quarta-feira, 6 de março de 2013

O pactário - parte III

– Eu não vim aqui pra essa bobajada! Eu quero que faça o que pedi e só. –  e bateu as costas de uma mão na palma da outra.
– Você é uma tola mesmo.
– Eu...
– Fique assentada, sua desprezível, e cale essa boca fétida. Agora quem fala sou eu.
A luz se tornou mais forte explicitando o corpo hercúleo da vidente, em nada parecido com aquele aspecto franzino que a recebera. Um misto de horror e espanto se apossou da cliente, que sentiu as pernas vacilarem.
– Você é uma mulher fútil. Não percebe que essa mulher é uma charlatã? Que não tem nenhum contato com os céus nem com os infernos, que inventa histórias ao gosto da clientela e que apenas toma o dinheiro dos desesperados que a procuram?
A cliente estava perplexa. Todas aquelas palavras saíam da boca de Madame Adelaide, mas a voz não era a dela tampouco aquelas frases poderiam ser.
– Agora você vai ouvir um pouco do futuro, mas verá principalmente o passado.
– E o meu namorado?
– Não seja tola. O pactário nunca foi seu.
– Pactário?
– Sim. Ou você acha que sua brincadeira de bruxa é verdade? Você não devia tentar dar as cartas com um desconhecido só por se achar a dona do baralho. Ele sabe quem você é, mas você não sabe quem ele é realmente. Ele é um pactário.
– Não! – gritou alucinadamente a cliente.

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