segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Nosso lar

Comemoramos hoje o 2º ano nesta blogosfera. Em 2008, quando juntos partimos, tínhamos em mente o desejo de reunir a família, de trazer à mesma tela os Ribeiro, os Mendes, os Cerqueira, os Clemente e de pintar um retrato (que para alguns pode ser autorretrato) único, mas não homogêneo, em preto e branco, de nós que nos dizemos parentes. Podemos dizer que os traços (não os textos) obtidos nestes dois anos são fiéis aos sobrenomes que carregamos conosco.
No último final de semana, festejamos o aniversário de 80 anos de minha tia Zoca. Reencontramos e conhecemos velhos parentes, uns mais Ribeiro, outros mais Cerqueira, outros nitidamente mais Mendes, outros sempre Clemente e alguns não tão menos Rabelo (que não tinham entrado na história).
A melhor parte foi reencontrar a Mercês e, com ela, aqueles que tanto povoam este nosso lar. Muitos anos depois, um pouco envelhecida pelo tempo e pelo sol, mas vívida e jovem, a mesma encantadora de lágrimas. Por ela, encontrei muitos que fazem parte de mim e que só na eternidade esperava abraçar.

A alegria e a emoção desse encontro não são palavras.
Não estamos sós.

domingo, 17 de outubro de 2010

Rosário

rosário é uma vida que se diz oração
fé, paciência e perseverança

Hoje, 17 de outubro, minha tia Maria do Rosário, a Zoca, completa 80 anos de oração. A ela, a quem eu chamo carinhosamente de “A acolhedora”, minha gratidão e meu afeto.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Hodierno

Para Edgar Alan Poe
Minha maldição foi ter nascido palhaço. Acaso fosse um domador de feras, o homem-bala, um triste elefante encantado por amendoins, ou mesmo um chimpanzé, acorrentado à imagem e semelhança de um escravo, não produziria estas letras. Não. Meu fardo é rolar, dia após dia, essa imensa rocha de lembranças rumo ao topo da ilusão.
Meu acerto foi, nesse palco etéreo, me apaixonar pela bailarina. Leve, flexível, sombrinha dos tempos em mãos e sorriso da paz em seus lábios. Não havia música na qual os pés curtos e precisos não modelassem uma coreografia almiscarada, lúdica, cativante. Ela me mostrou doçura para que eu aprendesse a lidar com a dureza, ouviu meus vícios e, serena, sorriu para que eu aprendesse a lidar com as lágrimas.
Não se sabe a exata medida de seu nome, ainda que seja a razão entre o que circula e o que corta.
Não se têm referências, nem ajudarão a primeira e terceira pessoas de qualquer tempo.
Não se proclama mais o delicado chuvisco de seu nome.
Não serão formas afetivas tampouco diminutas que reduzirão a lembrança de sua semeante alegria.
Eu bem me lembro disso...
A bailarina está morta. Não me importa que ela não dance mais diante de meus olhos, que não deslize, sombrinha em mãos, pelo picadeiro úmido de uma noite chuvosa, que retribua meu desejo com seus olhos infinitos. Eu a tenho comigo.
Eu falo com os mortos, eu invado sonhos, eu corro pelas sombras com as bestas, eu entendo a língua do silêncio, da distância e do tempo. Nenhum negro corvo voará em minha noite escura, nenhuma ave será o arauto de minha impossibilidade eterna, nenhum bico adunco ressoará “Nunca mais” em meu quarto nem rasgará meus umbrais. O grasnar demoníaco de seus olhos vazados e de seu voo nefasto não será o archote de meu devaneio. Não, não há criatura que crocite o amanhã. Eu sou o hoje.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Nosso Chevrolet 51

Para Antônio Cesário Mendes Rabelo

Foi a maior aventura da minha vida.
Saí do estado de Connecticut, E.E.U.U., no dia 1º de outubro de 1960.

