quarta-feira, 31 de julho de 2013

Velha infância

Agradecimento aos Tribalistas
Tributo aos 12 anos do Caneteiro

E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
A gente brinca
Na nossa velha infância...

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A encantada

Na semana que passou, mais exatamente no dia 23 de julho, faltou a este blog comemorar os dez anos de amizade com a maior de vidente de BH, Dona Quiméria. Em 2003, no auge da performance da China Azul, juntou-se a nós essa figura única e seus fiéis escudeiros, Chicão e Luisinho, para que pudéssemos prosseguir com as míticas narrativas atleticanas.

É impossível olhar para a Arquibancada Atleticana e não vê-la entre aquele mundo de gente alvinegra, aquele mar de sorrisos e lágrimas, aquela onda de vozes de fé. A ela, Dona Quiméria, a quem chamamos carinhosamente de "A encantada", nosso agradecimento e nosso amor incondicional.

domingo, 28 de julho de 2013

O galo celestial

De acordo com os chineses, o galo celestial é uma ave de plumagem de ouro, que canta três vezes por dia. A primeira, quando o Sol toma seu banho matinal nos confins do oceano; a segunda, quando o Sol está no zênite; a última, quando afunda no poente. O primeiro canto sacode os céus e desperta a humanidade. O galo celestial é antepassado do yang, princípio masculino do universo. Dispõe de três pés e faz seu ninho na árvore fu-sang, cuja altura chega a centenas de milhas e que cresce na região da aurora. A voz do galo celestial é muito forte; seu porte, majestoso. Põe ovos dos quais saem pintos de crista vermelha que respondem a seu canto pela manhã. Todos os galos da Terra descendem do galo celestial, que também se chama ave da aurora.
Jorge Luis Borges

sábado, 27 de julho de 2013

Sem você

dez anos sem você. antes, os dias. agora, as noites adormecidas.
suas irmãs, lindas e graciosas, não têm o encanto de sua voz, a doçura de suas curvas.
não há mistério, não há mágoa.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

quinta-feira, 25 de julho de 2013

O canto do vento

o vento que varre as montanhas de Minas
canta, solitário e destemido, que a batalha findou.
randômica, os mais tolos acreditam ser eco.
não reconhecem a sempiterna voz da massa alvinegra.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Eu acredito

Et post dies octo iterum erant discipuli eius intus, et Thomas cum eis. Venit Iesus ianuis clausis et stetit in medio et dixit: “Pax vobis!”. Deinde dicit Thomae: “Infer digitum tuum huc et vide manus meas et affer manum tuam et mitte in latus meum; et noli fieri incredulus sed fidelis!”. Respondit Thomas et dixit ei: “Dominus meus et Deus meus!”. Dicit ei Iesus: “Quia vidisti me, credidisti. Beati, qui non viderunt et crediderunt!”.
João 20: 26-29

terça-feira, 23 de julho de 2013

Piada pronta

Para José Simão

A presidenta disse, no discurso de boas-vindas ao Papa Francisco, que a fé faz parte da alma do brasileiro. Esqueceu-se ela de dizer que também faz parte do vocabulário brasileiro. "Fé da puta!"

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Recado presidencial

Avisemos à Presidenta que, nesse país, o Português (a língua) não pode ser abreviado como PT.

domingo, 21 de julho de 2013

1995

Cabe tudo aqui dentro.
E essa ideia de prazer
e esse mundo lúdico
nunca vêm de dentro
está tudo no exterior

sábado, 20 de julho de 2013

O jabuti

- Por que corre, coelho?
- Porque o caminho é longo, jabuti. Você não corre?
- Não, apenas caminho.
- Mas assim você não chega, jabuti.
- O meu caminho, coelho, ainda não existe, eu o faço.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Andrógina banana

a roupa a que chamamos casca é um vestido único de três zíperes que envolve a fálica fruta.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Sempre preto e branco

Em todas as lutas vence o mais forte, o que bate mais, o que se cansa menos. O cansaço é a principal causa de todas as derrotas. Quem aguenta um minuto mais que o parceiro está vencedor.
Monteiro Lobato
 
Somos alvinegros. Sempre. Nada mais atleticano do que o preto e branco, do que o barroco sentimento claro e escuro. Quando nos esquecemos dessa máxima e nos tornamos apenas brancos, ou apenas pretos, deixamos o espírito atleticano de lado: um corpo sem espírito é apenas um corpo.
 
