Não, FLP! A Seleção Brasileira convocada na terça não é a seleção do Brasil, é a sua seleção. Ela não representa um clube, um estado ou a voz das ruas, ela é o produto de seu gosto pessoal, de suas convicções e de sua maneira de ver e pensar o futebol. Sempre foi assim, você dirá, e eu responderei que sim, que sempre foi e que, de igual forma, é direito dos torcedores apoiarem ou não esse “escrete”. Acredito que, ao ver a lista, o Nélson não tenha se contido: “É mais um idiota da objetividade”.
Não, FLP, não há critérios nessa lista, pois, se houvesse, nela estaria o Bernard e não estaria o Júlio César, ou vice-versa, pois o primeiro representa a aposta, o futuro, a Rússia de 2018, enquanto o segundo representa a tradição, o histórico. Aquele vive um grande momento, e este? E o volante improvisado na lateral direita? O que trouxe o Dante à seleção? O bom futebol, sim, mas ele é um estrangeiro em nossas arquibancadas. Luiz Gustavo? O futebol, sim, e o fato de assistir aos jogos do Bayer do banco não conta?
Não, FLP, nem sempre um coletivo é formado por “pessoas de bem”, de atletas “de grupo”, é necessária uma pitada de Macunaíma em cada equipe, em cada time, em cada seleção. A pimenta que não arde é considerada legume. Santos são fabricados pelas igrejas, o futebol produz heróis e vilões.
Não, FLP, não vou secar a Seleção na Copa das Confederações, pois acredito que há muitos ingredientes internos autossecantes. Meu amigo Dólar Furado, que não é filósofo nem moeda, afirma que a incompetência é uma mulher vaidosa, não serve para amante: ela precisa se mostrar, e quem a possui não tardará a ser visto com ela. Não tenho dúvida de que essa doce senhora já está com as entradas compradas para os jogos da Seleção.
Não, FLP, não quero a Minha seleção com a amarelinha. O treinador profissional é você, eu sou apenas mais um corneteiro entre os milhares de cornetas espalhados pelo país. Contudo não aceito que falem “nossa seleção” comigo, e nem que peçam para que todos deem as mãos e torçam pelo Brasil.
Não, FLP, você não deve ouvir a opinião de um e de outro para convocar o elenco, pois, afinal de contas, o futebol não é um espaço para democracia (e os utópicos mastigarão os próprios dentes ao lerem isso!). É preciso de “O príncipe” na cabeceira da cama, todas as noites, para domar onze leões em campo e mais sete no banco querendo o campo e mais seis ou sete no elenco querendo o banco (só para chegarem ao campo). Sem contar a fauna de jornalistas e torcedores que se excitam ao ouvir o suave cântico da guilhotina.
FLP, se você terá dor de barriga ou não, não importa a mim nem a milhares de torcedores, desde que o odor nauseabundo não chegue a nossas narinas. O que espero é que, se vier o título da Copa das Confederações, ele não seja o arauto de uma tragédia, assim como foi o título da Copa do Brasil de 2012 para o Palmeiras naquele ano. Lembra-se de quem era o treinador do Palestra?
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