Completam-se hoje, 1º de outubro, 50 anos que meu tio Cesarinho, O prático, partiu, em um Chevrolet Fleetline modelo 51, dos Estados Unidos com destino a Itapecerica (MG). Essa história é descrita no livro “Meu Chevrolet 51 e eu” e assim pode ser sintetizada, nas palavras do próprio autor:
“Relato da viagem que fiz ‘sozinho’, dos Estados Unidos ao Brasil, dirigindo um velho Chevrolet modelo 51, passando por 14 países, rodando quase 24.000 km de estradas de todos os tipos que é possível imaginar.
Por vezes, usei correntes, pá, enxadão, machado, serrote, facão, cordas, etc.”
No carro, tio Cesarinho seguia sozinho, mas com ele viajavam dezenas, centenas de pessoas. Essa viagem mudou a vida dele e também, de certo modo, de toda a família, seja pela apreensão que os perigos da viagem e os períodos sem notícia causavam, seja pela mobilização para o envio de apoio, muitas vezes em dinheiro, sempre em oração. Além disso, a cada leitura do livro ou a cada vez que a história é mencionada, embarca-se novamente no Chevrolet 51 e, não sem motivo, ouve-se “aquele roncado bonito parecendo um tanque de guerra”.
Em agosto de 2009, tio Cesarinho partiu em nova viagem. Dessa vez, sem o Chevrolet, mas, de certo modo, toda a família partiu com ele novamente. Poucas coisas continha sua bagagem: algumas peças de roupa, a camisa do Galo, o livro que narra essa aventura e aquilo que define os Mendes: o sonho do impossível.
Neste dia festivo, tão importante para nós, a homenagem ao Cesarinho, meu tio, que dizia: “De vez em quando, sonho que estou com ele [o Chevrolet], viajando por aí e contando a nossa história.” Nós também sonhamos, tio. Nós também.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A chuva

