domingo, 31 de julho de 2011

A década

Hoje, cheguei às últimas linhas de Walden, de Thoreau. Foi uma leitura longa, que nem de perto se compara aos dois anos de vivência no e de convivência do autor com o lago, mas a sensação do passar das estações é inequívoca.
Hoje, 10 anos do Caneteiro. É uma data importante para os Bucaneiros, porque nós somos o prolongamento de nossos parentes, que muitas vezes, erroneamente, são vistos como antepassados. Erroneamente porque os laços consaguíneos não passam, são presentes, metamorfoseados em nomes distintos, em ações idênticas.
Em 2001, "eu não quis pegar uma cabine de primeira classe sob o tombadilho, mas viajar de segunda, na frente do mastro e no convés do mundo, pois dali podia enxergar melhor o luar entre as montanhas. Não pretendo descer agora."
Em 2011, "o que mais temo é que minha expressão não seja extra-vagante o suficiente, que não possa vaguear muito além dos limites estreitos de minha experiência diária para se adequar à verdade da qual estou convencido."

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Lázaro

- Alô, Lázaro? Oh, meu fio, saudade d'ocê! Comé que as coisa anda por aí?
As coisas tão brava aqui, meu fio, ocê nem imagina. O Grorioso continua, ocê me disculpa o termo, "cagado de arara". Virgi Mãe! Nada que o Lorival faz tá dando certo: já tentou de tudo e nada funciona. Dispois que o Magnata esbanjou o campeonato rural ao perder aquele gol, o do caneco, as coisa ficaram fusca. As pessoas fala que era o Magnata, o Fábio e o gol naquele lance do segundo jogo da final, mas é mintira. Era o Magnata, o Fábio, o gol, a bola (que é a dona do jogo) e a turcida inteira do Galo. Ele num pudia tê perdido. O Chicão, quando o Magnata perdeu a bola, avançou no pé do móve da televisão de tanta raiva: quase que ele deixa manco o pobre coitado do armário.
Aí nós começamo bem o campeonato, com duas vitória boa, achando que o vento soprava a nosso favor. Bubiça! Dispois do jogo contra o Bahia, tudo desandô. Achei até que fosse praga de urubu, mas discobri que é ruindade memo. É como o Caneteiro fala: é um monte de moeda pequena, faz volume, causa impacto nos óio e nos ouvido, mas não tem valor. Eta, meu Deus!
O Lorival tá meio perdido, mas ele é um home esperto. Tratô de trazê uma cópia do cabelo do Neymar pra espantá a zica que ficô com ele no ano passado: como o André num é o Neymar e o Santos não é o Galo, nessa ordem, vai sê fácil afastá essa inguiça.
- ...
- Comé que é? Dorival? Não, meu filho, é Lorival memo. É porque ele tem um nariz grande, parece um bico de papagaio, aí o Chicão apilidô ele de Lorival. E como de ave nós entendemo tudo, nós batizamo ele de Lorival. Cê pode ter certeza que as coisa vão melhorá dispois que desse batismo oficial.
Lázaro, meu fio, tô ligando pr'ocê pra pedir uma ajuda pro Grorioso. Ocê que já teve do outro lado e voltô, consiguiu levantá dispois de todo mundo tê falado que ocê tava morto, dá uns conselhos pro Lorival e pros jogadô pra eles se levantá tamém. Tem muita gente caída, tem até um que tá cunhecido como Já-morreu, e é hora de levantá.
Em 2009, meu fio, nós ressuscitamo o Fluminense. Ele tava praticamente sem respirar, moribundo, e, dispois de vencê o Galo, ele embalô e se salvô da degola. Em 2010, eu queria tê ligado pr'ocê pra pidi essa ajuda, justamente na véspera do jogo contra o Fluminense, mas num consigui completá a ligação. O Luxa tava com a faca no pescoço e acabô rolando a cabeça dele memo, dispois daquele vexame no Engenhão.
Agora, Lázaro, tô esperando que o Galo comece a se levantá hoje, vencendo o tricolor do Nelson e se afastando da zona do desespero. Lá embaixo, meu fio, é só choro e rangê de dentes... Credo em cruz!
- ...
- Ô, meu fio, agradicida dimais. Ocê num sabe o bem que ocê tá fazendo pros preto e pros branco, pra esse povo todo arreunido em torno dessa bandeira. O Lorival hoje vai consigui. Tá iscutando o Chicão lati? Ele tamém tá agradecendo do fundo do coraçãozinho dele.
Aproveitano, meu fio, qu'eu já tô na linha, deixa eu falá cum o Roberto. Tô cum saudade desse minino...

domingo, 24 de julho de 2011

Back to black

Para Amy Winehouse
em trôpegas palavras
o voo de uma voz
uma vida sem limites
que se descobre limitada.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Maluco beleza

faltam 10 dias para 10 anos.
no dia 25 de julho, uma porta se fechou
no sétimo dia, despertei aos gritos
orações, grunhidos, palavrões

nãohaviamaisvolta

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Eu sou a lenda

Quem seria capaz de “matar” um paralelepípedo no peito e chutá-lo? Quem poderia correr por toda a Via expressa, em velocidade, atrás de um papagaio “voado”? Ou carregar uma geladeira duplex sozinho escada acima? Ou soltar um arroto na “Doçura” que fosse ouvido na praça do Colégio Batista? Ou mesmo tomar 18 refrigerantes seguidos, um atrás do outro, “sem respirar”?

Quem seria capaz de acertar o resultado da disputa de pênaltis da final da Copa da África (11x10), quando o jogo ainda estava no tempo regulamentar? Quem poderia arremessar, com a mesma mão, simultaneamente, uma pedra e um ovo, para que a pedra quebrasse uma vidraça e o ovo entrasse pelo buraco feito pela pedra?

Hoje, meu amigo Flávio Lúcio, a quem a Floresta deu o nome de Gongom, completa 50 anos. A ele, a quem eu chamo de “A lenda”, colega de tantas hestórias, minha estima.

Mar de vento

"Os livros não são feitos para acreditarmos neles, mas para serem submetidos a investigações. Diante de um livro não devemos nos pergun...