a paixão que nos mata é uma miragem.
oásis é tocar a vida.
sexta-feira, 30 de março de 2018
quinta-feira, 29 de março de 2018
segunda-feira, 26 de março de 2018
110 anos
– Puxa o tamburete e senta, meu fio. Aqui ocê tá em casa.
Assim fiz.
– Tô passando um café.
Parou, olhou para a chaleira que fervia e disse:
– Meu fio, esse café é atreticano quinem nóis. Óia a água branquinha
misturano com o pretão do café, e ficano tudo pretim. Eta, mininada! Aqui tamém
é Galo!
Ao falar “meninada”, o Luizinho, que até então, dormia em roda, acordou
e se levantou atento, buscando algum movimento diferente na cozinha.
– Eta, Luisin! Né nada não, sô! Num tá na hora inda não.
Passou o café pelo filtro de pano e afirmou:
- Tamém tem hora que o bran’co’preto pode dá branco tamém. O importante
é misturá.
Fechou a garrafa térmica, abriu uma lata com biscoitos, puxou um banco,
se assentou, serviu o café em duas xícaras. Peguei a xícara, que fumegava,
assoprei e a levei à boca, retirando rápido quase me queimando.
- Eta, minino! Cuidado pr’ocê num queimá a beiça, hein? – E riu com
vontade.
- Esse tá quente mesmo, Dona Quiméria! – Respondi sorrindo.
- Café bão tem qui sê forte e quenti quinem coração de atreticano.
Biscoito vai, café vem, proseou:
- Meu fio, hoje o Roberto me ligou. Disse que teve
uma festa linda ontem no Campo do Galo, que tava lotado, num cabia mais ninguém
e que tinha um mundo de gente do lado de fora pra entrá. O povo todo se
arreuniu pra comemorá o aniversário do Grorioso, que fez um jogo contra a Seleção
Brasileira. Foi um jogo pra entrá pra história, e os mió em campo foru o Kafunga
e o Mané. Acabô empatado, e o povo deu volta no campo carregando os jogadô dos
dois time. Foi bunito dimais!
Sorri emocionado, e ela prosseguiu:
– 110 ano num é mole, viu? Eh sodade!
Bebeu o café e colocou a xícara na mesa:
– Tá vino chumbo grosso pela frente, meu fio. Pode
iscrevê! Nóis passamu do Mequinha onti, mas é agora que a porca vai torcê o
rabo. O time num tá mto firme, passamu uns perrengue onti, já tinha passado no
último jogo, nuns otro tamém, e tá na hora desse meninada aprumá. Eu pensei in
fazê um chá, daquelas foiage que ocê conhece bem, mas agora num vai dá purque
temo um pastor lá. – Parou uns instantes, riu sozinha e: – Eta, bestage!
– Intão... Vamu deixa o pastor metê gol, enquanto
nóis trabaia nus bastidô. Ele num precisa fica sabeno de nada, inda mais purque
reza nunca é dimais e, como diz meu véio amigo Tatarana, é mió bebê água de
sete fonte.
– Vamu tê surpresa nessa final, meu fio, pode
iscrevê. Vai sê uma coisa diferente, pra marcá esse campeonato pra sempre, mas
num picisa fica preocupado não, purque nóis tamo preparado com chumbo tamém. Na
hora do valha-me Deus, vamu abri fogo.
Enquanto ela comia um biscoito, ficamos em silêncio.
– Meu fio, já contei pr’ocê a história do Nicanô?
– Nicanor? Não, Dona Quiméria.
– Um galo que só tinha uma perna. Uns chamavam ele
de Nicanô Saci.
– Não conheço essa história.
– O Nicanô se aposentô das rinha sem nunca ter
perdido uma luta, e só tinha uma perna, hein?
– Que isso! Nunca ouvi falar nele. Me conta.
– Esse minino era bão dimais, Nossinhora! Cum ele,
num tinha tempo rúim.
– Já morreu?
– Não, meu fio. Galo num morre, muda de rádio.
Vai cantá em otras banda. O Nicanô vem pra final, pode isperá. Quando o campeonato
acabá, eu ti conto a história dele. A história de uma perna só.
sexta-feira, 23 de março de 2018
Tantos motivos
"Mudaram as estações, nada mudou
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Tá tudo assim, tão diferente"
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu
Tá tudo assim, tão diferente"
Agradecimento a Cassia Eller
as estações se seguiram
as dúvidas também
o nada não é mais o mesmo
o tudo também
o que era diferente tá tão
o que era igual não tá
quinta-feira, 22 de março de 2018
Bruxa malvada
a bruxa malvada é um pavão
vaidoso, com taça de champagne e longa cauda aberta em leque.
venta, aventa, avoenta.
se disser que é espumante, se transforma.
arrulha, mas se disser que é pombo, se transtorna.
se disser que é rola, se enamora.
pobre piaçaba!
nunca varre, pia.
sempre suja, mia.
vaidoso, com taça de champagne e longa cauda aberta em leque.
venta, aventa, avoenta.
se disser que é espumante, se transforma.
arrulha, mas se disser que é pombo, se transtorna.
se disser que é rola, se enamora.
pobre piaçaba!
nunca varre, pia.
sempre suja, mia.
quarta-feira, 21 de março de 2018
Conversa de boteco
"Você é uma pessoa horrível, uma mistura do mal com atraso e pitadas de psicopatia."
em um boteco, não se ouve essa receita e não se vê esse prato.
o ambiente é mais familiar.
sábado, 17 de março de 2018
Quasiguais
Supercolônia de pinguins nas Ilhas Danger
Foto: M.Polito/LSU
https://goo.gl/z3VRSn
***
há uma beleza no tudoigual.
mais bela, porém, é a sutileza de ver os nãoiguais.
quinta-feira, 15 de março de 2018
Grande esforço
Eis algo que me exigiu e sempre continua a exigir um grande esforço: compreender que importa muito mais como as coisas se chamam do que aquilo que são.
Friedrich Nietzsche
quarta-feira, 14 de março de 2018
Nossa estirpe
Somos apenas uma estirpe avançada de macacos em um planeta
menor de uma estrela muito comum. Mas podemos entender o universo. Isto nos
torna muito especiais.
Stephen Hawking
+14 mar. 2018
terça-feira, 13 de março de 2018
Alvinegro no Antônio Carlos
"A véspera de Natal trouxe o terceiro vértice dessa trindade que precisará, sem trocadilhos, fazer mágica para que essa estrela tão desejada vá se alojar no peito da camisa que eternamente luta, no varal, contra o vento e a tempestade. Bebeto de Freitas está de volta, unindo-se a Alexandre Kalil e Emerson Leão para recolocar o Atlético no caminho dessa estrela, espectador de luxo nos últimos anos."
24 dez. 2008
***
Bebeto de Freitas partiu.
Será visto, certamente, no Campos dos Sonhos, sorrindo, com a camisa do Botafogo.
domingo, 11 de março de 2018
Número e numérico
quando as palavras não são suficientes, use números, pois eles têm uma linguagem estupidamente cordial. não use cifras, pois elas são pedras numeradas e numéricas, jamais números.
na sutileza reside a verdade.
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