de saudade viva
faz ressuscitar.
Raimundo Fagner
***
Lázaro, essa chuva que me agride o rosto,
fria, sonora, lancinante,
já me embalou o sono em muitas noites.
Essa mesma chuva, Lázaro,
já me despenteou os cabelos,
tirou meus pés do chão,
desenhou meu sorriso quando muitos choravam.
Essa forma esguia, fluida, marcante,
grudada em minha pele,
tal qual a tatuagem dos tempos,
chama de filhas as minhas lágrimas.
Essa ninfa, Lázaro, astuta,
pede que os versos caminhem para fora,
líquidos como os lábios da ressurreição.
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