nessa gleba, o discurso real é ser amigo do rei.
de que valem palavras certas se as linhas são tortas?
é melhor um café e programar uma viagem.
quinta-feira, 29 de agosto de 2013
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
O que quero
Girassol que ganhou mais altura que seus vizinhos é visto em um campo de flores em Dakota do Norte, nos EUA. A imagem feita na semana passada foi divulgada nesta segunda-feira (26).
Karen Bleier/AFP
http://g1.globo.com/fotos/fotos/2013/08/imagens-do-dia-26-de-agosto-de-2013.html#F921581
***
não quero mais apenas a luz do sol.
agora eu quero o céu.
domingo, 25 de agosto de 2013
Intelligencia
Nos homens, e nas nações, a maior independencia suppõe maior intelligencia.
Collecção de Pensamentos e Maximas. Lisboa, 1845.
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Do fogo
Carcará é visto sobre a carcaça de um bovino morto, no rescaldo do incêndio de grandes proporções que teve início em lavoura de cana em Dourados (MS), deixando um morto. O fogo atingiu pasto e áreas de reserva florestal; os prejuízos estão sendo somados.
Ademir Almeida/Futura Press/Estadão Conteúdo
http://g1.globo.com/fotos/fotos/2013/08/imagens-do-dia-23-de-agosto-de-2013.html#F918252
***
apenas um descanso na longuidão incandescente da jornada.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Creação da comarca de Itapecerica
LEI N. 1867 – DE 15 DE JULHO DE 1872.
Lei que crea as comarcas de Queluz, Rio Dourados, Itapecerica, Itajubá, e Leopoldina, e contem outras disposições
O Dr. Joaquim Floriano de Godoy, Presidente da Provincia de Minas Geraes: Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembléa Legislativa Provincial decretou, e eu sanccionei a lei seguinte:
Art. 1º. Alem das comarcas existentes, ficão creadas mais cinco, a saber: os termos de Queluz e Bomfim formaráõ a comarca de Queluz: os da Bagagem, Patos e Patrocinio a do Rio Dourados; os de Tamanduá e Santo Antonio do Monte a de Itapecerica; os de Itajubá e S. José do Paraizo a de Itajubá; os da Leopoldina e Pomba a de Leopoldina.
§ 1º. Os termos de Curvello e Sete Lagoas constituirão a actual comarca do Paraopeba.
§ 2º. O termo de Santa Rita do Turvo fica pertencendo á comarca de Muriabé.
Art. 2º. Ficam revogadas as disposições em contrario.
Mando, portanto, a todas as autoridades, á quem o conhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cumprão e fação cumprir tão inteiramente como nella se contem. O Secretario desta província a faça imprimir publicar e correr. Dada no Palacio da Presidencia da Provincia de Minas Gerais aos quinze dias do mez de Julho do anno do Nascímento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e setenta e dous, quinquagesimo primeiro da Independencia e do Imperio.
(L.S.)
DR. JOAQUIM FLORIANO DE GODOY.
Modesto Romão de Andrade a fez.
Sellada na Secretaria da Presidencia da Provincia aos 15 de Julho de 1872.
José da Costa Carvalho.
Nesta Secretaria foi publicada em avulso a presente lei em 20 de Julho de 1872.
José da Costa Carvalho.
Disponível em http://www.siaapm.cultura.mg.gov.br/modules/leis_mineiras_docs/
photo.php?lid=68859.
photo.php?lid=68859.
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
A matemática da macaca
- Alô?
- ...
- Ô, meu fio! É ocê! Tudo bão?
- ...
- Graças a Deus, tudo em paz. Os menino tamém tão bom.
- ...
- O quê? O que que tão falando?
- ...
Dona Quiméria ria ao telefone.
- É isso memo, meu fio. Isso é papo de secadô, num esquenta a pioienta não. - e seguia gargalhando. - É a matemática da macaca, meu fio. Deu certo.
- ...
- Vô explica pr'ocê. Tem muita gente de oio grande no Galo, secadô memo, desses brabo. Aí, pra minha poção de boldo funcioná, eu picisei enganá esse povo todo. Que que eu fiz: arrumei a poção pro último sábado, que era rodada 13 do Brasileirão, pra numeração ajudá. Só que o Galo teve um jogo adiado, tá lembrado? Ocê se lembra com quem, né?
- ...
- Isso, meu fio. Com a Ponte Preta, a macaca. Desse jeito, os secadô acharu que devia secá no sábado pra poção dá errado, o que eles fizeru bem, tanto é que o Galo num ganhô. Aí, eles acharu que a poção num valeu nada e baixaru a força dos óio. Aí, ontem, contra o Bahia, com menos óio e a poção fermentando qui nem pimenta, nós jogamo e ganhamo três ponto.
- ...
- Num adianta mais, meu fio. Agora a poção já pegô e tá funcionando. Num precisa preocupá. Eles vão continuá secano, mas o Galo tá protegido. Quem vai tê que se preocupá agora é os secadô.
- ...
