segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

2012

ano duro, duro ano
ao fim e ao cabo
os risos excederam as lágrimas
seguem as linhas tortas

sábado, 29 de dezembro de 2012

Palavras e cousas

"[...] parece que não vês que as palavras são rótulos que se pegam às cousas, não são as cousas, nunca saberás como são as cousas, nem sequer que nomes são na realidade os seus, porque os nomes que lhes deste não são mais do que isso, os nomes que lhes deste."
José Saramago

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Eminência

a velha eminência parda sofre com a senilidade
com a debilidade não, pois sempre foi débil
sempre parca, sempre obtusa
sempre bem relacionada

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Renascimento

alguns ouvem o galo cantar
outros seguem uma estrela
não-iguais são os que ouvem a estrela cantar

domingo, 23 de dezembro de 2012

Original

"Habitualmente, o que é original é olhado com espanto, às vezes até adorado, mas raramente compreendido; evitar obstinadamente a convenção significa não querer ser compreendido."
Friedrich Nietzsche

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Sobre a beleza

"Ninguém nota a ausência da mulher apenas bonita. A beleza é pouco para a mulher."
Nelson Rodrigues

domingo, 16 de dezembro de 2012

São Jorge

São Jorge, de Rafael Sanzio
 
"Em todos os casos, são Jorge realiza a sua empresa diante de nossos olhos, sempre encerrado em sua couraça, sem nada revelar de si: a psicologia não foi feita para o homem de ação."
Italo Calvino

sábado, 15 de dezembro de 2012

São Jerônimo


 
São Jerônimo, de Caravaggio
 
"Entre os utensílios do eremita há até um crânio: a palavra escrita tem sempre presente a anulação da pessoa que escreveu ou daquela que lerá. A natureza inarticulada engloba em seu discurso todo o discurso humano."
Italo Calvino

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Luzia

a luz de meus olhos, Luzia, brilha por sua graça.
meus olhos, Eustáquio, cintilam por sua bondade.
para quem conheceu as trevas, a luz é renovada esperança.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A pimenta da data

Belo Horizonte completa hoje 115 anos e meu avô, Cesário Mendes Cerqueira, 116 anos. A cidade e música não envelhecem, se reinventam e nos inventam.

sempre 12 de dezembro
não importa o ano
só a história
(muitas vezes hestória)

o ano é a pimenta da data

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O retorno

“Lá fora,
Todos os corações procuram a sua órbita
Novas propostas pro mundo
Novos encaixes pras coisas
Que ainda não estão no lugar
Atento às diversidades
Em busca da chacrete espacial
É preciso provar das loucuras
Ativar novas possibilidades
De volta ao Planeta dos Macacos”.
                        De volta ao planeta dos Macacos, Jota Quest.

Cansei de ser símio, é hora de voltar a ser macaco.

