terça-feira, 23 de junho de 2020

Eu, Testosterona [parte 4]

– [Não devia perguntar, mas não resisti] Você pode ler para mim essa frase? 
– Acho melhor não. 
– Por quê? Se você quer minha ajuda, eu preciso saber o desfecho. 
[Silêncio] 
– É, acho que você tem razão. Vou pegar. 
– Tá bom. 
Alguns segundos depois: 
– Vou ler, tá? 
– Tá bom. 
– É algo impactante, assim, avassalador, para que o leitor saia deslumbrado com o livro. 
– Claro, assim deve ser. 
– Não queria nada muito óbvio. 
– Sim. 
– Nada clichê. 
– Você está certa.
– Pensei em algo que o leitor quisesse decorar, que o fizesse querer ler o livro de novo só por essa frase.
– Entendo.
– Alguma coisa que mexesse com o sentimento dos homens e o desejo das mulheres. 
– Tá. 
– Que tivesse uma pegada moderna. 
– Hunrum. 
– Sabe, uma “pegada” forte! 
– Sei. 
– Um misto de amor e paixão. 
– Hunrum. 
– Demorei muito para escrever isso. 
– Hunrum. 
[Silêncio] 
– Então, vou ler: 
[Silêncio]

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Mar de vento

"Os livros não são feitos para acreditarmos neles, mas para serem submetidos a investigações. Diante de um livro não devemos nos pergun...