Ao primeiro chamado não houve resposta.
Ao primeiro chamado não se ouve resposta.
– Dona Quiméria! – insisti.
Ouvi, então, o roçar de patas no chão. Era o Chicão que vinha ao portão, incrivelmente silencioso, apenas atentamente me observando. Aproximou-se do trinco e, mantendo-se em duas patas apenas, com um golpe único fez com que o portão se abrisse. Como eu não entrava, Chicão se assentou.
Eu sabia que, quando estivesse do lado de dentro, com o portão fechado, não haveria problemas, pois o Chicão se transformaria no Luizinho, mas, como a travessia de mundos não é para qualquer um, mantive minha indecisão. Não posso dizer o mesmo de Chicão, que, talvez cansado de me esperar, virou as costas e voltou para dentro de casa.
Passei pelo portão trancando-o e segui casa adentro.
– Dona Quiméria! – chamei novamente.
Nenhuma resposta. Chicão apareceu e, silenciosamente, pediu que o seguisse. Atravessamos a casa e chegamos ao quintal, avistando Dona Quiméria sentada num banco. O cachorro se aproximou dela e se deitou.
– Puxa a cadeira, meu fio!
Avistei um banco e o peguei me acomodando ao lado dela. O ar estava quieto e percebi que Dona Quiméria olhava fixamente para o infinito.
– Como a senhora está, Dona Quiméria?
– Bem, meu fio. Com a graça de Deus, bem.
– Tô achando a senhora um pouco abatida.
– É impressão sua.
Não era impressão minha. Os olhos vivos de Dona Quiméria não brilhavam como de costume.
– O que a senhora faz aqui, sentada nesse banquinho?
– Tamo esperando.
– Esperando quem?
– A chuva, meu fio.
– A chuva?
– Isso memo, meu fio. A chuva. Só ela vai limpá essa lambança.
– É, Dona Quiméria, a lambança tá brava.
– Bota braba nisso. Da última vez que nóis nos vimo, naquele dia em Lourdes, nós lavamo a entrada da Sede e deixamo tudo pronto pro time deslanchá. Mas num deu. Eles enganaru a gente.
Deixei que ela prosseguisse.
– Nosso time é de Galo, meu fio. Eles esquece disso. Encheram o time de pato, de marreco, de pavão, até faisão tem, mas Galo memo que é bom tá faltando. É pur isso que o time não deslancha. Falta gente pra jogá futebol. É pur isso que o Chicão fica preto desse jeito.
O medo da travessia não permitiu que percebesse como o Chicão estava mais betuminoso.
– Nós num guenta, meu fio. Nós num guenta.
O céu cinza emoldurava o desabafo de Dona Quiméria: sentada, queixo escorado na mão esquerda e a direita livre para gestos esporádicos, tendo aos pés o cão, que, deitado, mantinha a cabeça entre as patas da frente. O som da espera.
– Nóis num vota, nóis num frequenta a sede, talvez nem deixem a gente entrá lá ou memo visitá a Cidade do Galo, mas nóis somo esse time. Se não fosse nóis, o Grorioso seria apenas mais um clube como tantos que tem por aí. Nós tamo numa draga danada, mas continuamo a leva mais gente na Arena do Jacaré. Como dizia o velho Caneteiro, “O melhor do Atlético é o atleticano”.
– O Dorival chegou e talvez agora as coisas melhorem.
– Já passô da hora, meu fio. Já passô da hora. Se eles tivesse ouvido o Caneteiro e colocado a estrela vazada na manga da camisa, talvez nóis num tivesse nessa draga agora.
– Estrela vazada?
– Isso, meu fio. O Caneteiro difindia que nóis tivesse uma estrela vazada na manga da camisa para num mais esquecê o inferno da segundona. Pra mostrá pras novas gerações, ainda que com dor e amargura, o que nóis fomo um dia e pra nunca mais deixá isso acontecê, pra mostrá que nóis aprendemo com os erro do passado. Que nóis somo muito maió que um campeonato, que uma divisão, que um clube comum. Que nóis somo branco, somo preto, preto e branco, branco e preto, e que nóis num deixamo de acreditá nunca. Nem morto! – concluiu ela levantando o braço direito com o punho fechado.
Nesse momento, o cão saltou e latiu como quem parte para a guerra. No horizonte, um primeiro raio pincelou aquela cinzura.
– Dona Quiméria, vamos entrar. Daqui a pouco vai começar a chover.
– Meu fio, tamo esperando a chuva. S’nóis entrá na hora que ela chegá, de que adiantou esperá?
– A senhora pode pegar uma gripe.
– Nóis treis tamo acostumado, meu fio.
– Nós três?
Dona Quiméria levantou o dedo indicador direito e apontou em frente. Nesse momento, percebi, no fundo do quintal, pendurada no varal, a camisa do Atlético. Desde minha chegada, era esse o infinito particular de Dona Quiméria.
– Meu fio, nóis tamo acostumado a enfrentá qualquer coisa.
Em seguida, a chuva desceu com força e o vento sacudia a camisa no varal de todos os modos. Na chuva, Dona Quiméria pulava e agitava as mãos, enquanto Chicão saltava e mordia aqueles pingos chuvosos, na euforia do gol que levanta a Arquibancada.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Refazenda

o abacateiro foi morto por um capricho
de quem não gosta de gente, de planta, de bicho

desde então, nascem carvalhos, oliveiras,
pereira, cipreste e nogueira

a amoreira não nasce
é desde sempre

domingo, 19 de setembro de 2010

Situação

Daqui a duas semanas, ocorrerão as eleições.
Qual é a situação de momento?
Qual é o futuro da situação?
Mudarão os nomes (alguns dizem que serão fantoches.
pura maldade! O que dirão os fantoches?),
seguirá a mesma sopa de letrinhas.
A Situação continuará a ser situação.
Não é um caso de pleonasmo. É sufrágio mesmo.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Palavras

Agradecimento a Martinho da Vila
Para Luiz Mendes, o Ilimitado
Já tive palavras
De todas as cores
De várias idades
De muitos amores
Algumas até
Certo tempo grafei
Prá outras apenas
Pouco rascunhei...

