nas mãos, uma vela e um verde mundy.
o que restou da vela? uma piada.
do mundy? uma certeza em cores.
domingo, 31 de março de 2013
sábado, 30 de março de 2013
Salvem Jorge
de uns tempos para cá, São Jorge tem sofrido muito. não bastasse a luta sempiterna contra o dragão e a fama da Capadócia ter se tornado adjetivo, agora o santo guerreiro estampa o lombo de muito pangaré.
sexta-feira, 29 de março de 2013
Me recuso
me recuso a aprender a dar nó em gravata
me recuso a acender vela para não-santo
me recuso a fazer barba todos os dias
me recuso a acreditar no quadro que pintam de mim
não sou tudo isso
não sou apenas isso
me recuso, por fim, a usar "recuso-me".
muitas vezes, só o oblíquo enxerga bem.
me recuso a acender vela para não-santo
me recuso a fazer barba todos os dias
me recuso a acreditar no quadro que pintam de mim
não sou tudo isso
não sou apenas isso
me recuso, por fim, a usar "recuso-me".
muitas vezes, só o oblíquo enxerga bem.
terça-feira, 26 de março de 2013
Fama
Fonte de água vira gelo na Trafalgar Square, no centro de Londres, nesta terça-feira (26).
Andrew Matthews/AP
http://g1.globo.com/fotos/fotos/2013/03/imagens-do-dia-26-de-marco-de-2013.html#F756698
***
Farás fama com o suor de teu rosto, ainda que ele não seja fruto de teu trabalho.
segunda-feira, 25 de março de 2013
105 anos
O dia que nasce hoje traz a memória dos últimos cento e cinco anos, que por tantas vezes enfrentaram o sol e a chuva para trazer o dia seguinte à história. nascemos e morremos como os dias, mas, assim como os dias se sucedem, também seremos sucedidos por uma árvore, que muitos dizem genealógica, que esparramará troncos, frutos e sementes por campos tantos.
Hoje, a camisa segue mais indomada no varal, porque a chuva, o vento e o frio estão mais agudos, mais viscerais. A camisa indomável é o estandarte de uma família alvinegra, de um credo que se nomeia atleticano.
sábado, 23 de março de 2013
Tarde de sábado
as imemoriais tardes de sábado
outonais e cinzas
de muito vento e tantas hestórias
estão de volta
outonais e cinzas
de muito vento e tantas hestórias
estão de volta
quarta-feira, 13 de março de 2013
Macunaíma
Foto de Matthias Hiekel/AFP
Fonte: http://g1.globo.com/fotos/fotos/2013/03/imagens-do-dia-12-de-marco-de-2013.html#F742026
"O mandril Napo abre a boca em um ângulo impressionante ao bocejar em seu cercado no zoológico de Dresden, na Alemanha."
terça-feira, 12 de março de 2013
O que não aprendemos na escola
os seis estados físicos da água
sólido, líquido, gasoso
chuchu, melão e melancia
sólido, líquido, gasoso
chuchu, melão e melancia
sábado, 9 de março de 2013
Nostalgia
antes
"Faça amor, não faça guerra"
hoje
"Faça lelelelelelele, não faça guera"
"Faça tchu tcha tcha tchu tchu tcha, não faça guerra"
"Faça tchê tcherere tchê tchê, não faça guerra"
"Faça amor, não faça guerra"
hoje
"Faça lelelelelelele, não faça guera"
"Faça tchu tcha tcha tchu tchu tcha, não faça guerra"
"Faça tchê tcherere tchê tchê, não faça guerra"
sexta-feira, 8 de março de 2013
O pactário - parte V
A cliente, desesperada, insistiu em forçar a porta e acabou ferindo as mãos.
– Que belo sangue escorre de suas mãos. Vamos, leve-o à boca! Experimente o gosto de sua essência e descubra quem você é.
Choro e histeria.
– Você não devia ter essa cara de pavor diante de sangue, uma vez que ele é matéria-prima de seus esmaltes. Ah, você não gosta do seu sangue? O dos outros é muito melhor, não? Você se deleita em ferir e matar e se sente atacada quando sente o ígneo calor do seu interior escorrer pelas mãos? Não, verme, esse sangue maculado que sente fluir por seu corpo é a seiva vil que você carrega e que passará aos seus descendentes. Não chore! Levante-se! Você não morrerá hoje.
A cliente, em horror, tentava se levantar e levava as mãos ao peito, em um claro movimento de quem não respira. Em um estado crescente de pavor, desmaiou embalada pela gargalhada infernal da vidente.
Ao despertar, estava caída ao chão, com a maquiagem borrada pelas lágrimas e com o corpo todo doendo, tal como se uma surra tivesse lhe cantado no lombo. Não havia marcas de violência, não houvera violência: apenas a contração aflita dos músculos e o medo que tensiona a alma.
A vidente seguia sentada na cadeira, olhos cerrados, agora muda e com o diminuto aspecto físico inicial.
A cliente se levantou e, com soluços engasgados, buscou a porta, que não ofereceu resistência para ser aberta. Quando se projetava para fora, ouviu a voz bestial:
– Não há Pilatos que lave suas mãos.
quinta-feira, 7 de março de 2013
O pactário - parte IV
– Você se esconde nesse véu de pureza, mas tem a alma corrompida pela maldade. Você não engana ninguém com suas histórias tristes, com seus fingimentos de dor e de solidão, com seus presentes e agrados interesseiros e interessados. Seu hálito podre e suas mãos aduncas só desejam o mal, que, para você, se transubstancia em bem, num falso bem que você insiste em propalar.
