É que a internet não se destina a
substituir os livros, mas é apenas um formidável complemento a eles e um
incentivo para ler mais. O livro continua a ser o instrumento príncipe da
transmissão e disponibilidade do saber (o que os estudantes estudariam num dia
de blecaute?) e os textos escolares representam a primeira e insubstituível
ocasião de educar as crianças ao uso do livro. Além disso, a internet oferece
um repertório fantástico de informações, mas não os meios para selecioná-las, e
a educação não consiste apenas em transmitir informação, mas também em ensinar
critérios de seleção. Esta é a função do professor, mas é também a função do
texto escolar, que oferece justamente um exemplo de seleção realizada no mare magnum de toda informação possível.
Isso acontece até com o texto mais malfeito (caberá ao professor criticar sua
parcialidade e completá-lo, exatamente do ponto de vista de um critério
seletivo diverso). Se as crianças não aprendem isso, ou seja, que cultura não é
acúmulo, mas seleção/discriminação, não há educação, apenas desordem mental.
Umberto Eco
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