Já tive palavras
Do tipo cingida
Do tipo versada
Do tipo mentida
Casada carente
Solteira feliz
Já tive donzela
E até meretriz...

Palavras cabeça
E desequilibradas
Palavras confusas
De guerra e de paz
Mas nenhuma delas
Me fez tão sutil
Como você me faz...

Procurei
Em todas as palavras
A felicidade
Mas eu não encontrei
E fiquei na vontade
Fui rabiscando bem
Mas tudo teve um fim...

Você é
A flor da minha vida
A minha verdade
Você não tem limite
É voracidade
É tudo o que um dia
Eu sonhei prá mim...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sibila

Numa bruxa sapateia uma vassoura
Não há piaçaba, apenas cabelos
De todas as cores, de todas as idades

Voa a bruxa nas noites frias de luar
E varre sonhos de garotos maus

Os bons não sabem de vassouras
Os maus não compreendem as bruxas
Feitiços não gostam de bons nem de maus

O fetiche do feitiço sibila se bela é a bruxa

sábado, 11 de setembro de 2010

Pajelança

Noite de quinta, horas antes do jogo Atlético e Vasco em São Januário.
Descendo a Avenida Olegário Maciel, sentido Praça Raul Soares, na esquina do Diamond, observo uma senhora de idade com balde e vassoura na mão. Ela está apoiada sobre a vassoura, como se descansasse, e com o balde pendurado no braço, como um cesto. Vejo suas roupas simples e reconheço suas precatas inconfundíveis.
Aproximo-me dela e noto que está com os olhos fechados, talvez dormindo. Para não assustá-la, levanto a mão para tocar seu braço e ouço um rosnado bestial. Paro e percebo um cão a curta distância, a necessária para um bote certeiro, olhando-me atentamente e com os dentes aflitos para dançar.
– Até que enfim, meu fio! Tava esperando ocê. – disse Dona Quiméria abrindo os olhos e se dirigindo a mim. – O Chicão já tava impaciente! Eta minino bão esse, sô! – e afagou o cachorro que, agora, sorria de satisfação.
– Dona Quiméria! Não reconheci o Chicão. Parece que ele tá mais escuro, mais preto.
– Tá memo, meu fio. Ocê tá c’os óio bão, hein? O Chicão tá c’uns pobrema de visão e isso tá alterando a cori dele.
– Que problema, Dona Quiméria? É grave?
– É grave, meu fio. Ele tá vendo muita pelada na televisão, muito perna-de-pau, muito enganadô com a camisa do Grorioso e isso tá prejudicando o humor dele. Aí, ele fica preto de raiva. Eta pobrema grave, meu Deus! – e sorriu pelos olhos.
– Eta, Dona Quiméria! Acho que desse problema tem muita gente padecendo...
– É por isso memo que nóis tão aqui, meu fio. Nóis viemo ajudá o time a saí dessa fase empistiada. Eu e o Chicão só tava esperando ocê chegá.
– Como a senhora sabia que eu passaria por aqui?
– O mundo tá pequeno, meu fio. Tá todo mundo de olho em todo mundo. – e piscou pra mim.
– Vamo voltá pro nosso trabalho que daqui a pouco nós temo outra peleja pra acompanhá. Vamo logo com isso.
Colocou o balde no chão e tirou de dentro dele uma garrafa pet, que continha uma mistura colorida. A cada vez que ela balançava a garrafa, a mistura parecia tomar uma coloração nova.
– O que tem aí dentro? – perguntei.
– É uma poção q’eu fiz pra lavá a entrada aqui da Sede, pra podê mandá embora essa praga que tá aninhada na gente. Eta, meu Deus!
– Que tipo de poção?
– É uma mistura antiga q’eu uso pra limpá a casa do mal-olhado. Tem arruda, carqueja, boldo, arnica, agoniada, erva cidreira, dente de leão, guaco, quebra-pedra, unha de gato e capim limão.
– Funciona mesmo?
– Eta, meu Deus! Isso resolve memo. É tiro e queda.
Tirou o balde do braço, colocou-o no chão e abriu a garrafa.
– Toma, meu fio! A vassoura eu trouxe pr’ocê. Esfrega aí enquanto eu jogo o chá.
Peguei a vassoura e comecei a esfregar a entrada da Sede, à medida que Dona Quiméria esparramava o líquido pelo passeio. De longe, o Chicão acompanhava atento essa pajelança quimérica.
– Vamo, meu fio! Esfrega cum força porque a praga tá brava. Dá um sanguinho aí pro time melhorá.
Minutos depois, toda a entrada estava limpa e a garrafa, vazia.
– Toma, meu fio! O balde eu trouxe pr’ocê!
– Pra mim?
– Pr’ocê sentá e descansá. Eta, meu Deus! – e sorriu novamente.
Eu também ri e, virando a boca do balde para o chão, me assentei no fundo.
– E agora, Dona Quiméria? O que vai acontecer?
– Eta, meu Deus! O time vai embalá, meu fio, e as coisa vão fruí mió. Só vai sê goleada!
Conversamos mais alguns minutos e ela disse que precisava ir embora, porque tinha o jogo do Galo para acompanhar.
– Além disso, meu fio, hoje é dia do Roberto me ligá pra sabê comé que estão as coisas do Galo.
– O Roberto...
– Ele memo, meu fio.
– Mas a senhora vai embora como? A pé?
– Eu vim com a vassoura e volto com ela.
– E o Chicão?
– Volta no balde, do jeito que ele veio.
Abracei e a beijei no rosto dizendo:
– Que os bons ventos tragam sorte pro Galo, Dona Quiméria!
– Pode deixá, meu fio. Vai dá tudo certo. Quando nóis se vê de novo, daqui a sete rodada, o Chicão já vai tê voltado ao normal. Vai tá menos preto e mais preto e branco.
Virou-se para o Chicão e disse:
– Vão borá, Chicão! Tá na hora de nós rezá. Eu puxo as prece: “Nós somos do Clube Atlético Mineiro...”
E o cão latia ao fim de cada verso acompanhando a melodia.
– Eta minino bão esse, sô! – e seguiram os dois rezando a alegria contagiante de uma paixão.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Saudosa Pelada

