– [Não devia perguntar, mas não resisti] Você pode ler para mim essa frase?
– Acho melhor não.
– Por quê? Se você quer minha ajuda, eu preciso saber o desfecho.
[Silêncio]
– É, acho que você tem razão. Vou pegar.
– Tá bom.
Alguns segundos depois:
– Vou ler, tá?
– Tá bom.
– É algo impactante, assim, avassalador, para que o leitor saia deslumbrado com o livro.
– Claro, assim deve ser.
– Não queria nada muito óbvio.
– Sim.
– Nada clichê.
– Você está certa.
– Pensei em algo que o leitor quisesse decorar, que o fizesse querer ler o livro de novo só por essa frase.
– Entendo.
– Alguma coisa que mexesse com o sentimento dos homens e o desejo das mulheres.
– Tá.
– Que tivesse uma pegada moderna.
– Hunrum.
– Sabe, uma “pegada” forte!
– Sei.
– Um misto de amor e paixão.
– Hunrum.
– Demorei muito para escrever isso.
– Hunrum.
[Silêncio]
– Então, vou ler:
[Silêncio]
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