A cliente se levantou e correu para a porta, que estava fechada. Ensandecida, aos gritos:
– Eu quero sair! Abra! Abra!
– Grite, víbora! Grite à vontade, que a língua das serpentes só é ouvida pelas orlas infernais. Socorro virá embalado por choro e ranger de dentes e você estará ao lado de seus iguais.
A cliente gritava, aos prantos, pedindo a Deus que a tirasse dali.
– Não, Deus não virá. Agora somos só nós dois.
A mulher socava e chutava a porta, aos berros, naquela aflição que antecede a morte.
A vidente se calou, e o cansaço fez a cliente ir ao chão em prantos. A luz retornou à intensidade inicial, e a pobre mulher, caída ao chão, balbuciou trêmula:
– Madame Adelaide, estou passando mal. Abra a porta por favor. Sinto uma dor no peito.
– Não repita o nome dessa charlatã desqualificada – urrou uma voz masculina vinda dos lábios da vidente. – Não finja para mim, pois suas encenações teatrais são fracas e repetidas.
quarta-feira, 6 de março de 2013
O pactário - parte III
– Eu não vim aqui pra essa bobajada! Eu quero que faça o que pedi e só. – e bateu as costas de uma mão na palma da outra.
– Você é uma tola mesmo.
– Eu...
– Fique assentada, sua desprezível, e cale essa boca fétida. Agora quem fala sou eu.
A luz se tornou mais forte explicitando o corpo hercúleo da vidente, em nada parecido com aquele aspecto franzino que a recebera. Um misto de horror e espanto se apossou da cliente, que sentiu as pernas vacilarem.
– Você é uma mulher fútil. Não percebe que essa mulher é uma charlatã? Que não tem nenhum contato com os céus nem com os infernos, que inventa histórias ao gosto da clientela e que apenas toma o dinheiro dos desesperados que a procuram?
A cliente estava perplexa. Todas aquelas palavras saíam da boca de Madame Adelaide, mas a voz não era a dela tampouco aquelas frases poderiam ser.
– Agora você vai ouvir um pouco do futuro, mas verá principalmente o passado.
– E o meu namorado?
– Não seja tola. O pactário nunca foi seu.
– Pactário?
– Sim. Ou você acha que sua brincadeira de bruxa é verdade? Você não devia tentar dar as cartas com um desconhecido só por se achar a dona do baralho. Ele sabe quem você é, mas você não sabe quem ele é realmente. Ele é um pactário.
– Não! – gritou alucinadamente a cliente.
terça-feira, 5 de março de 2013
O pactário - parte II
A cliente apertava as mãos, mordia os lábios e imaginava o amado batendo à porta de sua casa, dizendo palavras doces e, humildemente, pedindo a ela que o aceitasse de volta. Em seu delírio, um breve sorriso nasceu em seus lábios.
– Eu sinto a presença de...
Nesse momento, a parca luz se apagou e a vidente se calou.
– O que é isso? – perguntou a cliente.
– Sua consulta vai começar, minha filha – disse uma voz que, pela direção, saía da boca da vidente, mas em nada se parecia com a dela.
– E a luz? Por que apagou?
– Algum problema com a luz?
– Está muito escuro. Não consigo ver a senhora.
– Achei que você reconhecesse as trevas em que você mora – disse a vidente rindo.
– Que isso? O que a senhora está falando?
A vidente seguiu rindo diabolicamente.
– Acenda a luz agora ou eu vou embora! E não vou pagar nada!
– Para quem não conhece a luz, você até que a cobra de mais.
A luz se acendeu, mas fracamente. A cliente encarou a vidente e percebeu que a mulher estava de olhos fechados, com as mãos espalmadas sobre a mesa, movimentando freneticamente os lábios.
segunda-feira, 4 de março de 2013
O pactário - parte I
Para Edgar Alan Poe
– Só a senhora pode me ajudar. Meu namorado me deixou e eu quero ele de volta.
– Não se preocupe, minha filha. Madame Adelaide resolverá seus problemas com as forças do céu.
– Eu quero ele de volta o mais rápido possível. Não importa o preço!
A vidente sorriu ao ouvir o tilintar profético do futuro. Não era a primeira vez que aquela mulher comparecia ao consultório de Madame Adelaide, mas, até então, apenas pequenas minúcias de uma alma tola e perdida. Dessa vez, a cliente, emocionalmente alterada, mostrava uma energia única, decidida, como se a própria existência dependesse do sucesso daquele trabalho.
– Não me diga nada ainda. Deixe que me concentre e invoque as forças celestiais.
A cliente não se continha e gesticulava energicamente, batendo as costas de uma mão na palma da outra:
– Esse homem é meu. Eu quero ele comendo na minha mão.
– Silêncio, minha filha. Nesse momento de contato, é preciso concentração para ouvir os anjos. Em breve, você terá esse homem de volta.
Enquanto fechava os olhos e esticava as mãos sobre a mesa, a vidente ganhava tempo. Algum tempo depois, a mesa se mexeu bruscamente, resultado de um pontapé dado pela própria vidente, mas não percebido pela cliente.
– É um sinal. Eles estão chegando. Eu sinto a presença de forças celestiais nessa sala.
domingo, 3 de março de 2013
Posse
Nós poucas cousas desejariamos com ardor, se bem conhecessemos o que desejâmos.
Pensamentos e maximas. Lisboa, 1845.
sábado, 2 de março de 2013
Cônego
Homenagem ao Cônego Belchior
2 de março de 1875 - 22 de maio de 1937Os homens morrem, as ideias não.
A alma transcende, e a semente reafirma a parábola.
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