quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Operação Xibiutis - parte I

– Alô!? Roberto? É ocê? Sou eu, meu fio, a Quiméria.
– ...
– Tô, tô no Recife, já resolvi os pobrema tudo aqui e daqui a pouco nós vão saí de novo. Daqui pro Marrocos.
– ...
– Nós chegamu onti, meu fio. Tá todo mundo bem, a viagem foi boa, só tivemu uns pobrema na chegada aqui na cidade, mas dirresto foi tudo muito bão. Num pegamu chuva, muitas vêiz tinha uma brisa fresca pra arejá, a comida foi boa, e a comitiva tá confiante.
– ...
– Minino, nós saímu daí aquele dia e viemu subindo: cumemo uns pequi em Montes Claros, recolhemu umas pimenta e muito azeite de dendê em Salvador e viemu apeá aqui em Recife.
– ...
– O dendê? Eta, Roberto, nós vão precisá dele no Marrocos. Mas como eu ia falano co’cê: nós viemu apeá aqui em Recife. Quando nós tava chegano na cidade, um mundéu de timbu tentô cercá a gente. Mas era muito memo. A cara deles num tava muito boa e nós pensamu até em conversá, mas resolvemu, graças a Deus, corrê. Foi nossa salvação!
– ...
– Ocê tá esquecendo da sapecada que nós demu nel’s no Horto? Intão, nós tamém isquecemu. Quando o Chicão me alembrô disso, nós arrumamu uma correria da peste.
– ...
– E el’s atrás da gente.
– ...
– Não, meu fio, num teve conversa, num teve nada. Era só nós correnu e el’s atrás.
– ...
– Eu tentei, mas o Elotero ingasgô. E eu gritava: “Atira, home de Deus!” e o Elotero, ingasgado, nem respondia. “El’s tão chegano e vão pegá a gente. Atira logo!” E eu batia nas costa dele pra desingasgá o pobre coitado e nada. E el’s só chegano, só chegano, só chegano...
– ...
– Medo? Não, meu fio, num tinha ninguém cu’ medo não. Era quinem um “coletivo”, um treinamento para enfrentá o Xucrutis.
– ...
– Aí, de tanto batê nas costa do Elotero, ele disingasgô. E foi um só! Pá!!! Vuô taioba pra tudo enquanté lado. Aí, os timbu assustarô e correru pro outro lado.
– ...
– Brigá? Pra que brigá, meu fio? Nós tamu focado no Xuvitiz e brigá num resolve nada. Por isso, nós corremu.

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