domingo, 15 de setembro de 2013

As mulheres de Lulu

sete dias e 84 anos separam o início da conclusão.
***
- Tio Lulu! - gritei entrando pela casa. Estrondos vinham do quarto, como se objetos fossem arremessados à parede.
- Tio Lulu! Oh Tio Lulu! - insisti.
Os ruídos cessaram. Prossegui.
- Tio Lulu! - chamei e fui empurrando a porta do quarto.
- Que que é? Que que é? - respondeu em tom colérico.
Fiz um gesto cordial cumprimentando com as mãos.
- Quem é você? O que que você quer?
- Sou neto do Zaio.
- Que Zaio?
- Seu irmão.
- Não conheço. Quem é seu pai?
- O Zézé.
- Qual Zezé?
- O do Zaio.
- Zezé do Zaio?
- Isso.
- Não conheço.
- Não se lembra do Zezé e do Zaio?
- Claro que não, idiota. Os dois eu conheço. Não conheço você. - sorriu e arremessou um sapato que tinha em mãos na parede.
- É barata?
- Claro que não. Se fosse barata, a Minguta já tinha comido. Falando nisso, cadê a Minguta?
Ei, e você? Como entrou aqui?

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