segunda-feira, 11 de abril de 2016

Administrar o impossível

As belas vão ao salão apenas para administrar a beleza; as feias, para tentar o impossível.

* Trecho de "Beleza", originalmente publicado em 31 de julho de 2001.

domingo, 10 de abril de 2016

Loucura do cotidiano

A loucura do cotidiano cresceu e, hoje, adulta, imprime ritmos alucinantes e bovinos à esmagadora parte da população.

* Trecho de "Adeus", publicado originalmente em 2002.

sábado, 9 de abril de 2016

Em batalha

Hoje me vejo no reflexo; amanhã, na lâmina.

*Trecho de "A espada sincera", publicado originalmente em 2001.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Os sobrinhos

Me disseram porém
Que eu viesse aqui
Pra pedir de romaria e prece
Paz nos desaventos
Romaria, de Renato Teixeira

Este não é um texto de uma mão só, de uma nota só, de uma cor só. Este é um texto de muitas mãos, de muitas lágrimas, de muitos sorrisos e de muitos sobrinhos. Sim, muitos sobrinhos, tantos quantos possamos imaginar e mais do que aqueles que podemos contar.

Os sobrinhos de sangue são aqueles que a família germinou, e os sobrinhos de adoção, aqueles crescidos pela semeadura diária de tantos anos. Alguns desses não a chamavam de tia, mas carregavam em si a afeição do parentesco.

Este não é um texto de um Clemente só, mas de vários. Alguns seguem com seu árduo (e infrutífero) trabalho com menires, outros partiram para terras mais distantes e deixaram aqui o ofício e muitas saudades, e uns não querem mais a pedreira: não querem tocá-la, querem trocá-la. A melhor maneira de reconhecer um Clemente é observar os menires: não há bolso ou bolsa que os esconda.

Neste ponto, as histórias se encontram na mesma personagem: tia Nilce. Todos que a conheceram sabem de suas características pessoais e acolhedoras, e não sem motivos cativou tantos sobrinhos, tantas amizades, tantas demonstrações de carinho.

No último ano, tia Nilce reuniu suas ferramentas, martelinho em mãos, e se debruçou sobre um trabalho maior para o qual foi chamada. “Nilce, vê esta pedreira a sua frente. Ela não devia ser assim: havia sonhado que seria um jardim verdejante, frutífero, que fosse refúgio para homens e animais, e que houvesse uma fonte de vida que não secasse. Ajude a mim e a eles: faça alguma coisa por essa terra.” Por que ela? As palavras de Leonardo Boff, citadas pelo Pe. João hoje pela manhã, são precisas: “[Deus] Olhou-nos um a um e escolheu para si o mais preparado”. Se alguém podia começar esse trabalho, certamente era tia Nilce.

Não era e não foi um trabalho fácil, mas, agora, ao término da missão que lhe foi destinada, o resultado é muito satisfatório. Ao reencontrar seus pais, sua irmã mais velha, seu querido amigo Véio (Washington) e tantas outras pessoas de tão gratas lembranças, tia Nilce será saudada pela chegada e pela obra de quase 70 anos de vida. Para ela, é hora de guardar as ferramentas, descansar, degustar as colombas celestiais e acreditar na germinação das sementes.

A todos aqueles que sentirem a vazia presença de tia Nilce, sorriam e lembrem-se de grandes momentos, aqueles que justificam nossa existência. Para aqueles que sentirem a presença marcante dela, multipliquem as sementes e sorriam com ela. Não há tristeza nem dor que apaguem o riso livre e o sorriso espontâneo de tia Nilce.

O trabalho de tia Nilce foi concluído, parte de um serviço maior. É hora de outros assumirem a parte que lhes cabe nessa narrativa e cultivar a terra. Nessa história, de forma idêntica e oposta, simultaneamente, à parábola do semeador, a semente que cai entre as pedras cresce e se multiplica como pedra. A parábola não deve ser assim. O sonho não é esse.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Verbo democrático

Envelhecer não é verbo defectivo.

*Trecho de "1 ano", publicado originalmente em 31 de julho de 2002.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Estranjas

Engraçados esses nomes de boate. Você não vê um em português, só em inglês ou francês, para dar a sensação de internacional, importado, de boa qualidade. Aí você chega lá dentro e até o uísque é nacional.

*Trecho de "Programa", originalmente publicado em 2001.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Dúvida

Cultivamos nossas dúvidas como rosas do jardim que não possuímos.
Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Mastro nasal

Fui embora pensando como o nariz interfere na vida das pessoas. Interfere (muito) porque não há como escondê-lo; outras partes do corpo podem ser tampadas, mas ele não. É o mastro de todos nós.

*Trecho de "Nasal", publicado originalmente em 2002.

domingo, 3 de abril de 2016

(anti)Herói

Temos uma galeria de personagens que poderiam desempenhar esse papel. Talvez Peri, Ubirajara ou, em outra perspectiva, Vitorino Carneiro da Cunha ou Policarpo Quaresma. Se não afirmamos nosso herói, há muito já temos nosso anti-herói: Macunaíma. Único e interminável.

*Trecho de "Herói brasileiro", publicado originalmente em 2001.

sábado, 2 de abril de 2016

7x

A vitória do Galo sobre o Vila Nova por 7x2, no Mineirão, trouxe o eco dos 7x1 de 2014. Essa voz nefasta se agarrou ao mítico e fantástico número 7 e só se calará em nossa memória quando essa promissória dos campos for resgatada.
Tal como um precatório, só as gerações futuras verão esse antípoda.
Se ele existir.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Quase que nada não sei

[...] eu toda a minha vida pensei por mim, sou nascido diferente. Eu sou é eu mesmo. Divêrjo de todo o mundo... Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa.
João Guimarães Rosa

Mar de vento

"Os livros não são feitos para acreditarmos neles, mas para serem submetidos a investigações. Diante de um livro não devemos nos pergun...