ele muda de calcanhar seguidas vezes, fazendo com que eu logo esteja esticado no chão.
– Para, Pierre! Solta o minino. – reconhecemos, eu e o cão, a voz de Dona Quiméria.
Ela chega sorridente e o Pierre corre para brincar com ela.
– Ô, meu fio, num leva a mal não. Já falei com o Pierre para não chegá derrubano os outros, basta cercá que tá bão, mas ele num intende. – e riu olhando para o cão.
– Dona Quiméria, eu esperava ver o Chicão ou o Luisinho. O Pierre foi novidade.
– Esse minino tá comigo desd’o ano passado e é um minino muito bão, se entusiasma as vezes... – e olhou para mim, ainda no chão, e sorriu novamente.
Antes de me levantar, o mesmo galo que havia visto correndo passa numa disparada só. Atrás dele, o vulto novamente. Olho para Dona Quiméria e, enquanto me levanto, pergunto que galo é aquele.
– É o Berola, meu fio. Tá treinando.
– E quem corre atrás dele?
– Num tem ninguém não, meu fio. É só impressão sua.
Afagando o Pierre, diz:
– Sodade d’ocê, meu fio! Tá sumido?
– Também estou com saudades, Dona Quiméria. Há muito não venho aqui. Como estão as coisas?
– Aqui tá tudo mudado, meu fio. Vamo lá fora pr’ocê vê.
– E o Chicão?
– Tá logo aí atrás d’ocê.
Virei-me e vi que o cachorro me seguia silenciosamente. Apesar do aspecto assustador, ao lado de Dona Quiméria sabia que estava seguro. O Pierre corria na frente de todos nós e foi o primeiro a chegar ao terreiro.
Quando atravessei a porta da cozinha, vi os galos de Dona Quiméria espalhados pelo terreiro, todos soltos, como nunca antes tinha visto.
– Todos soltos? E não brigam? – perguntei e busquei com os olhos a estrutura de madeira que guardava os galos.
– Aqui agora, meu fio, acabô a concentração. Tá todo mundo junto e num tem mais briga. Galo que brigá aqui agora eu boto pra corrê, num tem perdão. O grupo tá unido e num aceito confusão. Nem eu nem o Kalil.
– Quem?
– O Kalil, meu fio, aquele galo preto e branco lá no alto do poleiro. Ele é que comanda o galinheiro e bota ordem na casa. É ele e o... – um canto rouco interrompeu a fala.
– É isso memo, ele e o Maluf, que foi esse que acabô de cantá.
– A senhora resolveu administrar o terreiro de maneira diferente.
– Era o que faltava pra acertá essa casa. Agora tá todo mundo com os mio em dia, água fresca e tem até umas galinha tamém de vez em quando... – e começou a rir antes de terminar.
Nesse momento, o Berola passa correndo por nós, seguido pelo vulto. De novo.
– Dona Quiméria, como será neste ano?
– Meu fio, tá muito difícil, porque as coisas tão certinhas no galinheiro, mas é muita gente querendo dirrubá nosso poleiro. Se fosse só em campo, tava bão.
– Faltam oito rodadas...
– Eu sei, meu fio, oito é nosso número, eu num esqueço. Por isso que eu esperava ocê aqui hoje.
– É mesmo?
– Claro, meu fio, nessas hora mágica todo mundo tem que dá as mão. E eu contava com as suas.
Lá vem o Berola. Lá vai o vulto.
– Pode contar comigo, Dona Quiméria.
– A camisa já tá lá. – e apontou para o varal. Fez o nome do pai e falou:
– Acredita, meu fio, num disanima não. Memo que as coisa esteja tudo pretinha, num esquece que se botá um branco vira preto e branco. Pode sê uma gotinha pequenininha, miúda, mas se for branca na situação preta é o Galo que tá virando.
Lá vai o Berola. Lá vem o vulto.
– Hoje é 17. Um mais sete é oito. O oito num tem começo nem fim... Oito somo nós.
O telefone toca lá dentro.
– Meu fio, num vai imbora não. Vô atendê o telefone e já volto. Deve sê o Roberto...

sábado, 13 de outubro de 2012

13 de outubro

por duas vezes
houve um novo trabalho
no dia 13 de outubro.
a terceira será nesta data.
hoje, porém, mudarão muitos comigo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Elogio

certo dia me elogiaram
respondi "tenho alma de pardal"
retrucaram "achamos que escolheria
ave mais nobre. um pardal?"
como não entenderam, voei.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Norte

os do Norte ainda resistem
mas são poucos para conter
a horda dos mãos limpas

se só os do Norte, os de preto,
sujarem as mãos
a Fortaleza cairá...
breve... muito breve...

