domingo, 19 de setembro de 2010

Situação

Daqui a duas semanas, ocorrerão as eleições.
Qual é a situação de momento?
Qual é o futuro da situação?
Mudarão os nomes (alguns dizem que serão fantoches.
pura maldade! O que dirão os fantoches?),
seguirá a mesma sopa de letrinhas.
A Situação continuará a ser situação.
Não é um caso de pleonasmo. É sufrágio mesmo.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Palavras

Agradecimento a Martinho da Vila
Para Luiz Mendes, o Ilimitado
Já tive palavras
De todas as cores
De várias idades
De muitos amores
Algumas até
Certo tempo grafei
Prá outras apenas
Pouco rascunhei...

Já tive palavras
Do tipo cingida
Do tipo versada
Do tipo mentida
Casada carente
Solteira feliz
Já tive donzela
E até meretriz...

Palavras cabeça
E desequilibradas
Palavras confusas
De guerra e de paz
Mas nenhuma delas
Me fez tão sutil
Como você me faz...

Procurei
Em todas as palavras
A felicidade
Mas eu não encontrei
E fiquei na vontade
Fui rabiscando bem
Mas tudo teve um fim...

Você é
A flor da minha vida
A minha verdade
Você não tem limite
É voracidade
É tudo o que um dia
Eu sonhei prá mim...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sibila

Numa bruxa sapateia uma vassoura
Não há piaçaba, apenas cabelos
De todas as cores, de todas as idades

Voa a bruxa nas noites frias de luar
E varre sonhos de garotos maus

Os bons não sabem de vassouras
Os maus não compreendem as bruxas
Feitiços não gostam de bons nem de maus

O fetiche do feitiço sibila se bela é a bruxa

sábado, 11 de setembro de 2010

Pajelança

Noite de quinta, horas antes do jogo Atlético e Vasco em São Januário.
Descendo a Avenida Olegário Maciel, sentido Praça Raul Soares, na esquina do Diamond, observo uma senhora de idade com balde e vassoura na mão. Ela está apoiada sobre a vassoura, como se descansasse, e com o balde pendurado no braço, como um cesto. Vejo suas roupas simples e reconheço suas precatas inconfundíveis.
Aproximo-me dela e noto que está com os olhos fechados, talvez dormindo. Para não assustá-la, levanto a mão para tocar seu braço e ouço um rosnado bestial. Paro e percebo um cão a curta distância, a necessária para um bote certeiro, olhando-me atentamente e com os dentes aflitos para dançar.
– Até que enfim, meu fio! Tava esperando ocê. – disse Dona Quiméria abrindo os olhos e se dirigindo a mim. – O Chicão já tava impaciente! Eta minino bão esse, sô! – e afagou o cachorro que, agora, sorria de satisfação.
– Dona Quiméria! Não reconheci o Chicão. Parece que ele tá mais escuro, mais preto.
– Tá memo, meu fio. Ocê tá c’os óio bão, hein? O Chicão tá c’uns pobrema de visão e isso tá alterando a cori dele.
– Que problema, Dona Quiméria? É grave?
– É grave, meu fio. Ele tá vendo muita pelada na televisão, muito perna-de-pau, muito enganadô com a camisa do Grorioso e isso tá prejudicando o humor dele. Aí, ele fica preto de raiva. Eta pobrema grave, meu Deus! – e sorriu pelos olhos.
– Eta, Dona Quiméria! Acho que desse problema tem muita gente padecendo...
– É por isso memo que nóis tão aqui, meu fio. Nóis viemo ajudá o time a saí dessa fase empistiada. Eu e o Chicão só tava esperando ocê chegá.
– Como a senhora sabia que eu passaria por aqui?
– O mundo tá pequeno, meu fio. Tá todo mundo de olho em todo mundo. – e piscou pra mim.
– Vamo voltá pro nosso trabalho que daqui a pouco nós temo outra peleja pra acompanhá. Vamo logo com isso.
Colocou o balde no chão e tirou de dentro dele uma garrafa pet, que continha uma mistura colorida. A cada vez que ela balançava a garrafa, a mistura parecia tomar uma coloração nova.
– O que tem aí dentro? – perguntei.
– É uma poção q’eu fiz pra lavá a entrada aqui da Sede, pra podê mandá embora essa praga que tá aninhada na gente. Eta, meu Deus!
– Que tipo de poção?
– É uma mistura antiga q’eu uso pra limpá a casa do mal-olhado. Tem arruda, carqueja, boldo, arnica, agoniada, erva cidreira, dente de leão, guaco, quebra-pedra, unha de gato e capim limão.
– Funciona mesmo?
– Eta, meu Deus! Isso resolve memo. É tiro e queda.
Tirou o balde do braço, colocou-o no chão e abriu a garrafa.
– Toma, meu fio! A vassoura eu trouxe pr’ocê. Esfrega aí enquanto eu jogo o chá.
Peguei a vassoura e comecei a esfregar a entrada da Sede, à medida que Dona Quiméria esparramava o líquido pelo passeio. De longe, o Chicão acompanhava atento essa pajelança quimérica.
– Vamo, meu fio! Esfrega cum força porque a praga tá brava. Dá um sanguinho aí pro time melhorá.
Minutos depois, toda a entrada estava limpa e a garrafa, vazia.
– Toma, meu fio! O balde eu trouxe pr’ocê!
– Pra mim?
– Pr’ocê sentá e descansá. Eta, meu Deus! – e sorriu novamente.
Eu também ri e, virando a boca do balde para o chão, me assentei no fundo.
– E agora, Dona Quiméria? O que vai acontecer?
– Eta, meu Deus! O time vai embalá, meu fio, e as coisa vão fruí mió. Só vai sê goleada!
Conversamos mais alguns minutos e ela disse que precisava ir embora, porque tinha o jogo do Galo para acompanhar.
– Além disso, meu fio, hoje é dia do Roberto me ligá pra sabê comé que estão as coisas do Galo.
– O Roberto...
– Ele memo, meu fio.
– Mas a senhora vai embora como? A pé?
– Eu vim com a vassoura e volto com ela.
– E o Chicão?
– Volta no balde, do jeito que ele veio.
Abracei e a beijei no rosto dizendo:
– Que os bons ventos tragam sorte pro Galo, Dona Quiméria!
– Pode deixá, meu fio. Vai dá tudo certo. Quando nóis se vê de novo, daqui a sete rodada, o Chicão já vai tê voltado ao normal. Vai tá menos preto e mais preto e branco.
Virou-se para o Chicão e disse:
– Vão borá, Chicão! Tá na hora de nós rezá. Eu puxo as prece: “Nós somos do Clube Atlético Mineiro...”
E o cão latia ao fim de cada verso acompanhando a melodia.
– Eta minino bão esse, sô! – e seguiram os dois rezando a alegria contagiante de uma paixão.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Saudosa Pelada

