quarta-feira, 29 de junho de 2016

São Pedro

tantas não-chuvas recebidas, Apóstolo,
tantos trovões na Machado
tantos raios em uma igreja

para que precisaríamos de uma pedra para edificar se somos essencialmente pétreos?

sábado, 25 de junho de 2016

A dor da noite

Para Vanessa Ives
a beleza demoníaca
as palavras angelicais
a besta-fera do não-eu

findado o termo
que nesta terra encerra
seus sublimes olhos verdes
serão armas

cortantes como uma lembrança
duplos como a existência
silenciosos como a morte

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Partir, andar

Agradecimento aos Paralamas

Partir, andar, eis que chega
É essa velha hora tão sonhada
Nas noites de telas acesas
No clarear da madrugada
Só uma ribalta anunciando o fim
Sobre o mar, sobre a calçada
E nada mais me prende aqui
Dinheiro, grades ou palavras

Partir, andar, eis que chega
Não há como deter a alvorada
Pra dizer, Pilathos sobre a mesa
Pra se mandar, o pé na estrada
Tantas mentiras e no fim
Faltava só uma palavra
Faltava quase sempre um sim
E agora já não falta nada

Não me atingi
por um triz
com o que me faz infeliz.
Por tanto não querer,
não há raiz.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Ressurreto

- Você falava, eu via seus lábios se movendo, mas não havia palavras em sua boca. Não havia som.
- É uma questão de tempo: minhas palavras eram passadas, e o nosso silêncio, presente.
- Como vou saber o que dizia? Ou melhor, como saber o que não dizia?
- Saiba que aquelas palavras me ressuscitaram e me trouxeram neste sonho. Ao acordar, elas permanecerão mudas, o sonho não voltará mais, e esta conversa será a prova de que sempre há palavras.
Sempre.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

De presente

Essas palavras que escrevo me protegem da completa loucura.
Charles Bukowski
***
Nada como alguém que sabe nosso manequim para um presente sob medida.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Forte fé

O anseio de uma forte fé não é a prova de uma forte fé, antes o contrário. Tendo-a, podemos permitir-nos o luxo do ceticismo: somos seguros o bastante, firmes o bastante, "ligados" o bastante para isso.
Friederich Nietzsche

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Cadu

No esporte em Minas, há dois Cadus: o Doné, que joga na Itatiaia, e o Doença, que engana no Galo. Aquele é um bom comentarista, lúcido; este, uma fabricação de sabe-se lá quem, estilo totó. A tristeza é saber que para nome não há remédio.

domingo, 12 de junho de 2016

Namorados

- Romeu, não há esperança para nós - disse a goiabada.
- Julieta, nossas vidas serão entrelaçadas para sempre na fria lâmina - respondeu o queijo.
- Romeu, adeus.
- Julieta, partamos juntos.
"Que drama para uma simples sobremesa", pensou o guardanapo que limpou a cena do crime.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

De Tamanduá a Itapecerica

LEI N. 2955 DE 19 DE OUTUBRO DE 1882

Eleva á cidade, com o titulo de Visconde do Rio Branco, a villa do Presidio, e contem outras disposições.

O Doutor Theophilo Ottoni, Presidente da provincia de Minas Geraes: Faço saber a todos os seos habitantes, que  a Assemblea Legislativa Provincial decretou, e eu sanccionei a Lei seguinte:

Art. unico. Fica elevada á categoria de cidade, com o titulo de Visconde do Rio Branco, a villa do Presidio.
§1.º A comarca do Paranahyba passará a denominar-se comarca do Araxá, e a do Sapucahy – comarca de Lavras.
§2.º A cidade do Tamanduá denominar-se-ha cidade de Itapecerica.
§3.ºA parochia de S. João de Suassuhy, do termo do Suassuhy, denominar-se-ha – S. João Evangelista.
§4.º A freguezia de N. S. do Desterro, cuja séde foi transferida para o arraial de S. Sebastião do Curral, pela Lei n. 2775 do 1.º de Outubro de 1881, fica denominada – parochia de S. Sebastião do Curral.
§5.º No artigo 3.º da Lei n. 1676 de 21 de Setembro de 1870, onde se lê – Barreiro, lêa-se – Ubaseiro; revogadas as disposições em contrario.

Mando, portanto, a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nella se contem. O Secretario desta Provincia a faça imprimir, publicar e correr. Dada no Palacio da Presidencia da Provincia de Minas Gerais, aos dezenove dias do mez de Outubro do Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e oitenta e deus, sexagesimo primeiro da Independencia e do Imperio.