Não somos o time que joga apenas com técnica, apenas com raça. Não nos define só a defesa, ou só o ataque; ou só a cadência, ou só a velocidade; ou só toque de bola, ou só bola rifada; ou só a tradição, ou só a inovação. Só, nada nos define, porque não somos sós, não estamos sós.
 
Na Arquibancada Atleticana, não há só homens, só mulheres, só crianças, só velhos, só ricos, só pobres, só escolados, só desescolados, só gênios, só tolos, só brancos ou só pretos. Todos estão lá, juntos, no maior movimento civil não organizado de Minas Gerais. Nós não choramos só nas derrotas, nem só rimos nas vitórias, nós choramos nas vitórias e rimos, enlouquecidos, nas derrotas.
 
Nós não somos o time do passado, tampouco o do futuro: nós somos o time do presente, seja ele doce ou amargo, principalmente porque, para muitos, melhor é o amargo do que o doce. Nós não perdemos de véspera (afinal, somos Galo, não peru), e também não ganhamos na posteridade: nossas lutas são durante os noventas minutos e mais o que o destino nos apresentar (prorrogação ou pênaltis).
 
Nós somos da Arena Independência e também do Mineirão. Nós somos de Minas, do mundo misturado de Rosa e do sentimento do mundo de Drummond. Por isso, nossos jogos são um mundo de emoções, um mundo de possibilidades, um mundo de aventuras (como tão bem gostam as crianças). Por isso, nossa torcida é um mundão de gente, é um mundo de tipos e de vozes, de cores, de cheiros, de olhos, de falas, de dentes e de crenças.
 
Misturados, pretos e brancos, brancos e pretos, podemos escrever mais uma página heroica em nossa história na próxima quarta-feira. Precisamos, para isso, da “bagunça organizada”, da vibração e da inspiração juntas, dos pés em campo e das mãos na arquibancada, do amor e do terror (não entendido como violência, mas como imposição de superioridade ao adversário), do ideal e do real, do jogo inequívoco de claros e escuros.
 
Não é o momento de desânimo, mas de credo, de fé, de batalha. Lutemos por esse sonho para que, ao término, possamos sonhar com essa luta.

domingo, 14 de julho de 2013

Alteridade

o que levaria uma pessoa a tatuar a área branca dos olhos e inserir um soco inglês de silicone sob a pele? o mesmo que levaria alguém a ler, em um jornal, numa manhã de domingo, essa peculiar atitude.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Tesouro

com quantas moedas falsas se constrói um tesouro?
em um mundo falso, toda moeda é um tesouro.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Quase lá

- Chegamos?
- Ainda não.
- Falta muito?
- Mais duas semanas.
- Semanas é medida de tempo, não de espaço.
- Para nós, agora, tempo e espaço são listras brancas e negras.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Eminência parda

Há pessoas a quem não deves dar a mão, mas apenas a pata: e desejo que tua pata tenha também garras.
Friedrich Nietzsche

domingo, 7 de julho de 2013

Óctogono

o amarelo não faz uma abelha, assim como a leveza do deslocamento não indica uma borboleta.
a derrota é fruto de uma minúscula que se leu maiúscula: ali não era Ali.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

1993

Em em 7 de abril 1993, o Newell's Old Boys venceu o São Paulo por 2x0 em casa, pelo jogo de ida das oitavas-de-final da Copa Libertadores. No jogo de volta, em 14 de abril, o São Paulo venceu por 4x0, eliminou o time argentino e arrancou para o título de campeão das Américas.
Em sete dias, uma nova história será contada, mas o roteiro não será tão novo. A camisa alvinegra que tremula, mas não teme, segue lutando no varal.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Mangue...

aquele que busca o caranguejo não percebe que está tão imerso quanto a caça e, cavando, grita: "- é por aqui! é por aqui!"
nesse caminho, crê que o homem veio da lama e à lama deve voltar.

terça-feira, 2 de julho de 2013

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Mar de vento

"Os livros não são feitos para acreditarmos neles, mas para serem submetidos a investigações. Diante de um livro não devemos nos pergun...