Para Antônio Cesário Mendes Rabelo
Foi a maior aventura da minha vida.
Saí do estado de Connecticut, E.E.U.U., no dia 1º de outubro de 1960.
Completam-se hoje, 1º de outubro, 50 anos que meu tio Cesarinho, O prático, partiu, em um Chevrolet Fleetline modelo 51, dos Estados Unidos com destino a Itapecerica (MG). Essa história é descrita no livro “Meu Chevrolet 51 e eu” e assim pode ser sintetizada, nas palavras do próprio autor:
“Relato da viagem que fiz ‘sozinho’, dos Estados Unidos ao Brasil, dirigindo um velho Chevrolet modelo 51, passando por 14 países, rodando quase 24.000 km de estradas de todos os tipos que é possível imaginar.
Por vezes, usei correntes, pá, enxadão, machado, serrote, facão, cordas, etc.”
No carro, tio Cesarinho seguia sozinho, mas com ele viajavam dezenas, centenas de pessoas. Essa viagem mudou a vida dele e também, de certo modo, de toda a família, seja pela apreensão que os perigos da viagem e os períodos sem notícia causavam, seja pela mobilização para o envio de apoio, muitas vezes em dinheiro, sempre em oração. Além disso, a cada leitura do livro ou a cada vez que a história é mencionada, embarca-se novamente no Chevrolet 51 e, não sem motivo, ouve-se “aquele roncado bonito parecendo um tanque de guerra”.
Em agosto de 2009, tio Cesarinho partiu em nova viagem. Dessa vez, sem o Chevrolet, mas, de certo modo, toda a família partiu com ele novamente. Poucas coisas continha sua bagagem: algumas peças de roupa, a camisa do Galo, o livro que narra essa aventura e aquilo que define os Mendes: o sonho do impossível.
Neste dia festivo, tão importante para nós, a homenagem ao Cesarinho, meu tio, que dizia: “De vez em quando, sonho que estou com ele [o Chevrolet], viajando por aí e contando a nossa história.” Nós também sonhamos, tio. Nós também.
De um modo peculiar, cada um de nós viaja com e pelo Chevrolet 51. O tempo passa bem depressa, isto torna a viagem mais curta. Caminhos e terras que antes pareciam tão distantes, agora tornam-se próximos e reais.
ResponderExcluirRevista Quatro Rodas publicou em 1965 matéria sobre a viagem. Quatro Rodas nº.60 julho\1965.
ResponderExcluirSim, é verdade. Já vi essa revista. Muitos anos depois, a Revista Quatro Rodas voltou a procurar meu tio para uma nova entrevista.
Excluir