O silêncio permaneceu por um longo período.
- Cristão, vendo-o daqui, na condição em que se encontra, faz realmente diferença para você quem sou eu?
- Ajude-me, estranho. Dê-me água!
- Beba, cristão. Essa é a água da vida.
Sentiu algo tocar-lhe as mãos e percebeu que se tratava de um cálice. Bebeu avidamente, deixando que grande parte escorresse pelo corpo.
- Mais! - Implorou o homem.
O estranho tomou o cálice dele, encheu-o e estendeu a mão:
- Aqui.
Bebeu rapidamente e pediu mais.
- Sim, cristão, mas cuidado para não quebrar o Graal.
O mundo parou.
- O que disse?
- Cuidado para não quebrar o Graal - respondeu o estranho.
O homem apertou fortemente o cálice, buscando cada recorte daquela peça, contornando cada curva, cada saliência. Cheirou, bateu nele com os dedos, alisou-o.
- Que brincadeira é essa? Por que chama esse simples cálice de Graal?
- Cristão, esse é o Graal. Por que você pensa que estou brincando?
- Você, estranho, de quem não sei o nome, não deveria usar o sacro nome do cálice sagrado nesse cálice miserável! – Disse mostrando irritação.
- Esse cálice “miserável”, cristão, está salvando sua vida. Essa que você bebe é a água da vida, ou sua fé não é suficiente para mostrar-lhe esse gosto?
O homem agarrou-se ainda mais ao cálice.
– Dê-me. – Pediu o estranho. – Beba mais.
O moribundo protegeu o cálice como se o outro pudesse roubá-lo.
– O que há? Não quer mais? Já está salvo?
Com uma mão segurando o objeto, levou a outra aos olhos, desesperado pela visão que lhe faltava.
– Sua fé precisa dos olhos, cristão?
O homem estava desnorteado. Não sabia o que dizer, o que fazer. Talvez agora pudesse chorar, gritar, levantar e se jogar sobre o estranho...
– Dê-me sua mão, estranho. Deixe-me tocá-la!
– Você procura as chagas?
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