Agradecimento a Adoniran Barbosa

Se o senhor não tá lembrado
Dá licença de contar
De um tempo muito alegre
Que nós só ria de brincar

Os colete azul e amarelo
Era o estandarte
O eterno sonho no prelo

Foi assim, seu moço,
Que Osvaldo, Oreia, Múmia e Tadeu
Vidão, Sirley, Veiinho, Bill e eu
Rogério, Geo, Du, Willy, Magela e Kaká
E tantos outro que ap’recia por lá
Eternizemo nossa pelada

Mais um dia
Nóis nem pode se alembrar
Veio os vento do destino
E começaram a nos levar
Foi joelho, tornozelo, dedo e idade
Teve língua, dor, viagem e fatalidade
E dessas perda tão cruel
Só voltaremo a jogar, junto, no céu

Que tristeza que nós sentia
Cada um que não mais ia
Duia o coração
O síndico quis gritar
Mas em cima eu falei:
Os ventos num pede licença
Segura esse rojão
Nós se conformemos quando a Bola falou:
"Deus dá o frio conforme o cobertor"

E hoje nóis óia sem graça as grama do jardim
E prá esquecê nóis cantemos assim:
Saudosa pelada, pelada querida,
Que dim donde nóis passemos dias feliz de nossas vidas

Mar de vento

"Os livros não são feitos para acreditarmos neles, mas para serem submetidos a investigações. Diante de um livro não devemos nos pergun...