terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Tubarão solitário

Certa vez, fui a um casamento em que o noivo não se continha, chorando compulsivamente. A noiva não havia chegado, e ele em lágrimas. Pensei que ele deveria amá-la de mais e estar emocionado em excesso com aquele momento. Quando vi a noiva entrando pela igreja, entendi tudo. Desconjuro! Que noiva malarrumada! Não estava emocionado, estava decepcionado. O tapete vermelho era a antítese da prancha. Na prancha, quem caminha será devorado pelos tubarões; ali, na igreja, o tubarão solitário agonizava. Rezei por sua alma.

* Trecho de "Semântica", originalmente publicado em 2002.

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