quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Réveillon

Mais um velho se vai.
Mais um novo se apresenta.
As frescas e sonoras poças d'água ditam a morte das desilusões e o nascimento da esperança neste 31 de dezembro.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Matriz de Itapecerica - Ao Publico

Sinto necessidade de resalvar a minha honrabilidade profissional, á vista do desagradável incidente occorrido na cidade de Itapecerica e do qual resultou a rescisão do contracto que havia firmado com o Sr. Vigario Cerqueira para concluir as obras da matriz da mesma cidade.

Limitar-me-hei a narrar factos, deixando de parte quaesquer apreciações que serão feitas por aquelles que me lerem.

O contracto alludido impunha a condição de serem-me feitos os pagamentos á proporção dos donativos que fossem feitos ao Sr. Vigario Cerqueira. Aceitei essa clausula como um meio de provar publicamente que dispunha de capitaes sufficientes para a obra, e ao mesmo tempo confiar na palavra do Sr. Vigario que me havia promettido responsabilisar-se pelo integral pagamento a final.

Surprehendeu-me, pois, quando tive noticia que se me havia mandado suster o proseguimento dos trabalhos e por ordem do mesmo Sr. Padre, tendo-se chegado a produzir um embargo judicial.

Finalmente com a chegada á cidade de Itapecerica do mesmo Sr. Padre Cerqueira, chegamos a um accordo em vista do qual, foi-me dada uma indemnisação bem pouco satisfactoria, sendo-me declarado que seria melhor rescindirmos o contracto, pelo facto da difficuldade que se encontrava o Sr. Vigario Cerqueira em obter esmolas e donativos para as alludidas obras, como se verifica com a carta que abaixo publico.

Aceitei tudo para ver-me livre de tal vespeiro, dando-me por satisfeito com todos esses prejuízos que soffri e dos quaes resultou-me mais uma lição.

Isto que ahi vai acima é a pura verdade dos factos, que entrego á apreciação de todos os homens sensatos e honestos d’ esta zona.

O Engenheiro, Francisco Palmerio.

Fonte: Jornal O Itapecerica, Anno III, edição 80, 22 de setembro de 1895, p.3. [Arquivo Público Mineiro]

sábado, 26 de dezembro de 2009

Obras da Matriz

Conforme promettemos em o nosso numero passado, vamos hoje nos occupar dos factos que determinaram a não continuação das obras da Matriz desta cidade, e isso havemos de fazer calma e desapaixonadamente, como quem só tem em mente o progresso e o engrandecimento desta terra.

Como o publico sabe, a commissão incumbida pelo nosso estimado vigário e particular amigo Sr. Padre Cerqueira, de fiscalizar as obras referidas, embargou-as judicialmente, pelo facto de ter então o contractante Dr. Palmerio, que é um profissional incontestavelmente abalizado, ordenado a demolição, que se iniciou, de uma parte da egreja, quando isso era absolutamente necessário para a observação completa da planta por elle apresentada e acceita pelo nosso prezado vigário.

Bem sabemos que não nos assiste competência para discutirmos matéria de tão grande monta, mas por isso mesmo, antes de escrevermos estas linhas, nos informamos a respeito de um profissional insuspeito, que há dias esteve entre nós, e este nos garantio que o Dr. Palmerio estava observando fielmente o contracto e que elle não podia executar o seu plano sem primeiro demolir a parte da egreja, que tanta grita, que tanta celeuma levantou.

Não achamos absolutamente razão naquelles que contribuiram para a paralização das obras; não só porque no estado em que ellas ficaram actualmente torna-as muito mais difficeis de concluir-se, como também esse facto poderia acarretar enorme prejuízo moral ao profissional que dellas se encarregou, se o nosso vigário com o cavalheirismo que lhe é habitual e com a nunca desmentida correcção de seu proceder, não desse ao Dr. Palmerio o honroso documento que elle faz publicar em outra parte desta folha.

Entendemos que o povo, sem distincção de classe, deve facilitar o mais possível ao reverendíssimo padre Cerqueira os meios de que elle carece para a conclusão das obras que elle tão patrioticamente dezeja, desbravando as difficuldades que lhe assoberbam, mas nunca oppondo-lhe tropeços nem embaraços.

Entendemos que todos nós temos obrigação de contribuir por todos os meios a nosso alcance para a conclusão de uma obra que é nossa, que será de nossos filhos, e tudo que se fizer em contrario, digamos com franqueza, será para nós muitissimo vergonhoso.

Jornal O Itapecerica, Anno III, edição 80, 22 de setembro de 1895, p.1. [Arquivo Público Mineiro]

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

No Natal

A Liberdade se ilumina.
A criançada se anima.
A boa vontade contamina.
É nós compramos (quebrando a rima).

domingo, 20 de dezembro de 2009

Esterco

É difícil de acreditar que alguém possa perder a vida por um monte de esterco, esse conjunto de dejetos que aduba mas, não poucas vezes, não vivifica nada.
Esse monte, de origem desconhecida e de qualidade duvidosa, ceifa uma vida.
Esse esterco, humanizado, grita: "Merda é ouro. Merda é ouro".

sábado, 12 de dezembro de 2009

G

Hoje, 12 de dezembro, é aniversário de meu avô, Cesário, a quem carinhosamente chamo de "O Maestro". Uma nota, um sentimento: sol(dade).

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Caim

A história de Caim, irmão de Abel, é triste.
A história de Caim, filho de Saramago, é triste.
A maldição do Senhor pesou sobre Caim de tal modo que nem mesmo Saramago, que já havia seguido os passos de Jesus Cristo com mérito, conseguiu salvar a narrativa do fratricida.

Mar de vento

"Os livros não são feitos para acreditarmos neles, mas para serem submetidos a investigações. Diante de um livro não devemos nos pergun...