- É isso memo, meu fio. Aqui é Galo.
sábado, 10 de agosto de 2013
Boldo
- Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
- Pra sempre seja louvado! Vamo entrá, meu fio!
- E o Chicão, Dona Quiméria?
- Tá ocupado, meu fio! Num esquenta a pioeinta não.
Atravessei o portão, o jardim e, entrando pela casa, fui encontrá-la na cozinha mexendo alguma coisa no fogão. Uma nuvem verde tomava conta da casa, e eu ouvia, ao longe, o rosnado certo do Chicão, porque o Luisinho não rosna e raramente late.
- Saudades da senhora! - e a abracei.
- Tamém, minino. Cê tá meio sumido?
- Muito trabalho, Dona Quiméria.
- Ocê precisa relaxá mais, meu fio, si não ocê "num vai guentá" - e riu de alegria.
- A senhora tem razão. - e sorri pra ela.
Corri os olhos pela cozinha e percebi que a fumaça tomava conta também dos outros cômodos e caminhava para o quintal.
- Que fumaceira é essa, Dona Quiméria?
- Tô fazendo um defumadô, meu fio. Tô pricisano espantá a zica.
- Mas esse cheiro é de...
- Boldo! Isso memo. Boldo!
- Defumador com boldo eu nunca vi, Dona Quiméria.
- Os meus minino tão numa ressaca braba. Vai lá no quintal pr'ocê dá uma olhada.
Caminhei mais uns passos e, ao chegar à porta que levava ao quintal, me deparei com os galos de Dona Quiméria espalhados pelo quintal. Todos deitados ou encostados em um vaso ou planta, com um olhar distante.
- Estão doentes? - perguntei eu.
- Qui doente o quê, meu fio! Isso é ressaca memo. Eles beberu uma das boas, sinão a mió que tá tendo. É a América e, desde intão, tão nessa ressaca da peste. Tô fazendo esse defumeiro pra espantá a zica e, com o caldo que sobrá, vô fazê uma poção pr'eles revigorá.
Nesse momento, apareceu o Luisinho e foi até Dona Quiméria, "disse" alguma coisa e recebeu um afago. Virou-se e se dirigiu à porta: o cão soltou um uivo bestial e apareceu no quintal já como Chicão.
- O que foi, Dona Quiméria?
- É o Chicão que tá dando uma dura nos galo. El's precisá tomá vergonha e voltá a fazê a coisa certa.
- E o Luisinho?
- O Luisim é um craque, com ele é só na categoria. Pra esses serviço "mais pesado", tem que sê o Chicão. - e riu.
O Chicão se aproximava de cada galo e rosnava, latia e batia a pata esquerda dianteira no chão.
- Eta, que esse minino tá nervoso hoje. - e o cão prosseguia dando "uma dura" nos galos. Alguns levantavam, esticavam as asas, ameaçavam um canto, ensaiavam mesmo algumas esporadas.
Dona Quiméria desligou o fogo e virou o conteúdo do caldeirão em um balde metálico, desses leiteiros. Foi até o quintal, recolheu algumas folhas de arruda e voltou à cozinha.
- Mi ajuda aqui, meu fio. Pega esse balde pra mim e vão lá no quintal. É bom qui ocê espanta sua zica tamém.
Peguei o balde e a segui. No quintal, o Chicão, ao ver nossa chegada, parou o que fazia e foi sentar ao lado de Dona Quiméria, já transmutado em Luisinho.
- Eh mininada! Vamu acordá. Tá na hora de nós voltá a fazê o que fazemu de mió. Cada um d'ocês vai vim aqui nesse balde e vai dá uma golada nessa poção. Hoje é a rodada de número 13, e 13 é Galo, e a partir de hoje pricisamu voltá a vencê. Cabô esse negócio de festança e galinhada, é hora de metê as espora di novo. Vamu lá!
Coloquei o balde no chão. Os galos, um por um, se aproximavam e bebericavam a poção. Alguns mais, outros menos, mas sempre com uma careta danada. Enquanto isso, Dona Quiméria batia as folhas de arruda na cabeça deles.
- Ocê, Guilérme, bebe mais. Ocê tá pricisando!
- Ronaldinho, ocê bebeu? Mintira. Ocê qué é mi enganá. Volta aqui e bebe direito.
O galo voltou, bebeu uma boa golada, recebeu o afago de Dona Quiméria e ouviu:
- Minino, si ocê quisé, tudo pode acontecê.
O galo sorriu timidamente e balançou a cabeça. Dona Quiméria tirou uma caneca de alumínio do bolso do vestido e mergulhou no balde.
- Toma, meu fio! Esse é o seu. Pode bebê.
Peguei a caneca, verifiquei se estava quente (o cheiro de boldo era insuportável) e virei em um só "tapa".
- Isso, meu fio. Agora as coisa vão virá. Pode esperá e acreditá.
- Eu acredito.
Ao ouvir minha resposta, todos os galos cantaram, Chicão latiu insistentemente e Dona Quiméria mostrou, pelos alvos dentes, o sorriso dos crédulos, pois os incrédulos não têm dentes.
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