A cliente apertava as mãos, mordia os lábios e imaginava o amado batendo à porta de sua casa, dizendo palavras doces e, humildemente, pedindo a ela que o aceitasse de volta. Em seu delírio, um breve sorriso nasceu em seus lábios.
– Eu sinto a presença de...
Nesse momento, a parca luz se apagou e a vidente se calou.
– O que é isso? – perguntou a cliente.
– Sua consulta vai começar, minha filha – disse uma voz que, pela direção, saía da boca da vidente, mas em nada se parecia com a dela.
– E a luz? Por que apagou?
– Algum problema com a luz?
– Está muito escuro. Não consigo ver a senhora.
– Achei que você reconhecesse as trevas em que você mora – disse a vidente rindo.
– Que isso? O que a senhora está falando?
A vidente seguiu rindo diabolicamente.
– Acenda a luz agora ou eu vou embora! E não vou pagar nada!
– Para quem não conhece a luz, você até que a cobra de mais.
A luz se acendeu, mas fracamente. A cliente encarou a vidente e percebeu que a mulher estava de olhos fechados, com as mãos espalmadas sobre a mesa, movimentando freneticamente os lábios.
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