Há uma expressão popular que afirma que, para se viver, é preciso matar um leão por dia. Em tempos de crise, como os atuais, essa afirmativa ganha mais força e mais fidelidade, ainda que seja uma expressão politicamente incorreta.
Não é fácil viver em crise e no politicamente correto simultaneamente, pois sempre há alguma expressão ou pensamento que avilte uma pessoa, uma classe ou um bicho (como o caso em questão). Tenho um amigo que se ofende profundamente sempre que ouve alguém dizendo: "é burro como uma porta". O que a pobre porta tem a ver com essa burrice?
Divagações impertinentes à parte, hoje, 8 de julho, data do primeiro ano do fatídico 7x1 da Copa do Mundo de 2014, é preciso matar dois leões. Não apenas aquele nosso de cada dia, que ruge faminto e que nos obriga a suportar muitos (para alguns, todos), que bafeja em nossas têmporas e nos diz "mais, mais, mais", mas aquele da Ilha do Retiro, que nos enfrenta no Mineirão à noite.
Esse leão desceu de Recife, a mesma Recife de onde partimos no final de 2013, velas ao vento, em busca do bávaro vermelho. A expedição fracassou, mas a trupe que se reuniu naquela ocasião nunca mais se separou, graças ao encanto e ao encantamento de Dona Quiméria.
Aquele bávaro vermelho de 2013 é o germe dos bávaros de 2014. Esses de 2014 eram rubro-negros, mais encorpados, mais técnicos e maiores, e quis o destino que eles pisassem o nosso sagrado terreiro sem que nós estivéssemos lá.
Hoje, recebemos um rubro-negro, talvez o mais batavo de todos os leões, com aquele hálito quente que lhe é peculiar. Em 2014, no Horto, foi uma epopeia superar esses Orange, em um jogo difícil, apertado, em que o santo da casa foi expulso e que precisamos contar com toda a Arquibancada Atleticana para os 3x2.
Para hoje, minha epifania de torcedor apaixonado, em que a razão é uma gota mínima no mar oceano, narra um 7x1 para o Galo, menos pela liderança do Campeonato, nada de menosprezo pelo adversário, e mais pelo prazer inconsequente de dizer: "Há um ano, se o Galo estivesse no lugar da seleção, estaríamos na Final."
Para o atleticano, não há impossível. Só o imponderável.
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