sábado, 11 de junho de 2011

Velha trama

Para D. Irene, "A tenaz"

Duas mulheres trabalham silenciosamente numa máquina de costura.
- É a senhora, vó?
- Sim, meu filho. O que faz aqui?
- Eu queria saber...
- Você é muito novo para isso.
- Mas eu queria...
- Com o tempo, você aprenderá...
O garoto encolheu os ombros.
- Que isso, meu filho? Sua avó acabou de dizer que é uma questão de tempo e você se desanima?
- Desculpe, senhora. Eu a conheço?
- Meu nome está sempre nas palavras de sua mãe e nos ouvidos de sua irmã. Você não me conhece, mas eu o conheço bem. Carregamos o mesmo sangue. Somos aqueles que sempre insistem...
O garoto se surpeendeu com a resposta e não segurou as lágrimas.
- Eu achei que a senhora...
- Não, meu filho, estou aqui.
A avó do menino retomou a palavra:
- Você corta bem, mas precisará aprender a costurar. Enquanto não coser, nosso encontro seguirá mudo. Sem sentido. Sem explicação. Quando unir os pontos, ouvirá nossa voz.

Um comentário:

  1. Sou fiel seguidor desse blog e fazendo jus ao título que ganhei do blogueiro, " O Versado" , gostaria de comentar todas as crônicas, poesias, reflexões, etc, mas infelizmente não tenho a sensibilidade suficiente para compreender tudo o que aqui é publicado.
    Hoje porém é diferente, fico bastante a vontade para comentar.
    Quando eu era criança, a casa da minha Avó era movimentada, cheia de vida, dos cinco netos, só existiam dois, havia almoços, jantares, o guaraná com biscoito champagne das visitas, tinha o Leng, tinha o Rito, tinha jaboticaba no pé, tinha o Fontana, tinha a Luciana, tinha a Dona Sebastiana e sua prole, tinha os carros antigos, tinha o pastel com Mate-Couro do Sr.Mário e D.Leda, tinha a marmita de torresmo do vôlito.
    Nesse tempo a gente ouvia muita música italiana. Tinha uma que me marcou muito, pois minha Avó a odiava, chamava-se " A Casa de Irene", na voz de Nico Fidenco, eu não entendia o motivo, pois para mim representava a alegria e movimento que aquela casa possuía. Tinha um trecho que era assim, " a casa d'irene se canta e se ride , C'e gente che viene, C'e gente che va..."
    Pois bem, a realidade da música é outra, agora eu sei, tudo mudou, tudo passou.
    Era muito bom e nunca vou apagar da minha memória.

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