THEOPHILO OTTONI                    

Sellada e publicada nesta Secretaria, aos 21 de Dezembro de 1882.
Camillo A. M. de Brito


http://www.siaapm.cultura.mg.gov.br/modules/leis_mineiras_docs/photo.php?lid=73081

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Solteiridade

A solteiridade não é medida em anos, mas em ações; nada tem a ver com o estado civil, havendo solteiridade em casados e casaridade em solteiros. A casaridade e a solteiridade estão, mais ou menos, como os termos essenciais da oração, o sujeito e o predicado, respectivamente. Como na gramática, são definidos como termos essenciais, ou seja, aqueles que não podem estar ausentes. Porém, como na gramática, há oração sem casaridade, mas não sem solteiridade.

Trecho de "Solteiridade", publicado originalmente em 2005.

terça-feira, 7 de junho de 2016

De villa a cidade de São Bento do Tamanduá

LEI  N.º 1148 – De 4 de outubro de 1862.

Carta de Lei que eleva á cathegoria de Cidade a Villa de S. Bento do Tamanduá.

O Coronel Joaquim Camillo Teixeira da Motta, Cavaleiro da Ordem da Rosa, e Vice-Presidente da Provincia de Minas Geraes: Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembléa Legislativa Provincial Decretou e eu Sanccionei a Lei seguinte:

Art. 1.º Fica elevada á cathegoria de Cidade a Villa de S. Bento do Tamanduá com a denominação de – cidade de S. Bento do Tamanduá.

Art. 2.º Ficão revogadas as disposições em contrario.
Mando por tanto a todas as Autoridades a quem o conhecimento e execução da referida Lei pertencer, que a cumprão e fação cumprir tão inteiramente como nella se contem. O Secretario desta Provincia a faça imprimir, publicar e correr. Dada no Palacio do Governo da Provincia de Minas Geraes aos quatro dias do mez de Outubro do anno de Nascimento de Nosso Senhor Jezus Christo, de mil oitocentos e sessenta e dous, quadragesimo primeiro da Independencia e do Imperio.

(L.S.)                                      Joaquim Camillo Teixeira da Motta.

Silverio Teixeira da Costa a fez.

Sellada na Secretaria do Governo da Provincia de Minas em 6 de Outubro de 1862.
João Pinto Moreira

Nesta Secretaria do Governo foi publicada a presente Lei aos 27 de Outubro de 1862.
João Pinto Moreira.


Fonte: http://www.siaapm.cultura.mg.gov.br/modules/leis_mineiras_docs/photo.php?lid=66193

segunda-feira, 6 de junho de 2016

O dia D

havia um peso sobre o Dia D,

hoje
homogeneizados
conectados
massificados
até os dias sofrem de obesidade


domingo, 5 de junho de 2016

Divisão da queda

A queda do Givanildo, agora ex- treinador do América, será creditada metade à diretoria do Cruzeiro e metade à diretoria do Galo. O Cruzeiro, ao realizar uma economia porca na contratação do treinador, permitiu que o elenco não se transformasse em time, que a equipe fosse eliminada pelo América não chegando à final do Mineiro.
Quanto à metade do Galo, uma parte é da Diretoria por ter contratado, mantido e demorado a dispensar o Aguirre. A outra é do próprio Aguirre, por tantas invenções e insistências sem juízo e, principalmente, por ter perdido o título do Mineiro para o América: o elenco era superior, havia mais padrão tático e mais qualidade individual e, mesmo assim, o técnico não conseguiu vencer um acuado coelho no segundo tempo do jogo decisivo.
Aguirre não soube gastar e não soube poupar. Perdeu, foi embora e deixou a fatura dessa lambança para a Arquibancada Atleticana: um semestre perdido, duas eliminações para times inferiores e um departamento médico que mais parece um posto de saúde.
Por ter vencido Cruzeiro e Atlético, uma nuvem de esperança se formou sobre o América, mas não tardou a primeira brisa da Série A do Brasileiro mostrar que os dentes do coelho não estavam tão afiados quanto se pensava.

sábado, 4 de junho de 2016

A borboleta e a abelha

O impossível é apenas uma grande palavra usada por gente fraca, que prefere viver no mundo como ele está, em vez de usar o poder que tem para mudá-lo, melhorá-lo. Impossível não é um fato. É uma opinião. Impossível não é uma declaração. É um desafio. Impossível é hipotético. Impossível é temporário. O impossível não existe.
Muhammad Ali

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Mar de lama

O mar de lama da Samarco passa lentamente.
O da Lava-Jato, não há represa que contenha.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Radicalização

Confundida com Uber no DF, família é perseguida e espancada por taxistas

Em um país desacreditado como o nosso, em que o nome de ministros do STF circula levianamente na boca de acusados e envolvidos na Lava-Jato, em que ações trabalhistas demoram anos para chegarem a uma solução e que a Polícia fica aquém de suas atribuições em virtude de leis flácidas e de um Judiciário inchado, nada mais esperado do que a organização de grupos para legislação própria.

