- S'imbora, cambada!
Atravessou o portão que dividia o dela e o de todos e ganhou a rua. Ajeitou a roupa, acertou o cabelo, olhou o grupo, contou os meninos e disse:
- Mulecada, hoje nós vamu fazê um despacho. É hora de mandá a zica imbora e nós vamu tudo junto pra Praça do Papa pra arresorvê essa pendenga. Bora, Luisinho!
Tomou a frente do grupo o Luisinho, Dona Quiméria ao centro e o Chicão protegendo a retaguarda. O dia ainda não estava claro, e a cidade insistia no sono impossível.
Rasgaram a Afonso Penna de ponta a ponta, com pompas e circunstâncias na área do Parque Municipal, e marcharam sobre a Ladeira dos Incautos. Na Praça da Bandeira, uma saudação à tremulante e um olhar afiado para a placa que dizia: "Avenida Agulhas Negras". Dona Quiméria assobiou reunindo a tropa e disse:
- Mulecada, nós vamu precisá disso. - e emendou: - Toca pra frente.
Mais alguns minutos e avistaram os gramados da Papa. Chegaram ao platô, fizeram a vênia à cruz e buscaram se assentar.
- Agora, mulecada, é só isperá.
Horas depois, Dona Quiméria foi despertada pelo rosnar do Chicão.
- Eta, minino bão! Num faia! Na horinha! - e afagou a cabeça do cão.
Subia os metros finais da praça um velho conhecido, arfando e sorrindo, sem perceber que era observado. Quando os cães correram na direção dele, é que se deu conta da trupe.
- Dona Quiméria! - abriu os abraços para cumprimentá-la.
- Eta, cavalo de parada! Na hora como sempre. Sodade d'ocê.
O Chicão se embolou nas pernas do visitante, levando-o ao chão.
- Chicão, seu peste! Já falei que num é pr'ocê derrubá, é só pra cercá. Vem aquiqui eu mostro pr'ocê! - e fez um gesto com a mão, enquanto o cão se afastava sorrindo.
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