Para D. Irene, "A tenaz"
Duas mulheres trabalham silenciosamente numa máquina de costura.- É a senhora, vó?
- Sim, meu filho. O que faz aqui?
- Eu queria saber...
- Você é muito novo para isso.
- Mas eu queria...
- Com o tempo, você aprenderá...
O garoto encolheu os ombros.
- Que isso, meu filho? Sua avó acabou de dizer que é uma questão de tempo e você se desanima?
- Desculpe, senhora. Eu a conheço?
- Meu nome está sempre nas palavras de sua mãe e nos ouvidos de sua irmã. Você não me conhece, mas eu o conheço bem. Carregamos o mesmo sangue. Somos aqueles que sempre insistem...
O garoto se surpeendeu com a resposta e não segurou as lágrimas.
- Eu achei que a senhora...
- Não, meu filho, estou aqui.
A avó do menino retomou a palavra:
- Você corta bem, mas precisará aprender a costurar. Enquanto não coser, nosso encontro seguirá mudo. Sem sentido. Sem explicação. Quando unir os pontos, ouvirá nossa voz.