“A língua portuguesa deveria dispensar seus defensores pedantes e defender-se por si mesma.”
Carlos Drummond de Andrade
O ano mudou, a Língua Portuguesa mudou, mas a Faixa de Gaza continua a mesma. Nada de novo sob aquele sol, vermelho sol.
Neste início de 2009, a Língua Portuguesa sofreu mais uma reforma ortográfica, tornando-se mais próxima da língua utilizada nos países de colonização portuguesa. Algumas pessoas pensam que as ideias ficaram menos agudas, assim como as tramoias, as jiboias, as Coreias; outras pensam mesmo que a infraestrutura mudou, que a autoajuda está mais próxima e que a mão de obra será menor. Nunca na história desse país se pensou tanto...
A proposta ortográfica partiu de terras lusas ou lusitadas em 1990-91, demorando dezessete, dezoito, dezenove anos para neste pindorama se estabelecer. Chega com ar de estrangeiro, porque alguns de nós a olhamos com nossa típica cordialidade, enquanto outros vociferam, urram, latem e rosnam, não necessariamente nessa ordem, e tantos outros têm mais o que fazer. Nós, que aqui estamos, bem a recebemos, mas não deixamos de mostrar nossos dentes caninos, bem ao vento de nosso complexo de vira-latas.
Não é a primeira reforma, pouca chance possui de ser a última, outras virão e sempre há, sempre, uma alteração em andamento. As reformas deixam marcas sempre, para o bem ou para o mal, com leais seguidores e com fiéis detratores, desde Lutero tem sido assim. A penúltima reforma ortográfica refinou (quase matando) o aforismo de Stanislaw Ponte Preta: “O que seria do doce de coco se não fosse o circunflexo?”, mas a doçura do manjar foi maior, para nossa sorte.
Todos aqueles que trabalham de maneira mais formal com a língua não raro se deparam com novidades, algumas nem tão novas, mas que trazem consigo o cheiro inconfundível de ineditismo. São os mestres, de repente, aprendendo. Não faltarão dúvidas e pererecaram duplicidades ou triplicidades para todos os lados até que esta onda ortográfica se assente no oceano da língua, respingando até mesmo em compêndios formais (ou não) que se propõem a ensinar e a elucidar as novas regras.
No último domingo, no mesmo jornal lia-se, em páginas distintas, “infraestrutura” e “infra-estrutura”; em um manual de sobrevivência de uma revista semanal, alerta-se que “antiaéreo” deixa de ser “anti-aéreo”, ainda que nos últimos trinta anos não houvesse sido; em um resumo de uma editora, lê-se que “não se emprega o hífen em certos compostos em que se perdeu, em certa medida, a noção de composição.” Quanto ao hífen, não afirmamos a presença ou a ausência, porém a “noção de composição” está claramente perdida. Precisaremos aprender e o melhor será aguardar a publicação do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa – VOLP –, prevista para o fim de janeiro, para que possamos reaprender uma só vez, evitando desencontros ortográficos. Preferimos acreditar que será uma oportunidade ímpar para que a Língua Portuguesa seja revisitada e, enfim, amada como merece.
Neste início de 2009, a Língua Portuguesa sofreu mais uma reforma ortográfica, tornando-se mais próxima da língua utilizada nos países de colonização portuguesa. Algumas pessoas pensam que as ideias ficaram menos agudas, assim como as tramoias, as jiboias, as Coreias; outras pensam mesmo que a infraestrutura mudou, que a autoajuda está mais próxima e que a mão de obra será menor. Nunca na história desse país se pensou tanto...
A proposta ortográfica partiu de terras lusas ou lusitadas em 1990-91, demorando dezessete, dezoito, dezenove anos para neste pindorama se estabelecer. Chega com ar de estrangeiro, porque alguns de nós a olhamos com nossa típica cordialidade, enquanto outros vociferam, urram, latem e rosnam, não necessariamente nessa ordem, e tantos outros têm mais o que fazer. Nós, que aqui estamos, bem a recebemos, mas não deixamos de mostrar nossos dentes caninos, bem ao vento de nosso complexo de vira-latas.
Não é a primeira reforma, pouca chance possui de ser a última, outras virão e sempre há, sempre, uma alteração em andamento. As reformas deixam marcas sempre, para o bem ou para o mal, com leais seguidores e com fiéis detratores, desde Lutero tem sido assim. A penúltima reforma ortográfica refinou (quase matando) o aforismo de Stanislaw Ponte Preta: “O que seria do doce de coco se não fosse o circunflexo?”, mas a doçura do manjar foi maior, para nossa sorte.
Todos aqueles que trabalham de maneira mais formal com a língua não raro se deparam com novidades, algumas nem tão novas, mas que trazem consigo o cheiro inconfundível de ineditismo. São os mestres, de repente, aprendendo. Não faltarão dúvidas e pererecaram duplicidades ou triplicidades para todos os lados até que esta onda ortográfica se assente no oceano da língua, respingando até mesmo em compêndios formais (ou não) que se propõem a ensinar e a elucidar as novas regras.
No último domingo, no mesmo jornal lia-se, em páginas distintas, “infraestrutura” e “infra-estrutura”; em um manual de sobrevivência de uma revista semanal, alerta-se que “antiaéreo” deixa de ser “anti-aéreo”, ainda que nos últimos trinta anos não houvesse sido; em um resumo de uma editora, lê-se que “não se emprega o hífen em certos compostos em que se perdeu, em certa medida, a noção de composição.” Quanto ao hífen, não afirmamos a presença ou a ausência, porém a “noção de composição” está claramente perdida. Precisaremos aprender e o melhor será aguardar a publicação do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa – VOLP –, prevista para o fim de janeiro, para que possamos reaprender uma só vez, evitando desencontros ortográficos. Preferimos acreditar que será uma oportunidade ímpar para que a Língua Portuguesa seja revisitada e, enfim, amada como merece.
Vamos aguardar, escrever na norma culta, não é tarefa das mais simples, com esta mudança acredito que pelo menos eu cometerei alguns deslizes.
ResponderExcluirAi, ai... até agora não sei pra que essa reforma...
ResponderExcluirEsse pessoal da linguística (sem trema)...