No
próximo dia 31, o Caneteiro chega à maioridade e, a partir deste post, contarei
um pouco da história dele, de como surgiu, de como cresceu. Em algum momento, a
história dele se encontra com a minha, caminhamos de mãos dadas, mas são duas
personalidades distintas, não distantes.
Em julho
de 2001, acompanhei minha mãe a uma consulta oncológica de rotina (bem, se é
que oncológica pode ser chamada de rotina). Ela teve um câncer de pele bem
agressivo na década de 1980, foi curada e, até aquela época, regularmente,
fazia exames para confirmar que a doença havia sido vencida. Foi uma
experiência única, porque, quem já frequentou sabe, o consultório oncológico pode
ser o início do fim, o fim ou, em menor incidência, um novo início. Foi o caso
de minha mãe.
Dessa consulta,
surgiu o texto “Beleza”, que brinca com essa visita e apresenta o então Caneteiro
Maluco. O escrevente já existia, assim como o caneteiro, mas foi nesse texto
que a ideia de uni-los foi cristalizada. Esse “maluco” dialogava com o
Chapeleiro, de Alice, e também com a figura do Raul Seixas, o Maluco
Beleza, porque a ideia era escrever livre, sem entraves, sem politicamente
correto (na época, nem era pensado), o que certamente levaria a um non-sense.
O nome podia ser bom para um desenho, uma história fantasiosa ou uma fábula, bom
para mim, mas como cartão de visita não servia.
Não
possuía blog ou site nesse período, e todos os textos eram enviados por e-mail,
de um endereço caneteiromaluco@. Sempre foram pouquíssimos retornos, mas eu
seguia escrevendo minhas histórias malucas (algumas literalmente) e me
divertindo.
Em 2003,
reuni 20 textos em um volume doméstico, “Canetadas”, que me mostrou que
individualmente eu gostava dos textos, coletivamente não. Foi uma ótima
experiência, pois me mostrou o que eu não deveria fazer mais. Não fiz.
Nesse
mesmo ano, conheci a personagem que me trouxe novos rumos: Dona Quiméria. Nascida em 23 de julho daquele ano e
apresentada na aula de Espanhol da atleticana Karla Cipreste ao amigo
atleticano Jean, essa incrível atleticana e seus cachorros maravilhosos são
meus companheiros desde então. Do papel para a vida, já a encontrei tantas e
inúmeras vezes que a tenho como minha parente, minha avó dos campos e da rua.
Em 2004,
consegui publicar, de verdade, meu único texto com o Caneteiro. Foi um conto, Dos vivos, impresso na revista da Faculdade de Letras de São João da
Boa Vista (SP). Acredito que depois dessa publicação, o “Maluco” ficou pelo
caminho, com o Caneteiro seguindo sozinho. Perdeu-se o epíteto, não o
sobrenome.
Em 2005,
criei um site “caneteiro.com.br”, que começou como uma livraria virtual e se
metamorfoseou em mural de textos. Nele, as publicações se aproximavam de
crônicas, e todo processo do site (arte, texto e publicação) era feito por mim.
Os textos eram publicados em PDF, e também havia espaço para textos de outros
autores, além de um varal de pensamentos e aforismos diversos (não meus).
Em 2007,
desenvolvi o projeto “As crônicas do Galo”, acompanhando todo o Campeonato
Mineiro com um texto por jogo do Galo. Foi uma experiência muito divertida e
contagiante, porque o time foi campeão e uma página ímpar da história alvinegra
foi escrita: foi o ano do “gol de costas”. A partir dessas crônicas, surgiria,
já neste blog, o marcador “A eterna luta no varal: crônica do viver atleticano”,
que indexa os textos sobre futebol.
Em maio
de 2007, o site foi encerrado por questões contratuais, e houve um hiato de
publicações até outubro de 2008, quando o “bucaneiros” surgiu.
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