terça-feira, 16 de julho de 2019

Sobre o Caneteiro


No próximo dia 31, o Caneteiro chega à maioridade e, a partir deste post, contarei um pouco da história dele, de como surgiu, de como cresceu. Em algum momento, a história dele se encontra com a minha, caminhamos de mãos dadas, mas são duas personalidades distintas, não distantes.

Em julho de 2001, acompanhei minha mãe a uma consulta oncológica de rotina (bem, se é que oncológica pode ser chamada de rotina). Ela teve um câncer de pele bem agressivo na década de 1980, foi curada e, até aquela época, regularmente, fazia exames para confirmar que a doença havia sido vencida. Foi uma experiência única, porque, quem já frequentou sabe, o consultório oncológico pode ser o início do fim, o fim ou, em menor incidência, um novo início. Foi o caso de minha mãe.

Dessa consulta, surgiu o texto “Beleza”, que brinca com essa visita e apresenta o então Caneteiro Maluco. O escrevente já existia, assim como o caneteiro, mas foi nesse texto que a ideia de uni-los foi cristalizada. Esse “maluco” dialogava com o Chapeleiro, de Alice, e também com a figura do Raul Seixas, o Maluco Beleza, porque a ideia era escrever livre, sem entraves, sem politicamente correto (na época, nem era pensado), o que certamente levaria a um non-sense. O nome podia ser bom para um desenho, uma história fantasiosa ou uma fábula, bom para mim, mas como cartão de visita não servia.

Não possuía blog ou site nesse período, e todos os textos eram enviados por e-mail, de um endereço caneteiromaluco@. Sempre foram pouquíssimos retornos, mas eu seguia escrevendo minhas histórias malucas (algumas literalmente) e me divertindo.

Em 2003, reuni 20 textos em um volume doméstico, “Canetadas”, que me mostrou que individualmente eu gostava dos textos, coletivamente não. Foi uma ótima experiência, pois me mostrou o que eu não deveria fazer mais. Não fiz.

Nesse mesmo ano, conheci a personagem que me trouxe novos rumos: Dona Quiméria. Nascida em 23 de julho daquele ano e apresentada na aula de Espanhol da atleticana Karla Cipreste ao amigo atleticano Jean, essa incrível atleticana e seus cachorros maravilhosos são meus companheiros desde então. Do papel para a vida, já a encontrei tantas e inúmeras vezes que a tenho como minha parente, minha avó dos campos e da rua.

Em 2004, consegui publicar, de verdade, meu único texto com o Caneteiro. Foi um conto, Dos vivos, impresso na revista da Faculdade de Letras de São João da Boa Vista (SP). Acredito que depois dessa publicação, o “Maluco” ficou pelo caminho, com o Caneteiro seguindo sozinho. Perdeu-se o epíteto, não o sobrenome.

Em 2005, criei um site “caneteiro.com.br”, que começou como uma livraria virtual e se metamorfoseou em mural de textos. Nele, as publicações se aproximavam de crônicas, e todo processo do site (arte, texto e publicação) era feito por mim. Os textos eram publicados em PDF, e também havia espaço para textos de outros autores, além de um varal de pensamentos e aforismos diversos (não meus).

Em 2007, desenvolvi o projeto “As crônicas do Galo”, acompanhando todo o Campeonato Mineiro com um texto por jogo do Galo. Foi uma experiência muito divertida e contagiante, porque o time foi campeão e uma página ímpar da história alvinegra foi escrita: foi o ano do “gol de costas”. A partir dessas crônicas, surgiria, já neste blog, o marcador “A eterna luta no varal: crônica do viver atleticano”, que indexa os textos sobre futebol.

Em maio de 2007, o site foi encerrado por questões contratuais, e houve um hiato de publicações até outubro de 2008, quando o “bucaneiros” surgiu.

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