Conforme promettemos em o nosso numero passado, vamos hoje nos occupar dos factos que determinaram a não continuação das obras da Matriz desta cidade, e isso havemos de fazer calma e desapaixonadamente, como quem só tem em mente o progresso e o engrandecimento desta terra.
Como o publico sabe, a commissão incumbida pelo nosso estimado vigário e particular amigo Sr. Padre Cerqueira, de fiscalizar as obras referidas, embargou-as judicialmente, pelo facto de ter então o contractante Dr. Palmerio, que é um profissional incontestavelmente abalizado, ordenado a demolição, que se iniciou, de uma parte da egreja, quando isso era absolutamente necessário para a observação completa da planta por elle apresentada e acceita pelo nosso prezado vigário.
Bem sabemos que não nos assiste competência para discutirmos matéria de tão grande monta, mas por isso mesmo, antes de escrevermos estas linhas, nos informamos a respeito de um profissional insuspeito, que há dias esteve entre nós, e este nos garantio que o Dr. Palmerio estava observando fielmente o contracto e que elle não podia executar o seu plano sem primeiro demolir a parte da egreja, que tanta grita, que tanta celeuma levantou.
Não achamos absolutamente razão naquelles que contribuiram para a paralização das obras; não só porque no estado em que ellas ficaram actualmente torna-as muito mais difficeis de concluir-se, como também esse facto poderia acarretar enorme prejuízo moral ao profissional que dellas se encarregou, se o nosso vigário com o cavalheirismo que lhe é habitual e com a nunca desmentida correcção de seu proceder, não desse ao Dr. Palmerio o honroso documento que elle faz publicar em outra parte desta folha.
Entendemos que o povo, sem distincção de classe, deve facilitar o mais possível ao reverendíssimo padre Cerqueira os meios de que elle carece para a conclusão das obras que elle tão patrioticamente dezeja, desbravando as difficuldades que lhe assoberbam, mas nunca oppondo-lhe tropeços nem embaraços.
Entendemos que todos nós temos obrigação de contribuir por todos os meios a nosso alcance para a conclusão de uma obra que é nossa, que será de nossos filhos, e tudo que se fizer em contrario, digamos com franqueza, será para nós muitissimo vergonhoso.
Entendemos que todos nós temos obrigação de contribuir por todos os meios a nosso alcance para a conclusão de uma obra que é nossa, que será de nossos filhos, e tudo que se fizer em contrario, digamos com franqueza, será para nós muitissimo vergonhoso.
Jornal O Itapecerica, Anno III, edição 80, 22 de setembro de 1895, p.1. [Arquivo Público Mineiro]
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