Agradecimento a Adoniran Barbosa

Se o senhor não tá lembrado
Dá licença de contar
De um tempo muito alegre
Que nós só ria de brincar

Os colete azul e amarelo
Era o estandarte
O eterno sonho no prelo

Foi assim, seu moço,
Que Osvaldo, Oreia, Múmia e Tadeu
Vidão, Sirley, Veiinho, Bill e eu
Rogério, Geo, Du, Willy, Magela e Kaká
E tantos outro que ap’recia por lá
Eternizemo nossa pelada

Mais um dia
Nóis nem pode se alembrar
Veio os vento do destino
E começaram a nos levar
Foi joelho, tornozelo, dedo e idade
Teve língua, dor, viagem e fatalidade
E dessas perda tão cruel
Só voltaremo a jogar, junto, no céu

Que tristeza que nós sentia
Cada um que não mais ia
Duia o coração
O síndico quis gritar
Mas em cima eu falei:
Os ventos num pede licença
Segura esse rojão
Nós se conformemos quando a Bola falou:
"Deus dá o frio conforme o cobertor"

E hoje nóis óia sem graça as grama do jardim
E prá esquecê nóis cantemos assim:
Saudosa pelada, pelada querida,
Que dim donde nóis passemos dias feliz de nossas vidas

domingo, 29 de agosto de 2010

Respeito

Estar em uma sala de espera que possua revistas recentes, e não apenas aqueles refugos da coleta seletiva, que são enojáveis, nada reaproveitáveis. Revistas gratuitas de aviação ou essa imprensa cor-de-rosa que sobrevive de anúncios e da nulidade de sobrenomes vãos.
Para esse estorvo, apenas a sábia natureza indica um fim: de nome cupim.

domingo, 22 de agosto de 2010

Corte e costura

a trama contém sem número de pontos
a costureira sabe ou apenas a costura?

agulha e linha não somam: sem ou cem não importa
sutura é recriação ou apenas rasura?

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Paciência

Quando aprendemos a contar de 1 a 10
Na fase diminutiva da vida
Os numéricos dizem que é matemática
Os coléricos, que são dedos

A vida adulta ensinará o que é paciência.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Magnum 45

Talvez os dois mais singulares representantes de minhas genealógicas – Luiz Clemente e Luiz Mendes – não tenham se conhecido e, se reciprocamente conhecidos, poucas palavras tenham trocado, mesmo que hasteassem a mesma bandeira.
Hoje, há um Luiz Clemente que se funde a um Luiz Mendes, não menos Clemente, não menos Mendes. A esse Luiz, “O versado”, a quem eu chamo carinhosamente de irmão, meu tributo.

domingo, 8 de agosto de 2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Mar de vento

"Os livros não são feitos para acreditarmos neles, mas para serem submetidos a investigações. Diante de um livro não devemos nos pergun...