terça-feira, 17 de setembro de 2013

As mulheres de Lulu (III)

Depois de alguns minutos de solfejos e músicas, ele me disse:
- O que traz você aqui?
- Quero conversar com o senhor.
- Sobre o quê?
- Sobre todos nós.
- Nós quem?
- Nós Mendes.
- O que têm os Mendes?
- É o que quero saber. E também quero o que eles não têm.
- É muita filosofia para mim. Preciso refrescar as ideias.
Caminhou até perto da cama, abaixou e puxou uma caixa de madeira que estava sob a cama. A caixa cantou ao vir à luz e revelou-se um engradado. Retirou uma garrafa, examinou o conteúdo, devolveu a garrafa ao engradado e pegou outra. Repetiu esse movimento até se dar por satisfeito com uma garrafa.
- Muito bem. Essa é uma espécie única. Safra de... - olhou o relógio e cravou - sete horas atrás. Um brinde.
Puxou dois copos, abriu a garrafa e, servindo:
- Lúmen, Lúmen, Lúmen - bradou ele com olhos apaixonados.
- A mítica cerveja Luiz Mendes.
- Um brinde aos Mendes, aos nossos, àqueles que sabem por que viver, por que morrer.

Mar de vento

"Os livros não são feitos para acreditarmos neles, mas para serem submetidos a investigações. Diante de um livro não devemos nos pergun...