[Silêncio]
– E o que mais?
– Queria que você me ajudasse com as construções, que me desse umas dicas sobre a melhor forma de narrar, sobre as vírgulas, sobre as personagens.
– Bem, tenho que lhe dizer que o que você deseja precisaria ter sido pensado antes do texto estar pronto, pois agora o trabalho será enorme para fazer isso.
– Não se preocupe, isso é simples.
– Você usou esse mesmo método nos outros livros?
– Não, não.
– Como fez nos outros?
– Foi inspiração. Tive uma ideia e escrevi.
– E o trabalho com a língua?
– Ainda não foi feito.
– Então você escolheu começar por esse?
– Sim.
– Você tem inúmeras páginas escritas que precisam ser avaliadas, é isso?
– Ah, não são "inúmeras".
– É um livro pequeno, então? Na verdade, um conto.
– Não, não, não é um conto! É um livro mesmo.
– Quantas páginas ele tem?
– Não muitas.
– Me diga quantas são.
– Huljileopnbertyad
– Desculpe. Não entendi.
– Bgtradoleuncte.
– A ligação ficou péssima. Não consegui entender.
– Estou mudando de lugar. Melhorou?
– Sim, agora sim. Quantas são?
– Então, na verdade... Bem, na verdade, eu queria sua ajuda na redação do livro.
– Para escrever o livro?
– É isso. Isso mesmo.
– Você não tem nada escrito, então?
– Não, não, tenho.
– Você só tem a história?
– Não, não, claro que não! O livro está pronto na minha cabeça.
– Ah, sim, na sua cabeça. Só falta passar para o papel.
– É isso! Sabia que você ia me entender.
– Quanto você já escreveu?
– O mais importante.
– Que é?
– O fim.
– Você tem o capítulo final.
– Quase...
– Quase como?
– É... quer dizer, eu tenho o fechamento, a frase final.
– A frase?
– Isso, a frase. O fechamento do romance, a chave de ouro, o ponto alto de toda uma história de amor.
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