domingo, 27 de junho de 2010

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Epifania

“Aquele de quem se fala e não se vê está junto de nós.
Nosso bando está completo de novo.
O Enojado voltou!
Mãos às armas! Adeus às ilusões!
É hora da noite pelejar.”

Da nascente vez em que zuni essas palavras, nada me diziam os marimbondos.
Um mundo novo, porém, se desenhou quando descobri quem era o Enojado.

sábado, 19 de junho de 2010

O pastor

Para José Saramago
O escritor talvez tenha concluído, antes de partir, que "Nem eu posso fazer-te todas as perguntas, nem tu podes dar-me todas as respostas."
A quem se referirá esse "tu"?
"A história acabou, não haverá nada mais que contar."
A dúvida é um estado da Arte.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Abelha rainha

Para Maria Bethânia
Pela rua, pela serra, pela hora
Pela estrada toda a fora
Anima de vida o seio da floresta
Amor imanta o aguilhão
Zumbe na orelha, concha de almíscar
Ó abelha boca de mel
Carmim, carnuda, desnuda

sábado, 12 de junho de 2010

Virtude

Para Donathien Augustin-Françoise
Corre, caneta,
rasga o virginal papel
inunda o negro palimpsesto
de alvas garatujas

não há pontuação que pare teu correr

sedentos corpos
palavras autônomas
atrozes desejos
a escrita é uma guerra

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Atenas

Meus poucos anos não permitiram conhecê-la como gostaria, o que não impediu, contudo, que eu a descobrisse em minhas manuais irrequietações diárias. Da memória, ficaram as maçãs únicas, que frutificaram massas, manhas e manhãs. A ela, D.Irene, “A tenaz”, a quem eu chamo carinhosamente de avó, meu carinho irrequieto.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Cassandra

Para o sorriso sem rosto
Alguns sonhos trazem o porvir.
Brumosas imagens
Ilhas brancas
Algumas palavras trazem a esfinge.
Anônimos relatos
Recortes azuis
Nada mudará o futuro: apenas o tempo.

domingo, 6 de junho de 2010

Dia D

Com a invasão de pensamentos, tomamos uma praia, uma cidade, um país, um coração.
O que vem depois pode ser história, pode ser novela.

sábado, 22 de maio de 2010

Santa Rita

- Belchior, busque uma rosa para enfeitar seu quarto.
- A senhora se esqueceu de que não há rosas na roseira neste momento?
- Não?
- A roseira não floresce no inverno.
- Não é que isso que diz meu olfato. Você não sente um doce aroma no ar?
Um movimento mais forte dos pulmões comprova que há algo no ar.
- Talvez seja o perfume de uma mulher...
- Belchior, busque uma rosa para enfeitar seu quarto.
- Mas...
- Belchior, se não acredita em minha palavra, confie em seus sentidos.
Levantou-se de sua prece e foi até o jardim. Lá chegando, deparou-se com a roseira em galhos, sem folhas, sem flores. Parou alguns minutos, pensou em silêncio e retornou ao quarto. Ajoelhou-se novamente e voltou às orações.
- Onde está a rosa, Belchior?
- A roseira não floresce no inverno.
- Eu não perguntei pela roseira.
- Não há rosa no jardim.
- Eu não mencionei o jardim.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Palhaço

Muitos olham sem ver.
Poucos veem sem olhar.
Para esses, não é possível tirar a pintura.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Assim mesmo

Não sei se eles me ouvem, mas eu falo assim mesmo.
Se eles não me ouvem, eu falo assim mesmo.
Se eles não querem me ouvir, eu falo.

Mar de vento

"Os livros não são feitos para acreditarmos neles, mas para serem submetidos a investigações. Diante de um livro não devemos nos pergun...