quarta-feira, 24 de junho de 2020

Eu, Testosterona [parte 5]

– Lá vai: “Então ele me pegou e me beijou.”
[Silêncio]
– Ponto-final?
– Sim. Grandioso assim. O que achou?
– É...
– É o quê?
– É... "impactante".
– Eu sabia. Todo mundo vai gostar.
– Vai... Vai sim...
– Então seu romance vai ser em primeira pessoa?
– Vai, vai sim. Então, você vai me ajudar?
– Desculpe, mas... fiquei tão impactado com o fim que me perdi. O que você quer mesmo que eu faça?
– Que escreva minha história para mim!
– Quer que eu escreva? 
– Sim, isso. Não existe a função de ghost writer? Então, queria que você fosse o meu.
– Desculpe, Anastásia, mas não faço esse trabalho.
– Você vai perder essa chance de ficar famoso e ganhar dinheiro? Não acredito que não quer!
– Não trabalho como ghost writer.
– Talvez seja a hora de começar. Você tem talento! Eu ajudo você.
– Você me “ajuda”?
– Claro. Só não posso colocar seu nome no livro porque a ideia foi só minha.
– Ah, claro.
– Então?
– Infelizmente tenho que confessar que não posso ajudar você porque estou escrevendo um livro sobre um grande romance. 
– Não acredito!
– Sim, estou. Já tenho o título, as personagens, o enredo e muitas páginas escritas.
– Mentira! Jura?
– É verdade, e vou contar para você em primeira mão!
– Ah, não! Não me fala isso.
– O livro se chama “Eu, Testosterona” e conta a história de Brutus, um homem forte, másculo e viril que se apaixona pela meiga Bela, uma jovem linda e ingênua. Só que Brutus tem um segredo guardado a sete chaves, que, se for descoberto, acabará com todas as chances de felicidade dele.
– Nossa!
– Brutus é um homem irresistível.
– Meu Deus!
– Isso mesmo! Um deus grego com uma pegada moderna: jovem, veloz e furioso.
– Nossa! 

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