domingo, 7 de outubro de 2012

Bens

quanto mais bens e riqueza
mais difícil a sublimação da morte

mai$ ouro
mai$ $audade$
mai$ oraçõe$
mais, tolo!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Parda

em tempos sombrios,
a eminência parda não
mais se esconde nas sombras

sem luz que ilumine o paço
sem vela que oriente o passo
a parda eminência será tragada
pelo breu

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Rei morto

o rei ainda não está morto
mas já se encontra posto.
a nau segue à deriva
os ratos, contudo, não fogem
querem o controle.
não haverá restos para tantas bocas

terça-feira, 2 de outubro de 2012

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Éter

os fantasmas de outubro
querem a alma de setembro.
suas etéreas mãos não
seguram o que olhos veem.
flores não são correntes.
nunca.

domingo, 30 de setembro de 2012

Infantilizada

encontrei-me com uma amiga
que há mais de década não via

ou os meus anos têm asas nos pés
e também na mente
ou a mente dela têm asas na sombra
que insiste estupidamente
em voar para trás

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Pupa

quando criança, podia ser
intelectualmente
tudo

já adulto, posso ser
emocionalmente
muitos

entretanto,
intelectualmente
emocionalmente
nunca
socialmente

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Uma meia

o saci que habita minha casa
só pula com a perna esquerda
ele, porém, não sabe disso
é mais feliz assim

quanto à carapuça,
é uma questão de tamanho
não de carapuça
não de cabeça
não de crença

de sentença.

domingo, 12 de agosto de 2012

Pais

quantos filhos são necessários para que um homem se torne pai?
nenhum.
o que faz um pai não é o filho, mas o fruto.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Balada do louco

Para o Caneteiro, um dia Maluco
Agradecimento aos Mutantes

Dizem que sou torto por pensar assim
Se eu sou muito torto por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz

Se eles são instruídos, Quincas Borba sou
Se eles são fragosos, eu me faço cão

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Se eles têm três carros, eu posso grafar
Se eles rezam muito, eu brinquei no céu

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu

Sim sou muito torto, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz

Mas louco é quem me diz
E não é feliz, eu sou feliz

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Mais um ano

há nove anos
um silêncio profundo
ecoa nesse vazio intenso

essa redonda ausência
é a pedra que meu bolso
não me deixa esquecer

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Cipó

o dia em que morrer
saberei onde correr
para reencontrar
as pessoas que amo

será um dia claro
ensolarado
mas não quente

o vento soprará
e algumas folhas se agitarão
naquela harmonia cerrada

sentirei o sol queimar minha face
e meu sorriso se estampar
incontinenti

lembrarei como foi lindo viver.

sábado, 21 de julho de 2012

Massificação

Nada mais massificado do que um homem de terno.
Nessa massa anônima e compacta, só os tolos veem a gravata.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Sabonete Pilathos

Perguntaram-me se o sabonete servia como xampu.
Infelizmente, xampu não é.
Mas também algumas sujeiras são aceitáveis, retrucou.
Felizmente, o odor sempre revela a sujeira. É uma questão de essência.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Fechada

por que a porta pública está fechada?
porque as criaturas da noite não distinguem público e privado.
o medo que as faz atacar em grupo é individual.

domingo, 24 de junho de 2012

Cinco dedos

o mindinho estava com a cabeça a prêmio.
o anelar o salvou.
o médio é o preço que tantos pagariam para chegarem ao indicador.
o indicador agora aponta para o mindinho.
não há polegar que faça esta história legal.

sábado, 23 de junho de 2012

Festa de junho

para que perguntar sobre uma festa para quem a promoveu?
melhor é preparar ouvidos e mente para a farsa que virá.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

MK

o produto foi divulgado como nunca se vira no mercado público.
alguns disseram "muito karo".
o menor dos erros foi o gráfico.
não há MarKeting para a falta de qualidade. só ação entre amigos.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Magia

em uma só tarde
me encontrei com Jesus Cristo,
a nota de três reais,
a dupla de pistoleiros dos faroestes italianos
e o zé birrinha.
Eta mundo mágico, meu Deus!

domingo, 17 de junho de 2012

Hábitos

Nós, humanos, ao lado de alguns outros mamíferos, somos um pouco diferentes. Temos uma certa flexibilidade e, por isso, não nos fiamos inteiramente no hábito.
O problema é que o comportamento flexível demanda enormes recursos atencionais e, portanto, energéticos (o sistema nervoso central consome sozinho cerca de 25% do oxigênio que respiramos).
Sempre que pode, o cérebro tenta converter atividades rotineiras em hábitos e, com isso, poupar energia e liberar espaço para outras tarefas.
Hélio Schwartsman
Folha de São Paulo, 10 de junho de 2012. Ilustríssima, p.4.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

terça-feira, 22 de maio de 2012

Santa Rita do Impossível

Cônego, para nós não há impossível.
Enquanto pudermos buscar,
seguiremos à procura do livro
desse conhecimento ancestral
que tão bem nos identifica;
impossível é o que não há.

