Em todas as lutas vence o mais forte, o que bate mais, o que se cansa menos. O cansaço é a principal causa de todas as derrotas. Quem aguenta um minuto mais que o parceiro está vencedor.
Monteiro Lobato
Somos alvinegros. Sempre. Nada mais atleticano do que o preto e branco, do que o barroco sentimento claro e escuro. Quando nos esquecemos dessa máxima e nos tornamos apenas brancos, ou apenas pretos, deixamos o espírito atleticano de lado: um corpo sem espírito é apenas um corpo.
Não somos o time que joga apenas com técnica, apenas com raça. Não nos define só a defesa, ou só o ataque; ou só a cadência, ou só a velocidade; ou só toque de bola, ou só bola rifada; ou só a tradição, ou só a inovação. Só, nada nos define, porque não somos sós, não estamos sós.
Na Arquibancada Atleticana, não há só homens, só mulheres, só crianças, só velhos, só ricos, só pobres, só escolados, só desescolados, só gênios, só tolos, só brancos ou só pretos. Todos estão lá, juntos, no maior movimento civil não organizado de Minas Gerais. Nós não choramos só nas derrotas, nem só rimos nas vitórias, nós choramos nas vitórias e rimos, enlouquecidos, nas derrotas.
Nós não somos o time do passado, tampouco o do futuro: nós somos o time do presente, seja ele doce ou amargo, principalmente porque, para muitos, melhor é o amargo do que o doce. Nós não perdemos de véspera (afinal, somos Galo, não peru), e também não ganhamos na posteridade: nossas lutas são durante os noventas minutos e mais o que o destino nos apresentar (prorrogação ou pênaltis).
Nós somos da Arena Independência e também do Mineirão. Nós somos de Minas, do mundo misturado de Rosa e do sentimento do mundo de Drummond. Por isso, nossos jogos são um mundo de emoções, um mundo de possibilidades, um mundo de aventuras (como tão bem gostam as crianças). Por isso, nossa torcida é um mundão de gente, é um mundo de tipos e de vozes, de cores, de cheiros, de olhos, de falas, de dentes e de crenças.
Misturados, pretos e brancos, brancos e pretos, podemos escrever mais uma página heroica em nossa história na próxima quarta-feira. Precisamos, para isso, da “bagunça organizada”, da vibração e da inspiração juntas, dos pés em campo e das mãos na arquibancada, do amor e do terror (não entendido como violência, mas como imposição de superioridade ao adversário), do ideal e do real, do jogo inequívoco de claros e escuros.
Não é o momento de desânimo, mas de credo, de fé, de batalha. Lutemos por esse sonho para que, ao término, possamos sonhar com essa luta.
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