sexta-feira, 19 de julho de 2019
quinta-feira, 18 de julho de 2019
Nepotismo (II)
A proposta a ser votada é a reforma do nepotismo, para que passe a ser newpotismo. Além de resolver questões internas, seria também um agrado que o novo embaixador brasileiro levaria aos EUA, numa nítida política da boa vizinhança.
newpotismo
(new-po-tis-mo)
s.m.
1. modo de escolha democrático em que o governante se orienta por valores idiossincráticos inseridos dentro de um conjunto homogêneo;
2. escolha por cores ou desenhos;
3. desejo de se privilegiar certos indivíduos com atribuições mínimas e parentesco máximo.
Obs.: Será criada uma CPI para investigar "idiossincráticos".
newpotismo
(new-po-tis-mo)
s.m.
1. modo de escolha democrático em que o governante se orienta por valores idiossincráticos inseridos dentro de um conjunto homogêneo;
2. escolha por cores ou desenhos;
3. desejo de se privilegiar certos indivíduos com atribuições mínimas e parentesco máximo.
Obs.: Será criada uma CPI para investigar "idiossincráticos".
quarta-feira, 17 de julho de 2019
Nepotismo
Querem trocar nepotismo de sentido na base da saliva, ou melhor, da baba, pois a saliva é atributo dos que sabem fechar a boca. Não será a primeira vez, pois anteriormente já tentaram inverter direita e esquerda.
A língua é viva, mutável e pode seguir caminhos peculiares, mas não se movimenta exclusivamente por causa de um idiota. É preciso de vários. Idiotas ou hambúrgueres.
terça-feira, 16 de julho de 2019
Sobre o Caneteiro
No
próximo dia 31, o Caneteiro chega à maioridade e, a partir deste post, contarei
um pouco da história dele, de como surgiu, de como cresceu. Em algum momento, a
história dele se encontra com a minha, caminhamos de mãos dadas, mas são duas
personalidades distintas, não distantes.
Em julho
de 2001, acompanhei minha mãe a uma consulta oncológica de rotina (bem, se é
que oncológica pode ser chamada de rotina). Ela teve um câncer de pele bem
agressivo na década de 1980, foi curada e, até aquela época, regularmente,
fazia exames para confirmar que a doença havia sido vencida. Foi uma
experiência única, porque, quem já frequentou sabe, o consultório oncológico pode
ser o início do fim, o fim ou, em menor incidência, um novo início. Foi o caso
de minha mãe.
Dessa consulta,
surgiu o texto “Beleza”, que brinca com essa visita e apresenta o então Caneteiro
Maluco. O escrevente já existia, assim como o caneteiro, mas foi nesse texto
que a ideia de uni-los foi cristalizada. Esse “maluco” dialogava com o
Chapeleiro, de Alice, e também com a figura do Raul Seixas, o Maluco
Beleza, porque a ideia era escrever livre, sem entraves, sem politicamente
correto (na época, nem era pensado), o que certamente levaria a um non-sense.
O nome podia ser bom para um desenho, uma história fantasiosa ou uma fábula, bom
para mim, mas como cartão de visita não servia.
Não
possuía blog ou site nesse período, e todos os textos eram enviados por e-mail,
de um endereço caneteiromaluco@. Sempre foram pouquíssimos retornos, mas eu
seguia escrevendo minhas histórias malucas (algumas literalmente) e me
divertindo.
Em 2003,
reuni 20 textos em um volume doméstico, “Canetadas”, que me mostrou que
individualmente eu gostava dos textos, coletivamente não. Foi uma ótima
experiência, pois me mostrou o que eu não deveria fazer mais. Não fiz.
Nesse
mesmo ano, conheci a personagem que me trouxe novos rumos: Dona Quiméria. Nascida em 23 de julho daquele ano e
apresentada na aula de Espanhol da atleticana Karla Cipreste ao amigo
atleticano Jean, essa incrível atleticana e seus cachorros maravilhosos são
meus companheiros desde então. Do papel para a vida, já a encontrei tantas e
inúmeras vezes que a tenho como minha parente, minha avó dos campos e da rua.
Em 2004,
consegui publicar, de verdade, meu único texto com o Caneteiro. Foi um conto, Dos vivos, impresso na revista da Faculdade de Letras de São João da
Boa Vista (SP). Acredito que depois dessa publicação, o “Maluco” ficou pelo
caminho, com o Caneteiro seguindo sozinho. Perdeu-se o epíteto, não o
sobrenome.
Em 2005,
criei um site “caneteiro.com.br”, que começou como uma livraria virtual e se
metamorfoseou em mural de textos. Nele, as publicações se aproximavam de
crônicas, e todo processo do site (arte, texto e publicação) era feito por mim.
