Para Elisa Amorim
O que você vê nessa frase, leitor? Alguns dirão que não veem
nada porque ao acordar não abrem os olhos. Outros dirão, barrocamente, que
visualizam o breu do quarto. Há outras respostas possíveis e muito variadas, mas
minha indagação busca o “sujeito”. Onde está o sujeito dessa oração? Se você
ainda não identificou o sujeito, não se preocupe: a intenção dele é não
aparecer.
Esse é o um dos exemplos citados por Celso Cunha em sua Gramática da
Língua Portuguesa. Em um caso como esse, ocorre o sujeito oculto, “aquele que
não está materialmente expresso na oração”. É bom que se destaque que a oração
é de autoria do poeta Augusto Frederico Schmidt. Quem? Para os mais antigos
(quiçá, velhos), um grande poeta que se perdeu junto com “O galo branco”; para
os mais novos, um desconhecido-oculto nos compêndios literários.
Os ocultos anteriormente citados são apenas exemplos de como
o ocultismo está presente em nossa sociedade (em nosso país já derrubou até
presidente). Para todos os lados, há alguma coisa oculta, a ser descoberta, com
uma única exceção: o amigo-oculto. Oculto no amigo-oculto, além do nome, só o
desgosto de ter tirado o nome da figura mais chata do grupo.
Não quero polemizar com os profissionais das ciências
ocultas, mas preciso fazer uma afirmação absoluta. Acredito, inclusive, que
alguém já tenha dito o mesmo: “O futebol é a maior das ciências ocultas”. O
Michaelis me disse que ocultismo é o “estudo das coisas e fenômenos para os
quais as leis naturais ainda não deram explicação”. Eu respondi então:
– Micha, isso é o futebol!
O Sobrenatural de Almeida talvez tenha dito, mas, se não
disse, viveu intensamente todo esse mundo misterioso da bola. Não é sem motivo
que a bola é um conjunto de círculos, que são, por sua vez, o símbolo da
perfeição. E o que é a perfeição senão a metáfora do mistério, do enigma? A
bola gira, e com ela todas as regras e certezas se misturam, tornando-se um
bólido rumo ao mar da incompreensão.
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