quinta-feira, 2 de junho de 2016

Radicalização

Confundida com Uber no DF, família é perseguida e espancada por taxistas

Em um país desacreditado como o nosso, em que o nome de ministros do STF circula levianamente na boca de acusados e envolvidos na Lava-Jato, em que ações trabalhistas demoram anos para chegarem a uma solução e que a Polícia fica aquém de suas atribuições em virtude de leis flácidas e de um Judiciário inchado, nada mais esperado do que a organização de grupos para legislação própria.

Enquanto as autoridades não se propuserem a entender esse fenômeno de radicalização pelo qual passa o Brasil, que teve instalação mais acentuada durante o 2º turno da campanha presidencial de 2014, notícias como essa se repetirão diariamente. Antes restrito aos campos de futebol com facções organizadas de torcida, esse movimento avançou socialmente e atingiu outros públicos.

Quando o país não estava bem durante o primeiro ano do novo mandato da presidente Dilma, não era difícil encontrar adesivos em carros com a seguinte frase: "A culpa não é minha. Eu votei no Aécio." Ou uma campanha para quitar a dívida do país por meio da divisão do valor devido pelos 54 milhões de eleitores da presidente, mostrando claramente de quem era a "culpa".

Agora, com o afastamento da presidente Dilma, o temor pelo momento de transição atual, de recessão e de crise política em que vivemos encontra, com certa facilidade, o seguinte argumento: "Você não ajudou a tirar a presidenta? Então não reclame. A culpa é sua."

Essas atitudes são indicativos de que educação e cultura precisam vencer as próximas e as subsequentes eleições. Saúde, emprego e segurança pública são pautas de candidatos vencedores, mas não se sustentam no longo prazo se não estiverem ancoradas em educação e cultura. Enquanto não mudarmos essa lógica de "quem não está comigo está contramigo", "só nós teremos razão", o que não é razoável.

As opiniões discordantes são importantes, o debate político, extremamente válido, e as posições ideológicas devem ser sempre respeitadas, sem que essas diferenças interrompam ou obstruam o país, pois não adianta torcer pelo iceberg quando se está dentro do Titanic.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Mar de vento

"Os livros não são feitos para acreditarmos neles, mas para serem submetidos a investigações. Diante de um livro não devemos nos pergun...