A sinceridade é tão valiosa quanto os amigos. Use-a para eles.
Aos outros, fique à vontade.
domingo, 31 de janeiro de 2010
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
34
É Clemente porque não se mistura.
É Mendes porque mistura.
É branco porque reflete, é preto porque absorve.
O equilíbrio está no caos.
É Mendes porque mistura.
É branco porque reflete, é preto porque absorve.
O equilíbrio está no caos.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Resenha
Manhã de segunda na Cidade do Galo. O sol, desperto pela sinfonia inconfundível do galinheiro, se alonga para iniciar a aquentação do dia na busca incansável de alguma novidade sobre a terra. A porta se abre e Dona Quiméria, com o pé direito encontrando o quintal, faz o nome do Pai, beija a mão e convoca os tenores com um chamado: “Galo!”. O que era sinfonia vira charanga, numa festa e numa alegria dignas de final de campeonato, com direito a repiques, ruflar de asas e batucada de pés e bicos.
– Brigada, meus menino! – agradece Dona Quiméria ao término da folia.Com a xícara de café na mão e atentamente observada pelo Chicão, Dona Quiméria se dirige a seus “meninos” e começa a resenha de todo pós-jogo. O primeiro a receber os dois punhados (de ração e de orientação) é o galo de nome “Nº.1”:
– Meu fio, ocê tava nervoso ontem? Tinha hora que ocê parecia tá enroscado numas teia de aranha, tinha hora que ocê parecia a própria aranha de tanto reflexo e precisão. Fica tranquilo. Faz o que ocê sabe e tudo vai dá certo.
O galo olha atentamente para Dona Quiméria.
– Eu sei que ocê fala pouco, é meio tímido, mas isso num é pobrema. Aos poucos, as coisas vão se acertar.
Acaricia o galo e parte para os próximos, despejando a lição.
– Ocês precisa treiná mais. Tão batendo cabeça de mais e isso pode complicá a gente mais pra frente. Se ocês tiver mais seguro, o Nº.1 vai ficá mais tranquilo. E ocê, Gringo, parabéns! Gostei muito da sua estreia, muita tranquilidade e pouca botina. Se continuá assim, vou batizar ocê.
Um pouco mais à frente, Dona Quiméria para e observa um galo que cisca.
– Ocê tá ciscando de lado, Ricardinho! Num pode ser assim, meu fio! Num é atoa que bico de galo tem formato de frecha: é pra apontá pra que lado nós temo que ir. Pra frente! Sempre pra frente!
Joga a ração e prossegue:
– Ocês outro que tavam do lado dele têm que prestá atenção e ficá mió posicionado pra facilitar a coisa pros menino da frente. Ocê, Carioca, tá muito butineiro. Cada ciscada é uma minhoca. Fica frio.
Voltando a falar para aqueles quatro:
– Óia aqui, deixa eu mostrar pr’ocês. Cês tão vendo o Tardelli lá na frente? Vê bem a posição dele e observa a vasilha d’água.
Dona Quiméria assovia e o Tardelli olha para ela.
– Cês tão vendo esse mio? Finge que é a bola. É assim que ocês tem que fazê. – e lança o milho na direção da vasilha d’água. Tardelli, na corrida, salta e engole o milho antes que caísse na água.
– Tão vendo? Se fizê assim, tá no papo. Num tem erro.
Aproxima-se do Tardelli e afaga-lhe a cabeça, distribuindo uma quantidade generosa de ração.
– Meu fio, ontem num foi muito fácil, mas num esquenta a pioeinta não. Quando a bola começá a chegar mais vezes e com mais qualidade, o caminho do gol vai se abrir. Pode preparar as bala porque daqui a pouco a metralhadora tá de volta.
Enquanto o Tardelli come, vira para o galo que estava próximo dele.
– Ocê jogou bem ontem, meu fio! Gostei de ver. Ocê é novo na casa, mas já vi que é mió que seu antecessor. O que foi embora era bão, mas, como diz meu afiado, só tinha dois neurônio. – rindo sozinha. Se ele tivesse mais, tava na seleção. É um menino bão, mas parecia que num queria ficar no nosso time... Pega o galo no colo e cochicha no ouvido dele:
– Ocê é o galo do caneco, mas num conta pra ninguém.
Com a resenha concluída e o sol clareando o quintal, Dona Quiméria entra em casa acompanhada do Chicão e se assenta para telefonar.
– Vou ligar pro seu padrinho, Chicão.
O cachorro late e pula de satisfação, sobe em Dona Quiméria e lambe-lhe o rosto.
– Tá certo, tá certo. Eu deixo ocê falar com ele.
No velho telefone de disco, negro como a noite, com números alvos como leite:
– Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!
– Para sempre seja louvado. – responde uma voz masculina do outro lado.
– Roberto, meu fio, saudade d’ocê! O campeonato começou ontem...
Mais uma vez, todos os atleticanos se unem, de todos os cantos do mundo, do além e do aquém, para mais uma batalha que se inicia. No horizonte, há um novo varal.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Irroyal
Só uma publicação ficciosa apresentaria uma descendente dos Orleans e Bragança como princesa.
Só uma publicação faburlosa apresentaria uma coleção vitrífica como realesca.
Só um público faceiro impercebe que a poeira da princesa é similar ao pó de ouro da coleção.
Só uma publicação faburlosa apresentaria uma coleção vitrífica como realesca.
Só um público faceiro impercebe que a poeira da princesa é similar ao pó de ouro da coleção.
sábado, 16 de janeiro de 2010
O Engenhoso
Meu avô não gostava de adjetivos.
Pai, esposo, avô e cruzeirense bastavam.
Para os Clemente, "clemente" nunca será adjetivo.
Meu avô gostava de verbos. Nada de frase longas.
Pelo gosto do verbos, ele nunca estará morto.
Pai, esposo, avô e cruzeirense bastavam.
Para os Clemente, "clemente" nunca será adjetivo.
Meu avô gostava de verbos. Nada de frase longas.
Pelo gosto do verbos, ele nunca estará morto.
Trinta e três aniversários sem "O Engenhoso" Luiz Clemente, a quem eu chamo carinhosamente de avô. Anarquismo sim, anarquista jamais.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Corte
A distância corta o espaço, doce como um torrão de açúcar.
O açúcar corta o acre, curto como um ponteiro helvético.
O tempo corta a vida, doce e curto como a morte.
O açúcar corta o acre, curto como um ponteiro helvético.
O tempo corta a vida, doce e curto como a morte.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Biquini
O vocabulário da ilusão escorre pela escritura.
A verdade, grafo do desejo e da lembrança, garfa o tempo.
Não há sol, não há dó, ré é impossível. Mi está perdido.
A verdade, grafo do desejo e da lembrança, garfa o tempo.
Não há sol, não há dó, ré é impossível. Mi está perdido.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Amarelo
O gato de Alice sorri amarelo.
O gato amarelo de Alice sorri.
Alice de amarelo sorri o gato.
Não importa o amarelo, o gato sempre é o mesmo.
O gato amarelo de Alice sorri.
Alice de amarelo sorri o gato.
Não importa o amarelo, o gato sempre é o mesmo.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
2010
Nada de novo sob o sol, nada de novo sob(re) este blog.
2009 ainda não acabou: estamos no 13º mês do ano cristiano.
2009 ainda não acabou: estamos no 13º mês do ano cristiano.
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