Chamaram-me para o atendimento.
Depois de horas e alguns exames, meu resultado apareceu, e meu avô sorriu para mim.
- Eu disse a você que não podia ser enfarto.
Respondi com um sorriso e saímos juntos do pronto-atendimento. Já na rua, caminhando lado a lado:
- Me dá essa pedra que tá no seu bolso.
- Pedra? Eu não carrego pedra no bolso.
- Enfia a mão no bolso e tira, porque ela tá aí.
- Eta, Vô, o senhor é teimoso mesmo, hein?! - e enfiei as mãos no bolso para puxar o forro para fora, a fim de mostrar que estavam vazios.
Nesse momento, senti a mão esquerda encontrar um objeto no bolso. Segurei, puxei e fiquei assombrado com a pedra que apareceu: escura, com pontas agudas e odor adstringente.
Meu avô estendeu a mão e recolheu a pedra.
- Filho, a leitura põe muitas palavras pra dentro, mas só a guerra as coloca para fora.