segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Guiné

- Alô!? É o Dulim?
- ...
- Bença, Padre.
- ...
- Amém nós tudo.
- ...
- Onti eu tava conversano com o Roberto e essa porquera de telefone ficô mudo.
- ...
- Dulim, ocê tava no Antônio Carlos onti?
- ...
- Quequi o cê achô?
- ...
- É isso memo, Dulim.
- ...
- Fumo eu e o Chicão, o Luisinho ficô. Num era jogo pr'ele. O pau tava cantano lá onti, e o Luisinho num gosta de violência. Nessas hora, vai o Chicão! Eta minino bão! Num perde uma, Dulim! É dividida, é solada, pé na cara, na medaiinha, no pé da oreia, no gogó da ema, no baxo meretrício, e onde mais pegá esse minino num afina.
-...
- Dulim, dexa um recado pro Roberto pra mim. Fala pr'ele que onti eu saí desembestada pro campo do 7 e mi isqueci de falá que tava na hora de usá as foia de guiné!
- ...
- Calma, seu Padre! Si faiz bem, num faiz mal.
- ...
- Coisinha de nada, seu Padre! Era pra abri os caminhu do Otero. Foiage só, seu Padre! Num faia!
- ...
- Não, seu Padre. Pr'esse é muito difícil.
- ...
- Vamu picisá de umas erva mais forte pro Creiton, eta minino abestaiado aquele. Virge Mãe! Nós sofremu de um lado, e a mãe dele sofre de outro! - e desligou o telefone antes de o padre conseguir responder.
Luisinho rosnou e D. Quiméria completou:
- Caiu, meu fio. Caiu.

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