Há uma semente perigosa dentro do programa sócio-torcedor: que o time se transforme em clube. O número de torcedores é infinitamente superior ao número de sócios, sem desconsiderar, é claro, que os sócios são torcedores muito além da simples nomenclatura. Olhando o copo meio cheio, há uma demanda reprimida enorme. Olhando o copo meio vazio, há um clube fechado.
Entre o resto e o restolho, vale a "Regra três", de Vinícius e Toquinho:
Porque você, rapaz,
Abusou da regra três
Onde menos vale mais
Da primeira vez ela chorou
Mas resolveu ficar
É que os momentos felizes
Tinham deixado raízes no seu penar
Depois perdeu a esperança
Porque o perdão também cansa de perdoar"
Até quando o torcedor conseguirá viver, com paixão, trocando a arquibancada pela mesa de bar ou pelo sofá? Os canais a cabo, os bares e as cervejarias agradecem, e a Nutella, que não tem nada a ver com a história, leva a fama. É o espetáculo gourmet. É por isso que, na Fox Sports, eles insistem em anunciar o "futebol raiz".
Tempos atrás, assisti ao Chico Sá dizendo, na ESPN, não necessariamente com essas palavras, que não se havia "civilizado" em relação à Libertadores. Essa é a essência do futebol, da arquibancada hoje (da geral antigamente), da paixão furiosa que rege o torcedor. Se vivo, Nélson Rodrigues diria: "Qual paixão não é furiosa? A fúria é o bálsamo dos apaixonados."
Longe dos gramados, sem a paixão clubística, é melhor assistir à Liga dos Campeões ou a qualquer campeonato no Brasil? Por que os jogadores brasileiros sempre citam a vontade de jogar na Europa, mas não na China ou no "mundo Árabe", ainda que esses destinos, muitas vezes, paguem bem mais? Não é apenas dinheiro, é também espetáculo. Qualquer peladeiro que dê, minimamente, três embaixadinhas sabe a diferença em jogar ao lado de bons jogadores ou de pernas de pau.
O sócio-torcedor pode ser a redenção de um time ou sua rendição. Se redimir, todos ganharão, inclusive a bola. Se render, o país do futebol será um clube fechado, com acesso restrito aos sócios.
Longe dos gramados, sem a paixão clubística, é melhor assistir à Liga dos Campeões ou a qualquer campeonato no Brasil? Por que os jogadores brasileiros sempre citam a vontade de jogar na Europa, mas não na China ou no "mundo Árabe", ainda que esses destinos, muitas vezes, paguem bem mais? Não é apenas dinheiro, é também espetáculo. Qualquer peladeiro que dê, minimamente, três embaixadinhas sabe a diferença em jogar ao lado de bons jogadores ou de pernas de pau.
O sócio-torcedor pode ser a redenção de um time ou sua rendição. Se redimir, todos ganharão, inclusive a bola. Se render, o país do futebol será um clube fechado, com acesso restrito aos sócios.
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