Os textos eram publicados em PDF, e também havia espaço para textos de outros
autores, além de um varal de pensamentos e aforismos diversos (não meus).
Em 2007,
desenvolvi o projeto “As crônicas do Galo”, acompanhando todo o Campeonato
Mineiro com um texto por jogo do Galo. Foi uma experiência muito divertida e
contagiante, porque o time foi campeão e uma página ímpar da história alvinegra
foi escrita: foi o ano do “gol de costas”. A partir dessas crônicas, surgiria,
já neste blog, o marcador “A eterna luta no varal: crônica do viver atleticano”,
que indexa os textos sobre futebol.
Em maio
de 2007, o site foi encerrado por questões contratuais, e houve um hiato de
publicações até outubro de 2008, quando o “bucaneiros” surgiu.
sábado, 13 de julho de 2019
quinta-feira, 27 de junho de 2019
Para bom entendedor
um pingo é letra
dois pingos, eco
três pingos, cachoeira
alguns pingos, mapa
muitos pingos, história.
dois pingos, eco
três pingos, cachoeira
alguns pingos, mapa
muitos pingos, história.
um pingo de juízo é suficiente para matar um sonho.
quarta-feira, 26 de junho de 2019
Essência azul
o desconhecimento é o pai de todos os adjetivos.
a taxonomia do espelho é a mãe de todos os tolos.
nenhum familiar, porém, muda uma essência, ainda que seja chamada de borboleta ou escaravelho.
sexta-feira, 21 de junho de 2019
De cor
Houve um tempo em que caixas de lápis de cor eram
ótimos presentes e havia um certo fascínio pela variedade de tons de uma mesma
cor, muito antes de tons de cinza serem humanizados. Esse tempo passou, como terapia
antiestresse, mas, certamente, carrega consigo um ar vintage em nossa sociedade
de dedos, sobredita digital.
Resolvi, observando esses tempos falsamente
modernos, buscar uma caixa de lápis de cor que refletisse nossa variedade: uma
caixa de duas cores. Não encontrei. Percebi até mesmo um certo descrédito por
parte de lojas e vendedores especializados quando verbalizava meu pedido bilateral.
À mais sagaz especialista, coube a pergunta: “Quais seriam essas duas cores?”
Não sei dizer, respondi, mas tenho certeza que são
antagônicas e que ambas se anulam perfeitamente. A mente combinatória e
colorida da especialista afirmou, categórica, que não existe esse produto no
mercado nacional. “É mesmo? Sério?” foi o que eu disse.
Como é possível não haver essas cores, se grande
parte da sociedade brasileira só trabalha com elas? Como vivemos um período tão
maniqueísta, em que as cores valem mais do que as pessoas, e ninguém sabe que colorido
é esse? Por que grande parte quer se pintar para a guerra e não quer reconhecer
a validade da tintura do outro?
Por que devemos ser coxinhas ou petralhas apenas?
Por que devemos ser negros ou brancos apenas? Petistas ou bolsonarianos apenas?
De direita ou de esquerda apenas? Feministas ou machistas apenas? Por que
devemos ser homofóbicos ou heterofóbicos apenas? Cristãos ou não cristãos
apenas? Onde estão as pessoas que vivem debaixo desses rótulos?
Entre os limites desses espectros antípodas, não há
vida inteligente? Não se pode, tal como uma pesquisa de opinião, concordar
parcialmente ou discordar parcialmente? Não posso aceitar que a opinião do
outro é diametralmente oposto a minha, mas que tem o valor de ser dele? Por que
é preciso diminuir, desmerecer, menosprezar e ofender ideias e pessoas?
A mim, roseanamente, cabe a terceira margem, que
chamo de silêncio, quando encontro canoeiros que usam remos no ar. Minhas palavras,
miúdas, gasto com gente misturada.
quarta-feira, 19 de junho de 2019
sexta-feira, 14 de junho de 2019
Irmão sol
devia ter sido médico,
mas minha compreensão não é deste mundo.
devia ter sido padre,
mas minha compreensão não é desse mundo.
devia ter sido professor, político, palhaço,
mas minha compreensão não é do mundo.
sem caminho, coube a mim,
às costas, o saco de ilusões.
furado, cosido, roto e torto.
o saco, porém, é de ótima qualidade.
as ilusões, então, iniludíveis.
quinta-feira, 13 de junho de 2019
Réquiem
nada como o hálito doce e fresco da morte para sublimar egos e ideias.
um réquiem de uma nota só.
um réquiem de uma nota só.
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Mar de vento
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