Enquanto as autoridades não se propuserem a entender esse fenômeno de radicalização pelo qual passa o Brasil, que teve instalação mais acentuada durante o 2º turno da campanha presidencial de 2014, notícias como essa se repetirão diariamente. Antes restrito aos campos de futebol com facções organizadas de torcida, esse movimento avançou socialmente e atingiu outros públicos.

Quando o país não estava bem durante o primeiro ano do novo mandato da presidente Dilma, não era difícil encontrar adesivos em carros com a seguinte frase: "A culpa não é minha. Eu votei no Aécio." Ou uma campanha para quitar a dívida do país por meio da divisão do valor devido pelos 54 milhões de eleitores da presidente, mostrando claramente de quem era a "culpa".

Agora, com o afastamento da presidente Dilma, o temor pelo momento de transição atual, de recessão e de crise política em que vivemos encontra, com certa facilidade, o seguinte argumento: "Você não ajudou a tirar a presidenta? Então não reclame. A culpa é sua."

Essas atitudes são indicativos de que educação e cultura precisam vencer as próximas e as subsequentes eleições. Saúde, emprego e segurança pública são pautas de candidatos vencedores, mas não se sustentam no longo prazo se não estiverem ancoradas em educação e cultura. Enquanto não mudarmos essa lógica de "quem não está comigo está contramigo", "só nós teremos razão", o que não é razoável.

As opiniões discordantes são importantes, o debate político, extremamente válido, e as posições ideológicas devem ser sempre respeitadas, sem que essas diferenças interrompam ou obstruam o país, pois não adianta torcer pelo iceberg quando se está dentro do Titanic.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Tamanduá


Tamanduá. Villa da provincia de Minas-Geraes, na nova comarca de Rio-Grande, cercada de varios ribeiros que dão origem ao rio Lambari, 20 legoas ao sudoeste da villa de Pitangui, e 40 ao poente da cidade d’Ouro-Preto, em 20 graos e 14 minutos de latitude. No principio do seculo XVIII um semnumero d’aventureiros se derramárão por varios pontos das terras desconhecidas, que forão  ao depois appellidadas Minas-Geraes, por isso que em todas ellas se encontrava ouro em maior ou menor quantidade. Alguns d’elles assentárão vivenda entre o rio de São-Francisco e o Grande, em terras auriferas e de boa lavra, onde a população fez tão rapidos progressos que em 1719 havia já ali perto de 12,000 homens. Sendo o visconde de Barbacena, Antonio Carlos Furtado de Mendonça, nomeado governador da provincia em 1773, conferio o titulo de villa á povoação de Tamanduá, com o nome de São-Bento-de-Tamanduá. Sua igreja, dedicada a este santo, tem por filiaes as igrejas das povoações do Desterro, das Pedras-d’Andaia e de Santo-Antonio-do-Monte. Além da igreja matriz acha-se esta villa ornada com as de N. S. do Rosario, das Mercês e de São Francisco. Em 1805 um de seus moradores, chamado Antonio Trifão Barbosa, intentou fundar um hospital, porém como por si só não tivesse posses para dotal-o com sufficiente patrimonio, veio um tão util projecto a parar em nada. O districto de Tamanduá encerra além da freguezia da villa, a de Bambuhi e Campo-Bello, nelle tambem se achão as serras da Canastra, da Parida e da Marcella; porém tem sido por diversas vezes desmenbrado, tirando-se d’elle os districtos das villas da Formiga e de Piumhi, que forão ulteriormente creadas, e apezar d’estes córtes ainda assim se avalia a sua população em 8,000 habitantes entre mineiros, comerciantes de couros, lavradores de viveres e criadores de gado, para bastecimento da cidade do Rio-de-Janeiro. Está-se fazendo neste districto uma nova estrada para Goyaz, mais curta que a antiga, que passava pelo rio de São-Miguel, cujas exhalações são tão nocivas á saude. A nova estrada deve ter uma ponte sobre o rio de São-Francisco, e passar entre os rios de São-Miguel e Bambuhi. (p.678-679)

Mar de vento

"Os livros não são feitos para acreditarmos neles, mas para serem submetidos a investigações. Diante de um livro não devemos nos pergun...