sábado, 12 de maio de 2012

Tempo, mano velho

depois de tantos dias com o cheiro da morte no ar
um aroma mais doce para acalentar o dia da mães

sábado, 28 de abril de 2012

Bucaneiros da ribalta

Homens, é hora de partimos.
Aqueles que acreditam em Deus que orem para que ele esteja conosco.
Aqueles que não acreditam que orem também, pois, se Deus existir, estarão em crédito.
Se não existir, amém.
Esta é a nossa hestória e hora de mostrarmos quem somos.
Bucaneiros, uni-vos!

terça-feira, 3 de abril de 2012

quinta-feira, 29 de março de 2012

A criação do homem

a mão invisível da criação
repousa sobre esta mão
primata
primeva
prima

Foto: Phil Noble/Reuters
Fonte: http://g1.globo.com/natureza/noticia/2012/03/coracao-de-chimpanze-e-examinado-por-veterinarios-em-zoo-da-inglaterra.html. Acesso em 27 mar. 2012.

quarta-feira, 28 de março de 2012

terça-feira, 27 de março de 2012

Saco

meu saco de ilusões está cada vez mais vazio
e a leveza me traz uma velocidade enorme.
mais Quintana, mais Calvino.

domingo, 25 de março de 2012

Por que somos assim?

não escolhemos o caminho mais fácil.
escolhemos o melhor, ainda que seja composto
por espinhos, pedras, ofensas.

quinta-feira, 22 de março de 2012

quarta-feira, 21 de março de 2012

Claro sonho

a noite escura não protege o claro sonho.
não é possível fugir de si mesmo, mesmo que se seja outro.

terça-feira, 20 de março de 2012

Pilatos

A sujeira que vigora, atualmente, em muitas segmentos de nossa sociedade, é decorrente da utilização, estulta e inconsequente, da Lei de Pilatos. Matematicamente, uma mão suja não pode estar contida em um corpo limpo.

sábado, 17 de março de 2012

Tocando o boi que vive em nós

"penso que cumprir a vida
seja simplesmente
compreender a marcha
e ir tocando em frente

como um velho boiadeiro
levando a boiada"

há dias em que a sensação é
de ser um boi dentro de uma boiada.
os olhos não veem cores

contudo, um boi jamais terá a sensação de
ser um boi dentro de uma boiada.
nesse momento, os olhos sorriem

quarta-feira, 14 de março de 2012

terça-feira, 13 de março de 2012

Parábola

o semeador espalha as sementes
sem saber se nascerão
se crescerão
se frutificarão

não importa. se nenhuma semente germinar,
o semeador já terá mudado o solo.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Machado

a machado cortou uma parte da história
que ainda hoje não sei qual seria
a mudança foi positiva
mas deixou cicatrizes tatuadas

nessa floresta, há duas dúzias de anos,
as árvores que caem não fazem barulho.

sexta-feira, 9 de março de 2012

No meio

no meio quase da bexiga tinha uma pedra
jamais me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas veias tão buscopanizadas

quinta-feira, 8 de março de 2012

Amizade

à amizade disse não
à terceira margem chorou
a uma verdade ofereceu raiva e ranger de dentes

por fim, ouviu o silêncio

terça-feira, 6 de março de 2012

Um século

há cem anos
adjetivos poucos
família curta
reduzidos amigos
imensa alegria de viver

duas cores nos campos
uma cor na pele
três no sangue

muitas ferramentas
grandes habilidades
um só gênio

Hoje, 6 de março, meu avô Luiz Clemente, a quem eu chamo de "O Engenhoso", completa cem anos de história. Há décadas não brinda conosco, mas segue sentado à mesa de nossa memória.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Março

março é um mês importante para nós:
Cônego Belchior e Luiz Clemente
sempre especiais
comemoram mais um ano de histórias.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O fantasma do Natal

Para Charles Dickens
- Desperto almas tolas Natal após Natal. Sou o Sísifo dos avaros. Se duzentos são rolados para cima, tantos mais me esperam ao pé da montanha.
- E os outros dois?
- Não há mais ninguém. O tempo é um só.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Chuvas de janeiro

as chuvas que caem em janeiro nunca são as mesmas
as gotas que vêm não voltam jamais
o céu não as espera.
então, por que o noticiário delas insiste,
ano após ano,
em ser o mesmo?

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Novo ano

o novo ano chegou
a chuva segue a mesma
sob o sol que não se mostra
muita água há de passar

Mar de vento

"Os livros não são feitos para acreditarmos neles, mas para serem submetidos a investigações. Diante de um livro não devemos nos pergun...