segunda-feira, 20 de maio de 2013

Manifesto (V)

As duas características definitivas da Vênus que considero os símbolos de brasilidade são a depilação e a sensualidade da cintura. Note que ela não tem cintura, o lado direito está em (quase) alinhamento com o quadril, mas repare a “quebrada de asa” do lado esquerdo, pouco abaixo do seio. Mostra que ela sabe valorizar suas potencialidades, sensualidade e feminilidade. É o nosso ziriguidum.

A Vênus conhece bem o jogo barroco de sedução, pois se mostra sem se expor, ou seja, aponta sua nudez sem, contudo, mostrá-la. Os seios estão cobertos pela mão, mostrando levemente o esquerdo, naquela atitude ingênua de colocar a mão ao colo quando de surpresa ou espanto, como se não esperasse aquela pincelada. Veja que as longas madeixas cobrem o ventre, auxiliadas pela mão esquerda, no movimento lúdico do oculto e do visível, do claro e do escuro, do destro e do sestro, da libido e do inibido.

A depilação é única, sem mostras de um pêlo sequer em todo o corpo, exceção feita às madeixas (já devidamente preparadas para a tesoura). A região próxima do púbis é de uma desertificação invejável, desafiando muitas contemporâneas e companheiras.

Tomo a Vênus como modelo, pois ela mostra que não há um padrão de beleza a ser seguido, como já disse antes, mas que podemos valorizar nossas curvas e nossos atributos de maneira ímpar, sem medo de ousar ou na mesmice de ser apenas mais uma. Façam como eu: assumam sua beleza e sua sensualidade e sejam felizes. Não se preocupem com modéstia, pois ela é atributo dos fracos e feios. Nascemos para brilhar, somos estrelas, diferentemente de muitos corpos celestes que correm o céu com o rabo em chamas e se dizem “astros”.

Amigas, levantemos a voz e nosso moral em relação às nossas potencialidades. Somos belas como somos e qualquer um que diga o contrário entrará em nosso campo de batalha, sumariamente fuzilado por nosso olhar e nossa língua ou a mercê de nosso armamento químico. Em tempos de anorexia e bulimia, sim aos prazeres da carne e não ao império dos ossos. Lutemos por nossas formas curvilíneas, por nossa mente e inteligência e reneguemos regras oliviescas, produtos de laboratório. Afirmemos nosso padrão olivesco, natural e perfeito, e mostremos a todo o mundo que as olivas fazem o melhor azeite. À luta, amigas!

Boni Gostosona

*Este texto, de 2008, é uma homenagem a minha amiga Boni, que agora se torna mãe.

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