Um dia você descobre que o trabalho 5x2 é um pequeno veneno, que não mata, mas consome os melhores dias de sua vida. Você, então, resolve se rebelar contra o sistema e, sem perceber, chega ao formato 7x0. Particularmente, cheguei aos 30x1 e não via nada de errado nisso, acreditava mesmo que era um bom caminho, o meu caminho.
Descobri, bem mais tarde, que eu não via nada de errado e que poucos conseguiriam ver, pois esse erro não tem forma, só método, e que esse método não tem fim, apenas um testamento.
Raul disse, com propriedade, que a formiga só trabalha porque não sabe cantar, e todos nós sabemos que a formiga e a cigarra hão de morrer um dia, cantando ou não, trabalhando ou não. Thoreau me ensinou, no lago Walden, o sentido mais amplo de frugal. Com Sô Candelário, aprendi por que viver, por que morrer. Belchior e Luiz me mostraram o fogo e a chama, a canção e a prece, o sono e o sonho. Não estou só.
Caminho, agora, para 2x5, que alguns dirão que é impossível, inviável, irresponsável, impensável, para alguns intolerável. É possível que seja realmente tudo isso.
Não discordo.
Não discuto.
Não desisto.
Minha viola sem cordas não quer ser um instrumento musical.
Sonha em ser uma fábula.
Eu também.
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