domingo, 9 de dezembro de 2012

Sentimento atleticano

O texto reproduzido abaixo, tal qual foi redigido, é de 2001, resultado da epopeia diluviana em São Caetano do Sul. Contém problemas de língua portuguesa, mas é relevante para o "Álbum de Família".
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O texto se refere à partida São Caetano x Atlético, realizada em 09 de dezembro de 2001 e válida pela semifinal do Campeonato Brasileiro daquele ano.
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De grandes épicos e dramas é feita a História do Galo. Quantas vitórias inesquecíveis, momentos de glória e, em seguida, tempos de desconsolo e abandono. Falar desta hereditariedade alvinegra é chover no molhado e é, pois, onde quero chegar. Que chuva ontem em São Caetano! As águas rolavam e pareciam não acabar mais e, após o jogo, uniram-se às lágrimas dos abandonados, aumentando ainda mais o frio, o cansaço e a desolação. Ontem, em São Caetano do Sul, senti a falta de Noé. Sim, o da Arca! O homem, que reuniu os animais para salvá-los do grande dilúvio, não apareceu no Anacleto; veio as águas, mas não veio a Arca. Afogamos.
Você não deve saber porque o estádio tem o nome de Anacleto Campanella, assim como eu também não sei: pensei no CAM na panela. Trocadilho estúpido!
Sou torcedor daqueles que vão a campo e vibram, torcem, gritam, xingam, ficam revoltados na derrota e orgulhosos na vitória. Acabou o jogo, acaba a exaltação; comento e discuto, mas pronto. Sem brigas e sem tumultos. Além disso, eu também não tenho mais idade para ficar indo ao campo de Futebol. É, mas ontem eu estava lá!
Eu e mais alguns torcedores, fanáticos, apaixonados e mais outros adjetivos usados para descrever esta peculiar figura de nome torcedor. Peculiar como o clone do Curley (o gordo dos Três Patetas) e sua máxima de vida: “Quem come qualquer coisa está sempre mastigando!”; ou o sósia do Mister M, que não conseguiu fazer a mágica de classificar o Galo.
Antes, tudo é festa; é a empolgação dos 3x0, 2x0, 1x0 e dos 5x0. É, torcedor gosta de mão cheia! Ah, se fosse fácil assim! Planos para Curitiba ou quem sabe o Rio de Janeiro, em busca do tão sonhado título. Que já veio, mas que está tão longe quanto o ano de 1971. Planos de casa cheia no próximo domingo no Mineirão, de vitória esmagadora sobre o adversário e com direito a show de Marques, gols de Guilherme, defesas espetaculares de Velloso e de apresentação impecável de Ramón e Gilberto Silva. Aí vieram a água e o poeta: “nunca me esquecerei desse acontecimento na vida de minhas retinas tão fatigadas”.
Chegou a água, acabou o futebol e pelo leito sujo do rio azul foi-se o nosso sorriso. O espírito peladeiro de jogar “debaixo de um toró”, tão velho quanto à expressão, já foi esquecido, por alguns, do Galo. Em compensação, outros pareciam estar em casa. Cleisson e Gilberto Silva demonstraram o que é o espírito alvinegro: se não há como mostrar técnica, mostra-se vontade, raça e determinação. Ainda assim, não deu. Dois cruzamentos e duas cabeçadas selaram nosso destino. E o sofrimento maior foi ver o Mancine fazer o cruzamento do primeiro gol. Castigo! Era tudo o que eu não queria ver.
Chuva, frio, derrota e o itabirano de novo: E agora, José? Voltar para Belo Horizonte, tomar um banho quente e um café forte e recomeçar a segunda-feira. Terminou? Não. A volta guardava surpresas.
O vôo que traria a rotina de volta, trouxe a nós e parte da delegação do Galo. Os torcedores aproveitaram para lavar a alma e como em um confessionário, revelaram mais que falaram. É claro que alguns falaram demais e até bobagens, mas torcedor é assim, apaixonado. Um torcedor limitava-se, de tempos em tempos, em bradar sua opinião:
– GALO DOIDO!
Outro fazia uma lista de renegados. Não perdoou a ninguém, nem a ele mesmo. Enquanto ouvia as lamentações, lembrei-me de Nelson Rodrigues e de suas histórias, e a cada ladainha iniciada vinha a afirmação de como somos humanos. É bonito, mas não presta; mas é bonito; mas não presta; é, não presta, mas é bonito. E assim foi o tom do desabafo da maioria daqueles torcedores voltando para casa.
Não gastei minha voz no avião, porque o pouco que restava seria útil hoje. Minhas últimas palavras urradas foram ao término do jogo, quando o Goleiro Atleticano saía de campo, desolado.
Assim prosseguimos nesta tarefa prazerosa, às vezes dura, de ser atleticano e de gritar GALO. Resta-nos o Hino, alma atleticana, e a esperança do próximo anos. Para encerrar, uso a frase de um daqueles torcedores anônimos:
– Eu torço é para a minha esposa, porque o Galo eu amo!

sábado, 8 de dezembro de 2012

MCM

ouviram que falta "massa crítica mínima" se referindo a eles e aplaudiram.
realmente, é melhor separar.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Promessa

de que vale o sétimo céu para quem não acredita em Deus?
de que vale o sétimo andar para quem não acredita em escada?

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Ensinamento

não tema a morte, pois ela é a parte mais suave da existência.
não se apegue a tolos metais, pois a forja que nos espera só trabalha com Fe.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Água a bordo

vivemos um período em que a água toma conta de nossa embarcação e a maioria se preocupa em não molhar os pés. acredita, essa massa acrítica, que a água sairá por si própria.
já os ratos, esses não se preocupam nada, porque não morrem nunca.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

PA

o serviço de pronto atendimento médico tem mostrado que a medicina é (se não tiver se tornado) um jogo de tentativa e erro, além, é claro, de um balcão de negócios.
para que servem os bons relógios se não sabem como usar o tempo?

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Nossos antepassados

Italo Calvino escreveu a trilogia "Nossos antepassados", que aborda "a condição humana no século XX: o homem dividido, que aspira à realização plena, para além das mutilações impostas pela sociedade."
Em minha família, identifiquei os três protagonistas de Calvino: o Visconde partido ao meio (o Cônego), o Barão nas árvores (Tio Lulu) e o Cavaleiro inexistente (Luiz Maestro).
Com eles, sabemos quem somos.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Semeadura

não foi o ano que o final de 2011 previu.
foi muito melhor.
não foi o ano que o meio de 2012 sugeriu.
veio o bolo, sem cereja.

já se ouve o ruflar de asas
é 2013 que se aproxima
o ano da colheita alvinegra

sábado, 1 de dezembro de 2012

Energia

para enfrentar o problema de energia e de fontes renováveis que assola nossa sociedade, basta inventarmos um aparelho que transforme a energia e os gritos de nossas crianças em energia elétrica.

Mar de vento

"Os livros não são feitos para acreditarmos neles, mas para serem submetidos a investigações. Diante de um livro não devemos nos pergun...